sábado, 4 de junho de 2011

Dias 12-14: La Quiaca - Humahuaca - Tilcara - Purmamarca - Salinas Grandes

Tá certo que dia dos namorados numa sexta-feira não é nada atrativo para quem está solteiro. Mesmo assim, nunca imaginei acordar numa das cidades mais frias da Argentina no dia dos namorados...
Cheguei em La Quiaca, extremo norte da província de Jujuy, às 7 da manhã, céu escuro, neblina, com certeza abaixo de 0 grau... já disse que estava frio? Pois foi o local que mais passei frio na minha vida, certamente. Pra completar, senti falta da minha touca (provavelmente deixei no ônibus).
Na acanhada rodoviária, todos os não-andinos tinham duas direções: ou estavam indo para a Bolívia, ou estavam voltando da Bolívia. La Quiaca é a porta de entrada (ou saída) principal entre Argentina e Bolívia. Como não tinha tempo (e dinheiro) para desbravar o país vizinho, chegar até La Quiaca foi pensado exclusivamente pela "mística da fronteira". Minha ideia era conhecer a cidade boliviana de Villazón, passear por lá por algumas horas e voltar a La Quiaca. Rapidamente, descobri que não seria uma tarefa fácil: era necessário permanecer 24 horas em solo boliviano para poder sair do país, caso eu quisesse entrar. Pensei até na possibilidade de ficar 2 ou 3 dias, mas jogaria por terra todo o meu cronograma. Pude apenas visualizar o mercado de rua de Villazón estando com meus pés na aduana. Entrar na Bolívia ficaria para outra viagem.

La Quiaca não tem nenhum atrativo. Absolutamente nada! Mas para uma pessoa que nunca viu neve, observar a geada começando a dissipar-se apenas às 11 da manhã, tamanho o frio, era um espetáculo no alto dos mais de 3400 metros de altitude.

Meu primeiro contato com a elevada altitude não foi nada agradável. Caminhar 100 metros era um martírio. Subir um morro, então... Dor de ouvido, ânsia de vômito, cansaço, dor de cabeça, falta de ar... Resolvi não mascar coca para sentir os efeitos na sua plenitude. Descobri que é quase insuportável.
Devido o meu plano de conhecer Villazón ter sido frustrado, economizaria 1 dia no cronograma da viagem caso chegasse em Tilcara à noite. Para isso, deveria “matar” Humahuaca e a Quebrada de Humahuaca no mesmo dia.
Não fiquei muito tempo em La Quiaca e já peguei um ônibus para Humahuaca (El Quiaqueno, 20 pesos), passando pela Quebrada de Humahuaca. No caminho, os efeitos da altitude pioraram, pois o ônibus passa no caminho por altitudes próximas dos 3800 metros. Ainda bem que tinha comigo uma garrafa d'água: foi o que me ajudou a enfrentar o martírio da falta de ar.

A Quebrada de Humahuaca, considerada “Patrimônio Mundial da UNESCO”, é uma região extremamente acidentada nos Andes argentinos. O que dá uma atmosfera incrível, em todos os sentidos. Ao chegar na cidade de Humahuaca (mais ou menos 2940 metros de altitude) foi possível enxergar um pouquinho melhor a grandiosidade natural da Quebrada, já que passando mal no ônibus era meio complicado pensar nisso.

O principal monumento da cidade, “Monumento da Independência”, encontra-se encravado no alto de um morro, cuja vista é sensacional. Ao lado, alguns cactos com até 5 metros de altura, o que era uma novidade para mim.
De Humahuaca, fui para Tilcara (Balut, 6 pesos), cidade escolhida para servir de base de modo a desbravar a Quebrada de Humahuaca e as cidades próximas. Cheguei em Tilcara e fui direto para o HI da cidade. O Hostel é ótimo, mas tenho dois motivos para não recomendar como local de pernoite (apesar de ter sido uma escolha pessoalmente feliz... e explicarei depois o motivo). Em primeiro lugar,
por motivos econômicos: paguei 45 pesos a diária, sendo que uma ida ao balcão de informações turísticas seria suficiente para descobrir que era possível pagar 20 pesos a diária. Mas mesmo assim, outro fator me deixou puto (e ao contrário do
primeiro, não foi por culpa ou ignorância minha): pelo que entendi, os preços do Hostel eram: Alta Temporada (45-50 sem/com café da manhã) Baixa Temporada (35-45 sem/com café da manhã). Inicialmente me foi dado o preço de baixa temporada,
depois me foi dado os preços de alta temporada. Como a diferença sem/com café da manhã nos preços da alta temporada eram pequenos, optei pelo café. Mas, no check-out, me foi cobrado o preço do café da manhã na baixa temporada. Enfim,
foi um erro, minimizado ou esquecido por situações positivas que ocorreram depois e tiveram início neste hostel. Vamos dormir, que estou cansado!

Na habitação compartilhada estavam um italiano e duas inglesas (Hannah e Jessica). Não troquei muitas palavras com eles, apenas um "Hola, qué tal!?". Ao amanhecer do dia 13, enquanto todos faziam seus respectivos check-outs, eu me preparava para conhecer o povoado de Purmamarca, distante 18 kms de Tilcara (várias empresas fazem o trajeto por 3 pesos). Na rodoviária de Tilcara, percebi que as inglesas iriam para Purmamarca também, cheias de bagagem, pois estavam seguindo rumo a Salta, mais ao sul.

Purmamarca tem menos de 1000 habitantes e seria mais um povoado desolado num rincão qualquer dos Andes, não fosse por um detalhe: a existência do Cerro de Siete Colores, acomodação de minerais ao longo de séculos que deram forma a um
mosaico de cores (eu contei mais de 7 cores! RISOS!). É um dos principais cartões postais do noroeste argentino. Atrás do Cerro, existe o Paseo de los Colorados, um caminho de terra com cerca de 3 kms de extensão.

Um parêntese: no Paseo, encontrei as duas inglesas novamente. Ainda não poderia considerar uma coincidência pelo fato de saber que elas estavam na cidade e também pelo fato da cidade ser menor que um ovo.

Pronto: em 3 horas, acabou Purmamarca. Fui em busca da 2ª parte da visitação pela região: descobri que sairia do vilarejo, rumo a um deserto de sal chamado “Salinas Grandes”, uma van turística por 40 pesos. Uma pechincha, pois mataria 2 coelhos com uma cajadada só: conheceria um Salar e também a Cuesta del Lipán (obrigado Grazi, por me fazer ter vontade de conhecê-la), estrada que deixa impressionado até mesmo quem conheceu a estrada que cruza a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

Comi uma pizza (meia-boca), tomei uma cerveja chamada Norte (meia-boca igual) e, enfim, parti para as Salinas Grandes. Já estava suficientemente adaptado à região e à altitude, o que percebi nas paradas para tirar fotos em locais que ultrapassavam os 4000 metros de altitude, ao longo da sinuosa Cuesta del Lipán, perigosa, apesar de bem sinalizada. Do alto, porém, é bela, em conjunto com a paisagem seca e montanhosa dos Andes.

20 minutos e chegamos às Salinas Grandes, um lago que virou deserto de sal. Coruja de Sal, casa de sal... Uma imensidão de sal inconfundível e, literalmente, no meio do nada. O passeio não durou muito tempo; ir e voltar para Purmamarca (distante 55 kms de Salinas Grandes) demorou cerca de 4 horas. Serviu também para conhecer duas salteñas (Laura e Micaela) que já estiveram em Balneário Camboriú e Florianópolis. Laura, inclusive, convidou-me para sua festa de aniversário em Salta, no dia seguinte. Como minha intenção era chegar lá à noite, seria possível minha presença.

De volta à Purmamarca, caminhei os 3 kms que separam a cidade da Ruta 9 (rodovia que corta ao meio o noroeste argentino), tentando carona. 15 minutos, meia-hora, 40 minutos e nada! Nem ônibus, nem carona. Até que um senhor parou o carro
e ofereceu carona. No caminho até Tilcara, descobri que era cordobenho e cantor de Bossa Nova na noite de Córdoba. Ao descobrir que eu era brasileiro, começou a cantar e eu, com a garrafa d'água, fiquei na percussão. hahahahha! Foi tão
legal que ganhei até um chaveiro dele, que também faz artesanato.

No hostel, novos companheiros de noite: uma alemã (Birgit) e um inglês (não decoro nomes de homens, mas o cara é legal. Tanto, que pagou um vinho! hahahahaha). Bebemos o vinho, jogamos conversa fora e fomos dormir.

Domingo (14), tinha por objetivo conhecer uma antiga fortaleza indígena, a “Pukara”, ir até a cidade de Jujuy ainda de manhã e dormir em Salta. Mas era inviável e eu cortei Jujuy do trajeto: sair de Tilcara no domingo para Jujuy é um tanto quanto caótico. Antes de ir até a Pukara, conheci a “Garganta del Diablo” de Tilcara com Birgit. Existem duas formas de chegar até a Garganta: à pé, cerca de 4 kms pelas trilhas que serpenteiam a cadeia de montanhas; de carro, cerca de 8 kms. Inicialmente, iríamos à pé, mas Birgit estava gripada e acabamos indo de taxi (30 pesos, 15 para cada um). O caminho é agradabilíssimo
para quem tem medo de altura: só há espaço na “estrada” para 1 carro; de um lado, há um penhasco esperando, de outro, um morro com pedras caíndo incessantemente. Preciso dizer que sequer olhava para os lados?

Já na “Garganta...”, o medo de altura me impediu de passar por determinados
caminhos, enquanto a alemã se sentia num parque de diversões... que vergonha! hahahahahah Mas foi legal... certeza que eu não faria nada disso se estivesse sozinho. Emendei a ida até a “Garganta...” com a visita até a Pukara. No entroncamento dos caminhos que levam à Pukara e à Garganta del diablo, despedi-me de Birgit. Mais um 1km de caminhada e chegaria até a Pukara. Oposição completa no que diz respeito a fluxo de pessoas: eram muitos os turistas no local, que pagavam 10 pesos para entrar, taxa que dava direito também a visitar o Museu Etnográfico, no centro da cidade. Assim como a Garganta, com uma belíssima vista da Ruta 9 por entre a cadeia de montanhas.

A caminhada acumulada de quase 10km já deu pra cansar um pouco... mas ainda tinha de chegar em Jujuy, para depois pensar em Salta. Mas como disse anteriormente, abortei essa missão por causa dos horários de ônibus. Quando cheguei na rodoviária (por volta das 13 horas) percebi que o próximo ônibus para Jujuy sairia da cidade às 16 horas. Como demora mais ou menos 3 horas de Tilcara para Jujuy (pouco atrativa turisticamente) e tinha que chegar em Salta no domingo ainda (agora, por causa do aniversário da Laura), descartei a possibilidade de passar pela cidade. Fui direto para Salta (Balut, 30 pesos), distante 190 km de Tilcara, numa viagem “interminável” de 4 horas. Um cata-corno do caralho! hahahahahah... Encontrei no ônibus o Inglês do Hostel que pagou o vinho e fiquei sabendo que ele curte mais Rugby que Futebol. Além disso, estava indo em direção a Córdoba e Rosário encontrar alguns amigos (ingleses e argentinos), que também faziam mochilão pela américa do sul. Algo que me chamou a atenção: o fato de encontrar apenas europeus (vários Ingleses, Franceses, Italianos, Alemães e Suíços (!!!)) e norte americanos fazendo mochilão na região. Sulamericanos, apenas os argentinos provenientes de Cordoba, Santa Fé e Buenos Aires, nos seus carros ou em pacotes turísticos.



Gastos (em Pesos Argentinos):

Dias/Noites (3/2)

Transporte Interurbano 99,00
Transporte Municipal 15,00
Alimentação 71,00
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 103,00
outros 21,00

Total 399,00
Média 133,00

Dias 12-14: La Quiaca - Humahuaca - Tilcara - Purmamarca - Salinas Grandes

Tá certo que dia dos namorados numa sexta-feira não é nada atrativo para quem está solteiro. Mesmo assim, nunca imaginei acordar numa das cidades mais frias da Argentina no dia dos namorados...
Cheguei em La Quiaca, extremo norte da província de Jujuy, às 7 da manhã, céu escuro, neblina, com certeza abaixo de 0 grau... já disse que estava frio? Pois foi o local que mais passei frio na minha vida, certamente. Pra completar, senti falta da minha touca (provavelmente deixei no ônibus).
Na acanhada rodoviária, todos os não-andinos tinham duas direções: ou estavam indo para a Bolívia, ou estavam voltando da Bolívia. La Quiaca é a porta de entrada (ou saída) principal entre Argentina e Bolívia. Como não tinha tempo (e dinheiro) para desbravar o país vizinho, chegar até La Quiaca foi pensado exclusivamente pela "mística da fronteira". Minha ideia era conhecer a cidade boliviana de Villazón, passear por lá por algumas horas e voltar a La Quiaca. Rapidamente, descobri que não seria uma tarefa fácil: era necessário permanecer 24 horas em solo boliviano para poder sair do país, caso eu quisesse entrar. Pensei até na possibilidade de ficar 2 ou 3 dias, mas jogaria por terra todo o meu cronograma. Pude apenas visualizar o mercado de rua de Villazón estando com meus pés na aduana. Entrar na Bolívia ficaria para outra viagem.

La Quiaca não tem nenhum atrativo. Absolutamente nada! Mas para uma pessoa que nunca viu neve, observar a geada começando a dissipar-se apenas às 11 da manhã, tamanho o frio, era um espetáculo no alto dos mais de 3400 metros de altitude.

Meu primeiro contato com a elevada altitude não foi nada agradável. Caminhar 100 metros era um martírio. Subir um morro, então... Dor de ouvido, ânsia de vômito, cansaço, dor de cabeça, falta de ar... Resolvi não mascar coca para sentir os efeitos na sua plenitude. Descobri que é quase insuportável.
Devido o meu plano de conhecer Villazón ter sido frustrado, economizaria 1 dia no cronograma da viagem caso chegasse em Tilcara à noite. Para isso, deveria “matar” Humahuaca e a Quebrada de Humahuaca no mesmo dia.
Não fiquei muito tempo em La Quiaca e já peguei um ônibus para Humahuaca (El Quiaqueno, 20 pesos), passando pela Quebrada de Humahuaca. No caminho, os efeitos da altitude pioraram, pois o ônibus passa no caminho por altitudes próximas dos 3800 metros. Ainda bem que tinha comigo uma garrafa d'água: foi o que me ajudou a enfrentar o martírio da falta de ar.

A Quebrada de Humahuaca, considerada “Patrimônio Mundial da UNESCO”, é uma região extremamente acidentada nos Andes argentinos. O que dá uma atmosfera incrível, em todos os sentidos. Ao chegar na cidade de Humahuaca (mais ou menos 2940 metros de altitude) foi possível enxergar um pouquinho melhor a grandiosidade natural da Quebrada, já que passando mal no ônibus era meio complicado pensar nisso.

O principal monumento da cidade, “Monumento da Independência”, encontra-se encravado no alto de um morro, cuja vista é sensacional. Ao lado, alguns cactos com até 5 metros de altura, o que era uma novidade para mim.
De Humahuaca, fui para Tilcara (Balut, 6 pesos), cidade escolhida para servir de base de modo a desbravar a Quebrada de Humahuaca e as cidades próximas. Cheguei em Tilcara e fui direto para o HI da cidade. O Hostel é ótimo, mas tenho dois motivos para não recomendar como local de pernoite (apesar de ter sido uma escolha pessoalmente feliz... e explicarei depois o motivo). Em primeiro lugar,
por motivos econômicos: paguei 45 pesos a diária, sendo que uma ida ao balcão de informações turísticas seria suficiente para descobrir que era possível pagar 20 pesos a diária. Mas mesmo assim, outro fator me deixou puto (e ao contrário do
primeiro, não foi por culpa ou ignorância minha): pelo que entendi, os preços do Hostel eram: Alta Temporada (45-50 sem/com café da manhã) Baixa Temporada (35-45 sem/com café da manhã). Inicialmente me foi dado o preço de baixa temporada,
depois me foi dado os preços de alta temporada. Como a diferença sem/com café da manhã nos preços da alta temporada eram pequenos, optei pelo café. Mas, no check-out, me foi cobrado o preço do café da manhã na baixa temporada. Enfim,
foi um erro, minimizado ou esquecido por situações positivas que ocorreram depois e tiveram início neste hostel. Vamos dormir, que estou cansado!

Na habitação compartilhada estavam um italiano e duas inglesas (Hannah e Jessica). Não troquei muitas palavras com eles, apenas um "Hola, qué tal!?". Ao amanhecer do dia 13, enquanto todos faziam seus respectivos check-outs, eu me preparava para conhecer o povoado de Purmamarca, distante 18 kms de Tilcara (várias empresas fazem o trajeto por 3 pesos). Na rodoviária de Tilcara, percebi que as inglesas iriam para Purmamarca também, cheias de bagagem, pois estavam seguindo rumo a Salta, mais ao sul.

Purmamarca tem menos de 1000 habitantes e seria mais um povoado desolado num rincão qualquer dos Andes, não fosse por um detalhe: a existência do Cerro de Siete Colores, acomodação de minerais ao longo de séculos que deram forma a um
mosaico de cores (eu contei mais de 7 cores! RISOS!). É um dos principais cartões postais do noroeste argentino. Atrás do Cerro, existe o Paseo de los Colorados, um caminho de terra com cerca de 3 kms de extensão.

Um parêntese: no Paseo, encontrei as duas inglesas novamente. Ainda não poderia considerar uma coincidência pelo fato de saber que elas estavam na cidade e também pelo fato da cidade ser menor que um ovo.

Pronto: em 3 horas, acabou Purmamarca. Fui em busca da 2ª parte da visitação pela região: descobri que sairia do vilarejo, rumo a um deserto de sal chamado “Salinas Grandes”, uma van turística por 40 pesos. Uma pechincha, pois mataria 2 coelhos com uma cajadada só: conheceria um Salar e também a Cuesta del Lipán (obrigado Grazi, por me fazer ter vontade de conhece-la), estrada que deixa impressionado até mesmo quem conheceu a estrada que cruza a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

Comi uma pizza (meia-boca), tomei uma cerveja chamada Norte (meia-boca igual) e, enfim, parti para as Salinas Grandes. Já estava suficientemente adaptado à região e à altitude, o que percebi nas paradas para tirar fotos em locais que ultrapassavam os 4000 metros de altitude, ao longo da sinuosa Cuesta del Lipán, perigosa, apesar de bem sinalizada. Do alto, porém, é bela, em conjunto com a paisagem seca e montanhosa dos Andes.

20 minutos e chegamos às Salinas Grandes, um lago que virou deserto de sal. Coruja de Sal, casa de sal... Uma imensidão de sal inconfundível e, literalmente, no meio do nada. O passeio não durou muito tempo; ir e voltar para Purmamarca (distante 55 kms de Salinas Grandes) demorou cerca de 4 horas. Serviu também para conhecer duas salteñas (Laura e Micaela) que já estiveram em Balneário Camboriú e Florianópolis. Laura, inclusive, convidou-me para sua festa de aniversário em Salta, no dia seguinte. Como minha intenção era chegar lá à noite, seria possível minha presença.

De volta à Purmamarca, caminhei os 3 kms que separam a cidade da Ruta 9 (rodovia que corta ao meio o noroeste argentino), tentando carona. 15 minutos, meia-hora, 40 minutos e nada! Nem ônibus, nem carona. Até que um senhor parou o carro
e ofereceu carona. No caminho até Tilcara, descobri que era cordobenho e cantor de Bossa Nova na noite de Córdoba. Ao descobrir que eu era brasileiro, começou a cantar e eu, com a garrafa d'água, fiquei na percussão. hahahahha! Foi tão
legal que ganhei até um chaveiro dele, que também faz artesanato.

No hostel, novos companheiros de noite: uma alemã (Birgit) e um inglês (não decoro nomes de homens, mas o cara é legal. Tanto, que pagou um vinho! hahahahaha). Bebemos o vinho, jogamos conversa fora e fomos dormir.

Domingo (14), tinha por objetivo conhecer uma antiga fortaleza indígena, a “Pukara”, ir até a cidade de Jujuy ainda de manhã e dormir em Salta. Mas era inviável e eu cortei Jujuy do trajeto: sair de Tilcara no domingo para Jujuy é um tanto quanto caótico. Antes de ir até a Pukara, conheci a “Garganta del Diablo” de Tilcara com Birgit. Existem duas formas de chegar até a Garganta: à pé, cerca de 4 kms pelas trilhas que serpenteiam a cadeia de montanhas; de carro, cerca de 8 kms. Inicialmente, iríamos à pé, mas Birgit estava gripada e acabamos indo de taxi (30 pesos, 15 para cada um). O caminho é agradabilíssimo
para quem tem medo de altura: só há espaço na “estrada” para 1 carro; de um lado, há um penhasco esperando, de outro, um morro com pedras caíndo incessantemente. Preciso dizer que sequer olhava para os lados?

Já na “Garganta...”, o medo de altura me impediu de passar por determinados
caminhos, enquanto a alemã se sentia num parque de diversões... que vergonha! hahahahahah Mas foi legal... certeza que eu não faria nada disso se estivesse sozinho. Emendei a ida até a “Garaganta...” com a visita até a Pukara. No entroncamento dos caminhos que levam à Pukara e à Garganta del diablo, despedi-me de Birgit. Mais um 1km de caminhada e chegaria até a Pukara. Oposição completa no que diz respeito a fluxo de pessoas: eram muitos os turistas no local, que pagavam 10 pesos para entrar, taxa que dava direito também a visitar o Museu Etnográfico, no centro da cidade. Assim como a Garganta, com uma belíssima vista da Ruta 9 por entre a cadeia de montanhas.

A caminhada acumulada de quase 10km já deu pra cansar um pouco... mas ainda tinha de chegar em Jujuy, para depois pensar em Salta. Mas como disse anteriormente, abortei essa missão por causa dos horários de ônibus. Quando cheguei na rodoviária (por volta das 13 horas) percebi que o próximo ônibus para Jujuy sairia da cidade às 16 horas. Como demora mais ou menos 3 horas de Tilcara para Jujuy (pouco atrativa turisticamente) e tinha que chegar em Salta no domingo ainda (agora, por causa do aniversário da Laura), descartei a possibilidade de passar pela cidade. Fui direto para Salta (Balut, 30 pesos), distante 190 km de Tilcara, numa viagem “interminável” de 4 horas. Um cata-corno do caralho! hahahahahah... Encontrei no ônibus o Inglês do Hostel que pagou o vinho e fiquei sabendo que ele curte mais Rugby que Futebol. Além disso, estava indo em direção a Córdoba e Rosário encontrar alguns amigos (ingleses e argentinos), que também faziam mochilão pela américa do sul. Algo que me chamou a atenção: o fato de encontrar apenas europeus (vários Ingleses, Franceses, Italianos, Alemães e Suíços (!!!)) e norte americanos fazendo mochilão na região. Sulamericanos, apenas os argentinos provenientes de Cordoba, Santa Fé e Buenos Aires, nos seus carros ou em pacotes turísticos.



Gastos (em Pesos Argentinos):

Dias/Noites (3/2)

Transporte Interurbano 99,00
Transporte Municipal 15,00
Alimentação 71,00
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 103,00
outros 21,00

Total 399,00
Média 133,00

Dias 10 e 11: Posadas - San Miguel de Tucumán

Ao iniciar do dia 10, fui à lavanderia pegar a roupa limpa e segui rumo à rodoviária, pois 1 da tarde teria de pegar o ônibus para San Miguel de Tucumán (La Nueva Estrella, 200 pesos). O trajeto Posadas-Tucumán proporcionou meu maior prejuízo na viagem. Em maio, poderia ter comprado pela internet a passagem por 120 pesos. Só que em junho, os preços foram modificados. Dei mole, mas não tinha uma noção de preços... enfim... O ônibus é bom, passei a maior parte da viagem sem ninguém ao lado e tem lanchinho. Ótimo!

Quinta-Feira (11) cheguei em Tucumán bem cedo, coloquei meu mochilão no guarda-volumes, comprei a passagem para La Quiaca de modo a pernoitar dentro do ônibus e economizar uma diária (Balut, 105 pesos). E esperei o dia clarear (no noroeste argentino, por conta do fuso horário ser o mesmo de Buenos Aires, o sol nasce mais tarde) para conhecer a cidade.

Tucumán não é tão atrativa turisticamente quanto outras cidades mais ao norte, como perceberia depois. Quem faz o mesmo trajeto que o meu segue de Posadas diretamente para Salta, ao norte de Tucumán.
No entanto, a cidade é fundamental na história da Argentina por ter sido lá que ocorreu o Congresso que se produziu a Declaração de Independência da Argentina, em 1816. A história de Tucumán confunde-se com a formação da República Argentina. Tucumán também era importante economicamente por fazer a ligação entre Potosi e Buenos Aires, na época da colonização espanhola. Um prato cheio para historiadores, portanto. Talvez o maior atrativo turístico resida no entorno da Plaza Independencia, com a Casa de Gobierno (imponente, porém precisando de reformas), La Catedral, Casa Histórica de la Independência, entre outros pontos interessantes.

Após uma caminhada inicial de reconhecimento da cidade, busquei conhecer os estádios dos dois clubes da cidade: San Martin e Atlético Tucumán. Pela manhã, fui ao estádio do San Martin. Saindo do centro, paguei 7 pesos pelo taxi, pois me disseram que era "muito longe", mas é uma caminhada de 30-40 minutos... quase nada pra quem está de férias. Conheci o do Atlético na parte da tarde. Os estádios são bem distantes um do outro, mas intercalei as visitas conhecendo outros pontos turísticos da cidade. No fim das contas, me pareceu que a estratégia de chegar cedo na cidade e sair dela à noite foi acertada, pois não há muito o que fazer a ponto de pernoitar em Tucumán.
Minhas últimas horas antes de seguir para La Quiaca (o ônibus sairia de Tucumán às 21:00) foram na rodoviária lendo o "El Gráfico" (uma espécie de “Placar” argentina) especial de 90 anos e comendo alguns alfajores. Os alfajores tucumanos são muito bons!



Gastos (em Pesos Argentinos):

Dias/Noites (2/2)

Transporte Interurbano 305,00
Transporte Municipal 8,40
Alimentação 11,20
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 10,50
outros 22,95

Total 448,05
Média 224,03

Dia 9: Posadas - Encarnación - Trinidad - Jesus

Terça-Feira (9) começou com minha ida até a lavanderia para deixar toda a roupa suja até então. Os preços são geniais: com 10 ou 12 pesos, era possível lavar muita roupa! Continuei caminhando pela cidade, conhecendo (por fora) os prédios históricos, os museus, o mercado público... mas com um azar sem precedentes: quase
todos os prédios estavam em obras ou tornava-se impraticável tirar fotos por obras que ocorriam na rua ou nas praças da cidade, caso emblemático da Plaza 9 de Julio.

Feito isso (é tudo muito rápido, pois a cidade não tem muito pra ver...), desloquei-me do mercado público até ao ponto de ônibus internacional Posadas-Encarnacion (o mercado público e o ponto de ônibus estão nas extremidades de uma avenida (ver avenida) e no caminho é possível passar por 2 museus. Vale a pena a caminhada). Descontando o fato dos ônibus sempre andarem lotados, nada de mais grave é identificado... O ônibus tem uma parada na rodoviária de Encarnacion, que é de onde desloquei-me para as ruínas jesuíticas de Trinidad e Jesus.

Antes de conhecer as reduções paraguaias, era necessário trocar os reais que tinha comigo (levava R$ 100 para alguma emergência durante o dia). Pareceu fácil trocar reais por guaranis na rua, com pessoas que fazem o cambio. Mas resolvi procurar uma casa de cambio legalizada, o que se mostrou bem complicado em Encarnacion: no único que encontrei, distante 4 quadras da rodoviária, só era possivel trocar o
mínimo de 50 reais, o que no câmbio do dia era o equivalente a bagatela de 119 mil guaranis. Me senti rico!

Voltando até a rodoviária, percebi que gastar os 50 reais, transformados em 119 mil guaranis, seria uma tarefa bastante complicada. Para início de conversa,
a passagem entre Encarnación e Trinidad (distante cerca de 30 kms) custava 6 mil guaranis (cerca de R$ 2,50). No ônibus, conheci uma americana do Oregon (não lembro o nome dela...) que estava fazendo um mochilão pelo Paraguai (provavelmente, parte de um mochilão por toda a América do Sul). Acabou que tornou-se uma bela companhia (em todos os sentidos).

Confesso que não levava muita fé no potencial desta parte da viagem (apesar de ter ouvido apenas posicionamentos positivos das ruínas paraguaias). Não obstante, tão logo é possível avistar o sítio de Trinidad (as ruas em volta parecem as da minha casa, em Itaboraí), não tem como não ser conduzido pelo clima bucólico e tranquilo, associado à imponência das ruínas. É parada obrigatória para quem deseja conhecer um pouco da história da América do Sul. A nossa Acrópolis? Pode até ser um exagero. Infelizmente, mantém-se desconhecida, já que não havia nenhuma pessoa visitando-o no momento em que estava lá. E tudo isso distante 4 horas de Ciudad del Este...

De Trinidad para Jesus são mais 12 kms. Existem ônibus ligando a ruta com as ruínas de Jesus, mas pelo que percebi, não vale a pena esperar. O ideal é pegar um "taxi". Mas negocie o preço, pois os caras vão querer tirar o seu couro. Como eu estava acompanhado da americana, nem deu pra enganar que não éramos turistas. Inicialmente, o taxista queria cobrar 30 mil guaranis por pessoa ida e 30 mil volta. Fiz a minha proposta: 40 mil ida e volta pros dois. De 60 mil, acabei rachando o taxi com a americana e pagando 20 mil (mais ou menos 9 reais), o que ainda era bem caro, pelo menos o dobro do preço cobrado normalmente pelo taxista. Não há de ser nada... tava com guaranis sobrando mesmo!

As ruínas de Jesus não são tão impactantes quanto São Miguel, San Ignacio Mini e (principalmente) Trinidad, em grande parte pelo fato de não ter tantas inscrições nas suas paredes e da igreja ter sido a única que não foi completada. Mas não dá pra não se contaminar pela tranquilidade. É algo que não é possível mensurar ou
passar para o papel, traduzir em palavras: tem que viver, que presenciar o local. Trinidad e Jesus, pra não ficar sendo repetitivo, são fundamentais e de visita obrigatória para quem puder conhecer. E uma tarde também é o suficiente para conhecer as ruínas jesuíticas paraguaias. E tanto para entrar em Trinidad quanto em Jesus, me foi cobrado 5 mil guaranis.

Voltando até Encarnacion e despedindo-me da americana (e não aconteceu nada, antes que perguntem...), tinha ainda algumas horas de sol para tentar conhecer a cidade. Fui no tato total, caminhando pelas ruas próximas ao Rio Paraná, abandonadas à sujeira e ao lixo, com cheiro de mijo e, por entre as calles, pessoas que tentavam viver, organizando seu local de trabalho, tentando limpar e dar vida aos pequenos espaços. No caminho, descobri um campo de futebol, de propriedade da Liga Encarnacena de Fútbol. Um típico galinheiro, oásis para quem gosta do futebol alternativo, longe do mainstream. Ferrugens e focos da dengue (um problema exportado do Brasil para Paraguai e Argentina) eram regra!

Por entre o esgoto e observando pessoas lavarem seus carros com a água do Rio Paraná, observava o magnífico pôr do sol do Chaco, talvez o mais bonito que vi. Fotos tiradas, voltei para a rodoviária, ainda com cerca de 83 mil guaranis (ou 35 reais) no bolso. dá pra dizer com segurança que é possível sobreviver em Encarnacion (e imagino, pelo Paraguai) com 25 reais (fora a hospedagem, que não deve passar de 20 reais), o que é muito pouco.
Para conseguir gastar o dinheiro que sobrou, comprei uma bolsa de viagem grande por 42 mil guaranis e comi uma janta de patrão por cerca de 25 mil guaranis, próximo da rodoviária. Voltei para Posadas pelo mesmo ônibus internacional (pagando em guaranis, para me desfazer do que sobrou) e preparei a bagagem para
encarar a viagem até Tucumán.



Gastos (em Guaranis):

Dias/Noites (1/1)

Transporte Interurbano 37000 (ALÉM DE 4,40 PESOS ARGENTINOS)
Transporte Municipal 0
Alimentação 34000
Hospedagem 0
Noitada 0
Turismo 5000
outros 42000

Total 118000 (+4,40 PESOS ARGENTINOS)
Média 118000 (+4,40)