Cheguei 8 minutos antes do horário e... ele ficou parado mais de 1 hora por problemas mecânicos! hahahahah é rir pra não chorar!
Na manhã do dia 3, cá estava em Santo Ângelo, com pouco tempo para manter-me na cidade, pois o objetivo principal era a vizinha São Miguel das Missões... Os horários de bus entre as duas cidades eram um tanto quanto escassos e perder um ônibus poderia ser a senha para pernoitar em Santo Ângelo sem qualquer necessidade.
Santo Ângelo é pequena, sem grandes atrativos, mas com alguns prédios históricos bem conservados ao redor da praça central. Destacam-se o prédio utilizado atualmente pela prefeitura (mesmo prédio em que podemos encontrar informações turísticas), além do museu da cidade, com diversas peças contando um pouco das histórias missioneira e pós-missioneira, e da imponente Catedral Ângelopolitana, muito bonita por sinal.

Se a rápida visita parasse por aí, já me daria por satisfeito, uma vez que a intenção era utilizar Santo Ângelo como base para chegar em São Miguel. Não obstante, descobri que Santo Ângelo tinha papel de destaque em outro momento histórico, bem menos religioso: era a cidade-base da "Coluna Prestes", movimento político do final da década de 1920, fundado no seio do tenentismo, liderado por Luis Carlos Prestes, cujas reivindicações centravam-se (principalmente) na crítica à "República Velha" e ao status quo então vigente. Sem mais delongas, continuemos...
Num ponto mais afastado do centro, pode-se observar uma obra de Niemeyer em homenagem à Coluna. É até legal, mas se você tem pouco tempo na cidade (ou quer percorrê-la caminhando, como foi o meu caso), pense duas vezes antes de ir.
Dê prioridade para outros locais que lembram a Coluna, como o museu instalado na antiga estação de trem da cidade, numa área central e acessível.

Santo Ângelo pode não ser tão atrativa para pernoitar, mas é válido passear por algumas horas. Até comer é bem barato: arrumei um "pf" numa praça próxima do museu da "Coluna Prestes" por 5 reais. E não achei ruim!
Saí da cidade às 15:30, chegando em São Miguel das Missões por volta das 17:00. Algumas considerações iniciais sobre São Miguel: 1. Excluíndo o fato de ser a cidade das ruínas jesuíticas mais conservadas do Brasil, a cidade não tem absolutamente nada para fazer! 2. Com relação às missões, são 2 os eventos para contemplar: a)
as ruínas, lógico; b) o show de Som e Luz, à noite. 3. Se você optar por
acompanhar o espetáculo de Som e Luz, será obrigado a pernoitar na cidade (exceto se estiver de carro, o que não era o meu caso), uma vez que não existem ônibus ligando São Miguel e Santo Ângelo na parte da noite.
Bom! Após abrir esse parêntese, voltemos ao relato!
Como já tinha dormido "em trânsito" na noite anterior, queria pernoitar em algum lugar que não fosse um veículo em movimento. Mas São Miguel não é uma cidade com muitas opções de hospedagem. Eu já conhecia pela internet o HI Missões e, apesar de ser um tanto quanto caro (39 reais), fiquei por lá mesmo. Foi o melhor albergue
da viagem toda, com certeza.

"Olha esse visual"
Uma vez hospedado, fui ao sítio arqueológico de São Miguel assistir ao show de Som
e Luz. Custa 5 reais (2,50 para estudantes), mas eu não paguei nada (não me cobraram, entrei e ficou por isso mesmo). Gostei do show, menos pela luz e mais pelo "som"... na verdade, a narração da história das missões jesuíticas. Não é muito longo (cerca de 50 minutos) e não dá para encher o saco.
Dia 4 de junho iniciava-se com a visita nas ruínas (5 reais para entrar, 2.50 meia entrada; dessa vez, paguei!). Pode-se iniciar a visita pelo museu que existe no sítio, com peças sacras encontradas no local. Mas o principal atrativo é o que restou da igreja missioneira: basicamente, a fachada e as paredes da igreja. É o suficiente para ficar maravilhado e surpreso com o fato de tal empresa ser executada pelas mãos humanas em pleno fim de século XVII - início do século XVIII. E, mais absurdo ainda, imaginar que tenha sido relegado ao esquecimento total durante séculos.

Após comprar algumas lembranças, voltei para Santo Ângelo e, de lá, rumei para Santa Maria, cidade onde encontraria minha amiga Júlia. Não foi uma viagem turística (é só puxar nos arquivos para saber o que tem na cidade)... Basta dizer que fiquei dias 4, 5 e 6 em Santa Maria e todos os momentos foram importantes para mim (no geral,
extremamente divertidos). Como Santa Maria é contramão para quem quer fazer o caminho das missões, certamente tais dicas não seriam tão importantes assim.
O ônibus bastante digno (e confortável, Júlia!!!!) que me levaria às 17:30 de Santa Maria para São Borja (Expresso São Pedro, 48 reais), demorou menos tempo para chegar do que o previsto: das cerca de 5 horas iniciais, para 4 horas. Sendo assim, tinha mais tempo para procurar um hotel. Da rodoviária para o centro não é muito longe
(no máximo, uns 3 kms), mas como eu não conhecia nada e era de noite, preferi pegar um coletivo em frente ao terminal rodoviário.
Após cerca de 30 minutos de procura incessante pelas ruas desertas de São Borja, cheguei ao Hotel Executivo, próximo do Museu João Goulart e da praça principal
da cidade. Paguei 35 reais (café da manhã incluso), o que achei bem digno para o momento, mas poderia ter pechinchado uns 5 reais de desconto... O atendimento foi bom. Gostei!
Não tinha muito mais o que fazer além de comer alguma coisa (o que no caso foi um lanche preparado pela mãe da Júlia - me salvou aquele lanche!...) e procurar o que ver na televisão. Deus salve a Fórmula Indy na madruga!
Acordei bem cedo no domingo (7), direto para o cemitério da cidade. Os grandes atrativos são os túmulos das famílias Vargas e Goulart, esse em especial pelo fato de conter os restos mortais de Leonel Brizola e João Goulart. Como o cemitério fica na área central da cidade (que não é tão grande) era razoavelmente rápido fazer o trajeto hotel-cemitério.

No geral, os principais pontos turísticos da cidade eram localizados na praça principal, ou em ruas próximas. Uma manhã era o suficiente para conhecer tudo: o mausoléu de Getúlio Vargas, a prefeitura, o balcão de informações turísticas e a Igreja Matriz, com o marco jesuítico de fundação da cidade, o museu João Goulart
(local que foi residência de Jango e que, infelizmente, estava fechado para obras) e o Museu em homenagem a Getúlio Vargas (fechado aos domingos mas, mesmo assim, passível de ser aberto para visitação caso a pessoa - ou grupo - seja de fora da cidade). A abertura para turistas interessados era feito mediante ligação para a um senhora que coordena o Museu (desconsiderando uma certa frieza, gente boa até).
Percebi na cidade alguns grupos de turistas, provavelmente circulando pela "Rota das Missões". Mesmo assim, São Borja não perde o ar pacato de uma cidade do interior... com exceção de uns coroas ranzinzas, mostrou ter um povo bastante solícito e simpático para com os forasteiros.
Dei baixa no hotel e fui para a Rodoviária (desta vez, "caminando por las calles"), de onde parti para Posadas. Na aduana, tranquilidade (incomum até) para atravessar e preencher a papelada. Deu tempo até para trocar reais por pesos (e a cotação estava boa... Enfim, às 13:30 do dia 7 de junho, estava na Argentina.
Gastos (em Reais):
Dias/Noites (5/5)
Transporte Interurbano 248,49
Transporte Municipal 7,80
Alimentação 23,40
Hospedagem 74,00
Noitada 29,00
Turismo 12,00
outros 9,00
Total 403,69
Média 80,74
