A viagem entre Cafayate e Dionísio Cerqueira (com parada nas ruínas de quilmes) foi uma verdadeira odisséia que durou 36 horas, passando por 3 rodoviárias e incontáveis paradas para embarque e desembarque de passageiros. A saber:
Cafayate - Tucumán (Aconquija - 49 pesos - 6 horas)
Tucumán - Posadas (La Nueva Estrella - 200 pesos - 16 horas)
Posadas - El Dorado (28 pesos - 3h30 horas)
El Dorado - Bernardo de Irigoyen (15 pesos - 2h30 horas)
Bernardo de Irigoyen - Dionísio Cerqueira (15 minutos a pé)
Após sair das ruínas de Quilmes, fui direto para a rodoviária de Tucumán, lá esperando meu ônibus rumo a Posadas. Era a forma mais barata (e prática) de fazer o trajeto Oeste-Leste naquela parte da Argentina. O dia 19 se ocupou basicamente disso, já que saí de Tucumán no dia 19 à noite e cheguei em Posadas no dia 20, após o almoço.
Existem duas maneiras principais de sair de Posadas rumo a Florianópolis: entrando no Brasil por São Borja, utilizando o ônibus Posadas-Floripa direto (viação Reunidas) ou entrando pela tríplice fronteira Bernardo de Irigoyen, Barracão (PR) e Dionísio Cerqueira (SC). Foi esta 2ª opção a escolhida. Lembrando sempre que, quando entrei na Argentina na ida, o fiz por São Borja. Não teria sentido voltar pelo mesmo lugar, quando poderia conhecer algo novo.
Pouca coisa merece ser destacada. Em primeiro lugar, no trajeto entre Cafayate e Tucumán, um pouco antes e um pouco após Tafí del Valle, a estrada tem paisagens belíssimas e completamente diferentes: antes de Tafí, as
montanhas, o clima seco, pedra, muita pedra, algo similar ao encontrado na quebrada de Cafayate. Após Tafí, uma estrada perigosíssima e igualmente bela, com nomes de curvas do naipe de "Fin del Mundo" e "infernillo", mata fechada, penhascos...
algo surpreendente para quem se acostumou nos dias anteriores a observar outro tipo de paisagem.
Entre El Dorado e Bernardo de Irigoyen, a mata fechada também transforma a viagem numa apreciação de uma bela paisagem. Gostei muito.
Cheguei a Bernardo de Irigoyen às 6 da tarde do sábado (20)... A aduana foi bem tranquila e, com exceção das épocas de festas, deve portar-se da mesma forma. Enfim retornava ao Brasil após 2 semanas.
Pensei em hospedar-me em Irigoyen, imaginando encontrar hotéis com preços mais em conta. Andei por algumas ruas e não encontrei nenhum hotel. Desisti.
Chegando na aduana brasileira, perguntei aos guardas da fronteira pelo hotel mais barato da cidade. Fui indicado ao Hotel Palace. De fato, o preço estava bem em conta (20 reais sem café da manhã, mas com chuveiro elétrico e TV no quarto, confortável por sinal) era tudo o que precisava naquele momento.
Na tríplice fronteira, só duas coisas são interessantes: o marco das 3 fronteiras, no qual você pode colocar 1 braço em Santa Catarina, outro braço no Paraná e os pés na Argentina (isso é legal, vai...), e comprar muambas alimentícias (alfajor, vinho, tequila, etc, etc...) para abastecer a casa. Fora isso, não há mais quaisquer atrativos do ponto de vista turístico.
domingo, 25 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Dias 17 e 18: Cafayate, Quebrada de Cafayate e Ruínas de Quilmes
Tirei o dia 17 para conhecer a Quebrada de Cafayate.
Existem duas maneiras principais de conhecer a Quebrada: ou você aluga um carro/viaja de carro/participa de um passeio pago (dependendo da época, nem isso tem); ou você vai de ônibus para a Garganta del Diablo e volta de bicicleta. Escolhi a 2ª opção.
Para se ter ideia de onde estava me metendo, teria que pedalar 50 (CINQUENTA!!!) Kms para voltar ao centro de Cafayate. Fui acompanhado das inglesas Hannah e Jessica que citei anteriormente (reencontrei com as duas no local onde fui alugar uma bicicleta... elas estavam fazendo o mesmo que eu: alugando bicicletas para desbravar a Quebrada no dia seguinte). Compramos comida e água (não compre coisa demais que seja pesado, mas não compre de menos... comida e água no deserto podem fazer muita falta).
Pegamos o ônibus que faz o trajeto Cafayate - Salta e "saltamos" (sou engraçadinho... hehehehe) na Garganta del Diablo, que é um morro esculpido pelo vento por milhões de anos. Algo inacreditavelmente lindo de se ver.
Não muito distante da Garganta del Diablo, é possível visualizar "El Anfiteatro", outro paredão imponente, com uma acústica maravilhosa. Fico imaginando o que seria um show naquele lugar... Como tal fato era só possível conceber na imaginação, tínhamos o consolo de encontrar com alguns artistas (músicos e de artesanato local) tentando arrumar algum dinheiro com o fluxo de turistas, vendendo sua arte.
Durante o caminho, em vários momentos é possível observar o vale e o Rio que compõem a quebrada e estão em paralelo à estrada.
Já mais para a metade da estrada (e com meu fôlego de atleta de ironman cada vez mais diminuto), é possível ver rochas com formatos de Sapo, multicoloridos (iguais aos encontrados no Cerro de Siete Colores, em Purmamarca). Sendo assim, as grandes atrações naturais encontram-se na 1ª metade do trajeto de 50Km. Para alguém que não tem o costume de fazer esportes que forcem tanto o corpo (EU!), pedalar os 49km da Quebrada de Cafayate, numa altitude próxima dos 2 mil metros, com vento contra na maior parte do tempo, e clima seco que é gélido quando você pega velocidade e extremamente quente quando você dá uma parada (você reza por uma árvore, que só aparece de vez em quando), é quase que suicídio. Mas, se estou vivo aqui, os mortais também podem sobreviver a isso.
Só sei que demorei 6 horas e vi desde ciclistas profissionais até um casal de colombianos que estava indo pra Ushuaia de bicicleta. Enfim, uma experiência que, no final, não via a hora de terminar. Mas que gerou uma história engraçada, ao menos. Desnecessário dizer que não queria outra coisa a não ser descansar, assim que cheguei ao hostel.
No dia 18, tinha que ir embora de Cafayate. As férias estavam acabando e eu ainda tinha 2 objetivos: conhecer as Ruínas da tribo Quilmes e Tafí del Valle, antes de voltar para Tucumán, de onde sairia meu ônibus para Posadas, no caminho ao sul tupiniquim.
Os ônibus que saem de Cafayate para Quilmes e Tafí saem 3 vezes por dia (pode ser que tenha mudado, portanto, verifique isso): ao nascer do sol, no horário do almoço e de tardezinha.
Eu, nos meus sonhos mais insanos, achava que daria tempo de conhecer Quilmes e Tafí mas, como eu estava sem tempo, resolvi cortar Tafí e dar prioridade para Quilmes, um dos maiores sítios arqueológicos da Argentina. Dica: esteja com roupas leves para visitar Quilmes: o lugar é no meio do nada é o clima é desértico. Você ainda terá que andar tanto para chegar nas ruínas, quando para andar por entre elas, subindo morro.
A visão é imponente, pois o terreno das ruínas é gigantesco. Observar isto tentando imaginar no grupo social existente ali é uma tarefa interessante. Mas é estando no alto do morro que é possível perceber a importância estratégica daquele local, uma vez que é possível enxergar um vasto terreno plano repousando aos pés da cadeia de montanhas.
Quilmes é fundamental para quem quiser se aventurar no noroeste argentino. Apesar de ser meio ingrato para chegar lá (principalmente se você for com o mochilão, como era o meu caso, para economizar tempo), vale muito conhecer.
P.S.: tem tanto tempo que fui lá que não me recordo dos horários dos ônibus que passam por Quilmes, nem do preço para entrar no sítio. Procure por viação ACONQUIJA para saber dos ônibus. Já a entrada não me recordo de ter sido caro. Deve ser papo de 5 reais.
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Existem duas maneiras principais de conhecer a Quebrada: ou você aluga um carro/viaja de carro/participa de um passeio pago (dependendo da época, nem isso tem); ou você vai de ônibus para a Garganta del Diablo e volta de bicicleta. Escolhi a 2ª opção.
Para se ter ideia de onde estava me metendo, teria que pedalar 50 (CINQUENTA!!!) Kms para voltar ao centro de Cafayate. Fui acompanhado das inglesas Hannah e Jessica que citei anteriormente (reencontrei com as duas no local onde fui alugar uma bicicleta... elas estavam fazendo o mesmo que eu: alugando bicicletas para desbravar a Quebrada no dia seguinte). Compramos comida e água (não compre coisa demais que seja pesado, mas não compre de menos... comida e água no deserto podem fazer muita falta).
Pegamos o ônibus que faz o trajeto Cafayate - Salta e "saltamos" (sou engraçadinho... hehehehe) na Garganta del Diablo, que é um morro esculpido pelo vento por milhões de anos. Algo inacreditavelmente lindo de se ver.
Não muito distante da Garganta del Diablo, é possível visualizar "El Anfiteatro", outro paredão imponente, com uma acústica maravilhosa. Fico imaginando o que seria um show naquele lugar... Como tal fato era só possível conceber na imaginação, tínhamos o consolo de encontrar com alguns artistas (músicos e de artesanato local) tentando arrumar algum dinheiro com o fluxo de turistas, vendendo sua arte.
Durante o caminho, em vários momentos é possível observar o vale e o Rio que compõem a quebrada e estão em paralelo à estrada.
Já mais para a metade da estrada (e com meu fôlego de atleta de ironman cada vez mais diminuto), é possível ver rochas com formatos de Sapo, multicoloridos (iguais aos encontrados no Cerro de Siete Colores, em Purmamarca). Sendo assim, as grandes atrações naturais encontram-se na 1ª metade do trajeto de 50Km. Para alguém que não tem o costume de fazer esportes que forcem tanto o corpo (EU!), pedalar os 49km da Quebrada de Cafayate, numa altitude próxima dos 2 mil metros, com vento contra na maior parte do tempo, e clima seco que é gélido quando você pega velocidade e extremamente quente quando você dá uma parada (você reza por uma árvore, que só aparece de vez em quando), é quase que suicídio. Mas, se estou vivo aqui, os mortais também podem sobreviver a isso.
Só sei que demorei 6 horas e vi desde ciclistas profissionais até um casal de colombianos que estava indo pra Ushuaia de bicicleta. Enfim, uma experiência que, no final, não via a hora de terminar. Mas que gerou uma história engraçada, ao menos. Desnecessário dizer que não queria outra coisa a não ser descansar, assim que cheguei ao hostel.
No dia 18, tinha que ir embora de Cafayate. As férias estavam acabando e eu ainda tinha 2 objetivos: conhecer as Ruínas da tribo Quilmes e Tafí del Valle, antes de voltar para Tucumán, de onde sairia meu ônibus para Posadas, no caminho ao sul tupiniquim.
Os ônibus que saem de Cafayate para Quilmes e Tafí saem 3 vezes por dia (pode ser que tenha mudado, portanto, verifique isso): ao nascer do sol, no horário do almoço e de tardezinha.
Eu, nos meus sonhos mais insanos, achava que daria tempo de conhecer Quilmes e Tafí mas, como eu estava sem tempo, resolvi cortar Tafí e dar prioridade para Quilmes, um dos maiores sítios arqueológicos da Argentina. Dica: esteja com roupas leves para visitar Quilmes: o lugar é no meio do nada é o clima é desértico. Você ainda terá que andar tanto para chegar nas ruínas, quando para andar por entre elas, subindo morro.
A visão é imponente, pois o terreno das ruínas é gigantesco. Observar isto tentando imaginar no grupo social existente ali é uma tarefa interessante. Mas é estando no alto do morro que é possível perceber a importância estratégica daquele local, uma vez que é possível enxergar um vasto terreno plano repousando aos pés da cadeia de montanhas.
Quilmes é fundamental para quem quiser se aventurar no noroeste argentino. Apesar de ser meio ingrato para chegar lá (principalmente se você for com o mochilão, como era o meu caso, para economizar tempo), vale muito conhecer.
P.S.: tem tanto tempo que fui lá que não me recordo dos horários dos ônibus que passam por Quilmes, nem do preço para entrar no sítio. Procure por viação ACONQUIJA para saber dos ônibus. Já a entrada não me recordo de ter sido caro. Deve ser papo de 5 reais.
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Dias 15 e 16 - Salta e Cafayate
Salta - Cafayate - Quebrada de Cafayate - Ruínas de Quilmes
Cheguei em Salta por volta das 8 da noite de domingo (14) e, automaticamente, fui abordado por uma funcionária de hostel com uma proposta indecente: hostel por 20 pesos, com taxi de graça. Perfeito! Fui comprar rapidinho a passagem para Cafayate e aceitei a oferta. O Hostel (cujo nome não me lembro... mas posso postar depois aqui, caso encontre algum panfleto nas minhas coisas...) é normal, nem maravilhoso nem uma merda. Pelo preço, tava valendo. No meu quarto, tive a "sorte" de ser assediado por um argentino. O cara teve a manha de colocar uma música de "amor" do Araketu pra tocar no celular enquanto eu estava procurando uma roupa para vestir. Climão, heim?
Saí do Hostel às 22:30 e fui para o Resto Bar Macondo (já conhecia o de Santa Maria, agora seria a vez do de Salta) na calle Balcarce, que é a rua dos bares e boites em Salta. Comi um lomito no caminho, pq estava morrendo de fome e fui pra lá.
O problema é que não fazia idéia do horário em que a Laura chegaria. Não tive a manha de pegar o número de celular dela. Fiquei plantado na frente do bar, dando umas voltas e verificando se ela tinha chegado entrando no bar até meia-noite.
Como não vi ninguém parecido com ela, fui curtir o movimento na noite na rua fria de Salta, mas não por muito tempo. Como estava cansado da viagem desde Tilcara, resolvi voltar pro hostel por volta das 2 da manhã.
Segunda-feira (15) era o dia para conhecer e caminhar por "La Linda". Meus pontos preferidos foram a Praça 9 de Julho (um passeio noturno é show também), o Parque central, o Teleférico que leva ao cerro San Bernardo e que tem uma bela vista da cidade, a Igreja de São Francisco (fundamental conhecer), e O Museu de Arqueologia de Alta Montaña. Entretanto, passear por Salta é uma experiência agradabilíssima, uma vez que as áreas "turísticas" são bem conservadas.
Saí bem cedo do hostel e consegui conhecer o roteiro básico durante o dia. Ao finalizar o passeio pelo Cerro San Bernardo, avistei um estádio e resolvi conhecê-lo. Chegando no local, descobri que estava para ocorrer uma partida de futebol. Não sabia quais times iriam jogar, não sabia o preço nem qual campeonato. Tinha cerca de 30 minutos para deixar minha mochila no hostel e voltar a tempo de ver a partida. Quando voltei, fiquei sabendo que o jogo era entre Juventud Antoniana e Central Norte fazendo o clássico de Salta, no campo do Gimnasia y Tiro, outro clube da cidade. Apenas o Juventud Antoniana é de 3a divisão... ou outros 2 são de 4a divisão.
O jogo foi horrível. De dar sono mesmo... Em Salta, me pareceu que o futebol estava relegado a segundo plano, atrás do Rugby. Inclusive, um amistoso entre Argentina e Inglaterra na cidade, dias antes da minha chegada, teve a presença de mais de 45 mil pessoas... Rugby, vejam só!
À noite, caminhei pela cidade e tirei fotos dos mesmos locais que visitei de dia. Salta à noite é uma outra cidade. Sem dúvida, uma cidade especial... "La linda", como proclamam seus moradores.
Terça-Feira (16) - Saí do Hostel às 6 da manhã, já que o ônibus para Cafayate (El Indio - 35 pesos - 4 horas) estava marcado para as 7 horas. Foram 4 horas no pior ônibus que encontrei pelo caminho! Cafayate funcionaria, assim como Tilcara, como base para conhecer outros pontos turísticos da região, como a Quebrada de Cafayate,
as Ruínas de Quilmes, Cachi e Tafí del Valle. Cafayate tem como principal atrativo as bodegas (é um dos principais produtores de vinho e, dizem, é o produtor dos melhores vinhos da Argentina, já que mendoza seria produtor de vinhos mais "baratos").
Chegando na cidade, assim como em Salta, fui abordado por uma proposta
interessante: hostel por 20 pesos. O hostel (Sou péssimo pra nomes e já se passou tanto tempo... mas eles te procurarão assim que você sair do ônibus, fique tranquila) pode não ter sido o melhor da viagem (e não era mesmo), mas é aconchegante e com o melhor atendimento de toda a viagem. Gostei muito das pessoas do Hostel, extremamente agradáveis, "buena onda", como dizem os hermanos.
A constatação prévia de Cafayate é que a cidade reserva fatos interessantes tanto pra quem quer colocar o lado aventureiro pra funcionar, ou o lado pinguço. Se conseguir fazer as duas coisas (sem reclamar), considere-se um herói.
Continuando...
Deixei minhas coisas no Hostel e fui ao Cerro que fica próxima à sede da cidade, o que exigia uma caminhada de 6kms e, posteriormente, desbravar inúmeras trilhas. Me foi passado antes de começar a odisseia que a trilha completa demoraria cerca de 3 horas para ser feita. Outra coisa importante era fazer a trilha junto com um guia.
Desta forma, contratei um guia local por 18 pesos (achei caro, mas estava com remorso desde o dia anterior, quando não dei gorjeta para uma garçonete em Salta e ela ficou puta comigo, que nem reclamei ou pechinchei). Algumas pessoas fazem a trilha sem o guia, mas normalmente ficam pelo caminho. Resolvi não arriscar.
No caminho com guia, encontrei novamente com Hannah e Jessica, as duas inglesas de Tilcara e Purmamarca. O trekking durou mais ou menos 2h e 30m. Na volta, os pedidos de carona foram em vão... Cheguei esgotado ao hostel, como poucas vezes durante a viagem. A fome era tanta, que devorei o resto da parillada do
dia anterior (acredite! Era resto de um almoço que fiz num restaurante em Salta... era carne demais pra uma refeição só!). Acabei fazendo uma permuta com Oren, um espanhol de Madrid que tinha acabado de chegar ao hostel: dei uma parte da minha carne e peguei uma parte do macarrão com legumes que ele estava aprontando.
Para finalizar a noite, fui em busca de uma bicicleta para alugar. Queria muito conhecer a Quebrada de Cafayate (principal ponto turístico da cidade) da forma mais heterodoxa possível: pedalando. Como existe toda um mercado de aluguel de bicicletas, não foi complicado arrumar (se no seu hostel não alugarem, peça indicações de onde se pode alugar).
Nunca poderia imaginar que esta decisão significaria ter a experiência mais traumática e linda da viagem...
Cheguei em Salta por volta das 8 da noite de domingo (14) e, automaticamente, fui abordado por uma funcionária de hostel com uma proposta indecente: hostel por 20 pesos, com taxi de graça. Perfeito! Fui comprar rapidinho a passagem para Cafayate e aceitei a oferta. O Hostel (cujo nome não me lembro... mas posso postar depois aqui, caso encontre algum panfleto nas minhas coisas...) é normal, nem maravilhoso nem uma merda. Pelo preço, tava valendo. No meu quarto, tive a "sorte" de ser assediado por um argentino. O cara teve a manha de colocar uma música de "amor" do Araketu pra tocar no celular enquanto eu estava procurando uma roupa para vestir. Climão, heim?
Saí do Hostel às 22:30 e fui para o Resto Bar Macondo (já conhecia o de Santa Maria, agora seria a vez do de Salta) na calle Balcarce, que é a rua dos bares e boites em Salta. Comi um lomito no caminho, pq estava morrendo de fome e fui pra lá.
O problema é que não fazia idéia do horário em que a Laura chegaria. Não tive a manha de pegar o número de celular dela. Fiquei plantado na frente do bar, dando umas voltas e verificando se ela tinha chegado entrando no bar até meia-noite.
Como não vi ninguém parecido com ela, fui curtir o movimento na noite na rua fria de Salta, mas não por muito tempo. Como estava cansado da viagem desde Tilcara, resolvi voltar pro hostel por volta das 2 da manhã.
Segunda-feira (15) era o dia para conhecer e caminhar por "La Linda". Meus pontos preferidos foram a Praça 9 de Julho (um passeio noturno é show também), o Parque central, o Teleférico que leva ao cerro San Bernardo e que tem uma bela vista da cidade, a Igreja de São Francisco (fundamental conhecer), e O Museu de Arqueologia de Alta Montaña. Entretanto, passear por Salta é uma experiência agradabilíssima, uma vez que as áreas "turísticas" são bem conservadas.
Saí bem cedo do hostel e consegui conhecer o roteiro básico durante o dia. Ao finalizar o passeio pelo Cerro San Bernardo, avistei um estádio e resolvi conhecê-lo. Chegando no local, descobri que estava para ocorrer uma partida de futebol. Não sabia quais times iriam jogar, não sabia o preço nem qual campeonato. Tinha cerca de 30 minutos para deixar minha mochila no hostel e voltar a tempo de ver a partida. Quando voltei, fiquei sabendo que o jogo era entre Juventud Antoniana e Central Norte fazendo o clássico de Salta, no campo do Gimnasia y Tiro, outro clube da cidade. Apenas o Juventud Antoniana é de 3a divisão... ou outros 2 são de 4a divisão.
O jogo foi horrível. De dar sono mesmo... Em Salta, me pareceu que o futebol estava relegado a segundo plano, atrás do Rugby. Inclusive, um amistoso entre Argentina e Inglaterra na cidade, dias antes da minha chegada, teve a presença de mais de 45 mil pessoas... Rugby, vejam só!
À noite, caminhei pela cidade e tirei fotos dos mesmos locais que visitei de dia. Salta à noite é uma outra cidade. Sem dúvida, uma cidade especial... "La linda", como proclamam seus moradores.
Terça-Feira (16) - Saí do Hostel às 6 da manhã, já que o ônibus para Cafayate (El Indio - 35 pesos - 4 horas) estava marcado para as 7 horas. Foram 4 horas no pior ônibus que encontrei pelo caminho! Cafayate funcionaria, assim como Tilcara, como base para conhecer outros pontos turísticos da região, como a Quebrada de Cafayate,
as Ruínas de Quilmes, Cachi e Tafí del Valle. Cafayate tem como principal atrativo as bodegas (é um dos principais produtores de vinho e, dizem, é o produtor dos melhores vinhos da Argentina, já que mendoza seria produtor de vinhos mais "baratos").
Chegando na cidade, assim como em Salta, fui abordado por uma proposta
interessante: hostel por 20 pesos. O hostel (Sou péssimo pra nomes e já se passou tanto tempo... mas eles te procurarão assim que você sair do ônibus, fique tranquila) pode não ter sido o melhor da viagem (e não era mesmo), mas é aconchegante e com o melhor atendimento de toda a viagem. Gostei muito das pessoas do Hostel, extremamente agradáveis, "buena onda", como dizem os hermanos.
A constatação prévia de Cafayate é que a cidade reserva fatos interessantes tanto pra quem quer colocar o lado aventureiro pra funcionar, ou o lado pinguço. Se conseguir fazer as duas coisas (sem reclamar), considere-se um herói.
Continuando...
Deixei minhas coisas no Hostel e fui ao Cerro que fica próxima à sede da cidade, o que exigia uma caminhada de 6kms e, posteriormente, desbravar inúmeras trilhas. Me foi passado antes de começar a odisseia que a trilha completa demoraria cerca de 3 horas para ser feita. Outra coisa importante era fazer a trilha junto com um guia.
Desta forma, contratei um guia local por 18 pesos (achei caro, mas estava com remorso desde o dia anterior, quando não dei gorjeta para uma garçonete em Salta e ela ficou puta comigo, que nem reclamei ou pechinchei). Algumas pessoas fazem a trilha sem o guia, mas normalmente ficam pelo caminho. Resolvi não arriscar.
No caminho com guia, encontrei novamente com Hannah e Jessica, as duas inglesas de Tilcara e Purmamarca. O trekking durou mais ou menos 2h e 30m. Na volta, os pedidos de carona foram em vão... Cheguei esgotado ao hostel, como poucas vezes durante a viagem. A fome era tanta, que devorei o resto da parillada do
dia anterior (acredite! Era resto de um almoço que fiz num restaurante em Salta... era carne demais pra uma refeição só!). Acabei fazendo uma permuta com Oren, um espanhol de Madrid que tinha acabado de chegar ao hostel: dei uma parte da minha carne e peguei uma parte do macarrão com legumes que ele estava aprontando.
Para finalizar a noite, fui em busca de uma bicicleta para alugar. Queria muito conhecer a Quebrada de Cafayate (principal ponto turístico da cidade) da forma mais heterodoxa possível: pedalando. Como existe toda um mercado de aluguel de bicicletas, não foi complicado arrumar (se no seu hostel não alugarem, peça indicações de onde se pode alugar).
Nunca poderia imaginar que esta decisão significaria ter a experiência mais traumática e linda da viagem...
Terminando a tarefa ingrata
Natália... Se não fosse você, não voltaria a escrever aqui neste blog abandonado.
Espero que sirva pra alguma coisa.
Espero que sirva pra alguma coisa.
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