A viagem entre Cafayate e Dionísio Cerqueira (com parada nas ruínas de quilmes) foi uma verdadeira odisséia que durou 36 horas, passando por 3 rodoviárias e incontáveis paradas para embarque e desembarque de passageiros. A saber:
Cafayate - Tucumán (Aconquija - 49 pesos - 6 horas)
Tucumán - Posadas (La Nueva Estrella - 200 pesos - 16 horas)
Posadas - El Dorado (28 pesos - 3h30 horas)
El Dorado - Bernardo de Irigoyen (15 pesos - 2h30 horas)
Bernardo de Irigoyen - Dionísio Cerqueira (15 minutos a pé)
Após sair das ruínas de Quilmes, fui direto para a rodoviária de Tucumán, lá esperando meu ônibus rumo a Posadas. Era a forma mais barata (e prática) de fazer o trajeto Oeste-Leste naquela parte da Argentina. O dia 19 se ocupou basicamente disso, já que saí de Tucumán no dia 19 à noite e cheguei em Posadas no dia 20, após o almoço.
Existem duas maneiras principais de sair de Posadas rumo a Florianópolis: entrando no Brasil por São Borja, utilizando o ônibus Posadas-Floripa direto (viação Reunidas) ou entrando pela tríplice fronteira Bernardo de Irigoyen, Barracão (PR) e Dionísio Cerqueira (SC). Foi esta 2ª opção a escolhida. Lembrando sempre que, quando entrei na Argentina na ida, o fiz por São Borja. Não teria sentido voltar pelo mesmo lugar, quando poderia conhecer algo novo.
Pouca coisa merece ser destacada. Em primeiro lugar, no trajeto entre Cafayate e Tucumán, um pouco antes e um pouco após Tafí del Valle, a estrada tem paisagens belíssimas e completamente diferentes: antes de Tafí, as
montanhas, o clima seco, pedra, muita pedra, algo similar ao encontrado na quebrada de Cafayate. Após Tafí, uma estrada perigosíssima e igualmente bela, com nomes de curvas do naipe de "Fin del Mundo" e "infernillo", mata fechada, penhascos...
algo surpreendente para quem se acostumou nos dias anteriores a observar outro tipo de paisagem.
Entre El Dorado e Bernardo de Irigoyen, a mata fechada também transforma a viagem numa apreciação de uma bela paisagem. Gostei muito.
Cheguei a Bernardo de Irigoyen às 6 da tarde do sábado (20)... A aduana foi bem tranquila e, com exceção das épocas de festas, deve portar-se da mesma forma. Enfim retornava ao Brasil após 2 semanas.
Pensei em hospedar-me em Irigoyen, imaginando encontrar hotéis com preços mais em conta. Andei por algumas ruas e não encontrei nenhum hotel. Desisti.
Chegando na aduana brasileira, perguntei aos guardas da fronteira pelo hotel mais barato da cidade. Fui indicado ao Hotel Palace. De fato, o preço estava bem em conta (20 reais sem café da manhã, mas com chuveiro elétrico e TV no quarto, confortável por sinal) era tudo o que precisava naquele momento.
Na tríplice fronteira, só duas coisas são interessantes: o marco das 3 fronteiras, no qual você pode colocar 1 braço em Santa Catarina, outro braço no Paraná e os pés na Argentina (isso é legal, vai...), e comprar muambas alimentícias (alfajor, vinho, tequila, etc, etc...) para abastecer a casa. Fora isso, não há mais quaisquer atrativos do ponto de vista turístico.
domingo, 25 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
Dias 17 e 18: Cafayate, Quebrada de Cafayate e Ruínas de Quilmes
Tirei o dia 17 para conhecer a Quebrada de Cafayate.
Existem duas maneiras principais de conhecer a Quebrada: ou você aluga um carro/viaja de carro/participa de um passeio pago (dependendo da época, nem isso tem); ou você vai de ônibus para a Garganta del Diablo e volta de bicicleta. Escolhi a 2ª opção.
Para se ter ideia de onde estava me metendo, teria que pedalar 50 (CINQUENTA!!!) Kms para voltar ao centro de Cafayate. Fui acompanhado das inglesas Hannah e Jessica que citei anteriormente (reencontrei com as duas no local onde fui alugar uma bicicleta... elas estavam fazendo o mesmo que eu: alugando bicicletas para desbravar a Quebrada no dia seguinte). Compramos comida e água (não compre coisa demais que seja pesado, mas não compre de menos... comida e água no deserto podem fazer muita falta).
Pegamos o ônibus que faz o trajeto Cafayate - Salta e "saltamos" (sou engraçadinho... hehehehe) na Garganta del Diablo, que é um morro esculpido pelo vento por milhões de anos. Algo inacreditavelmente lindo de se ver.
Não muito distante da Garganta del Diablo, é possível visualizar "El Anfiteatro", outro paredão imponente, com uma acústica maravilhosa. Fico imaginando o que seria um show naquele lugar... Como tal fato era só possível conceber na imaginação, tínhamos o consolo de encontrar com alguns artistas (músicos e de artesanato local) tentando arrumar algum dinheiro com o fluxo de turistas, vendendo sua arte.
Durante o caminho, em vários momentos é possível observar o vale e o Rio que compõem a quebrada e estão em paralelo à estrada.
Já mais para a metade da estrada (e com meu fôlego de atleta de ironman cada vez mais diminuto), é possível ver rochas com formatos de Sapo, multicoloridos (iguais aos encontrados no Cerro de Siete Colores, em Purmamarca). Sendo assim, as grandes atrações naturais encontram-se na 1ª metade do trajeto de 50Km. Para alguém que não tem o costume de fazer esportes que forcem tanto o corpo (EU!), pedalar os 49km da Quebrada de Cafayate, numa altitude próxima dos 2 mil metros, com vento contra na maior parte do tempo, e clima seco que é gélido quando você pega velocidade e extremamente quente quando você dá uma parada (você reza por uma árvore, que só aparece de vez em quando), é quase que suicídio. Mas, se estou vivo aqui, os mortais também podem sobreviver a isso.
Só sei que demorei 6 horas e vi desde ciclistas profissionais até um casal de colombianos que estava indo pra Ushuaia de bicicleta. Enfim, uma experiência que, no final, não via a hora de terminar. Mas que gerou uma história engraçada, ao menos. Desnecessário dizer que não queria outra coisa a não ser descansar, assim que cheguei ao hostel.
No dia 18, tinha que ir embora de Cafayate. As férias estavam acabando e eu ainda tinha 2 objetivos: conhecer as Ruínas da tribo Quilmes e Tafí del Valle, antes de voltar para Tucumán, de onde sairia meu ônibus para Posadas, no caminho ao sul tupiniquim.
Os ônibus que saem de Cafayate para Quilmes e Tafí saem 3 vezes por dia (pode ser que tenha mudado, portanto, verifique isso): ao nascer do sol, no horário do almoço e de tardezinha.
Eu, nos meus sonhos mais insanos, achava que daria tempo de conhecer Quilmes e Tafí mas, como eu estava sem tempo, resolvi cortar Tafí e dar prioridade para Quilmes, um dos maiores sítios arqueológicos da Argentina. Dica: esteja com roupas leves para visitar Quilmes: o lugar é no meio do nada é o clima é desértico. Você ainda terá que andar tanto para chegar nas ruínas, quando para andar por entre elas, subindo morro.
A visão é imponente, pois o terreno das ruínas é gigantesco. Observar isto tentando imaginar no grupo social existente ali é uma tarefa interessante. Mas é estando no alto do morro que é possível perceber a importância estratégica daquele local, uma vez que é possível enxergar um vasto terreno plano repousando aos pés da cadeia de montanhas.
Quilmes é fundamental para quem quiser se aventurar no noroeste argentino. Apesar de ser meio ingrato para chegar lá (principalmente se você for com o mochilão, como era o meu caso, para economizar tempo), vale muito conhecer.
P.S.: tem tanto tempo que fui lá que não me recordo dos horários dos ônibus que passam por Quilmes, nem do preço para entrar no sítio. Procure por viação ACONQUIJA para saber dos ônibus. Já a entrada não me recordo de ter sido caro. Deve ser papo de 5 reais.
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Existem duas maneiras principais de conhecer a Quebrada: ou você aluga um carro/viaja de carro/participa de um passeio pago (dependendo da época, nem isso tem); ou você vai de ônibus para a Garganta del Diablo e volta de bicicleta. Escolhi a 2ª opção.
Para se ter ideia de onde estava me metendo, teria que pedalar 50 (CINQUENTA!!!) Kms para voltar ao centro de Cafayate. Fui acompanhado das inglesas Hannah e Jessica que citei anteriormente (reencontrei com as duas no local onde fui alugar uma bicicleta... elas estavam fazendo o mesmo que eu: alugando bicicletas para desbravar a Quebrada no dia seguinte). Compramos comida e água (não compre coisa demais que seja pesado, mas não compre de menos... comida e água no deserto podem fazer muita falta).
Pegamos o ônibus que faz o trajeto Cafayate - Salta e "saltamos" (sou engraçadinho... hehehehe) na Garganta del Diablo, que é um morro esculpido pelo vento por milhões de anos. Algo inacreditavelmente lindo de se ver.
Não muito distante da Garganta del Diablo, é possível visualizar "El Anfiteatro", outro paredão imponente, com uma acústica maravilhosa. Fico imaginando o que seria um show naquele lugar... Como tal fato era só possível conceber na imaginação, tínhamos o consolo de encontrar com alguns artistas (músicos e de artesanato local) tentando arrumar algum dinheiro com o fluxo de turistas, vendendo sua arte.
Durante o caminho, em vários momentos é possível observar o vale e o Rio que compõem a quebrada e estão em paralelo à estrada.
Já mais para a metade da estrada (e com meu fôlego de atleta de ironman cada vez mais diminuto), é possível ver rochas com formatos de Sapo, multicoloridos (iguais aos encontrados no Cerro de Siete Colores, em Purmamarca). Sendo assim, as grandes atrações naturais encontram-se na 1ª metade do trajeto de 50Km. Para alguém que não tem o costume de fazer esportes que forcem tanto o corpo (EU!), pedalar os 49km da Quebrada de Cafayate, numa altitude próxima dos 2 mil metros, com vento contra na maior parte do tempo, e clima seco que é gélido quando você pega velocidade e extremamente quente quando você dá uma parada (você reza por uma árvore, que só aparece de vez em quando), é quase que suicídio. Mas, se estou vivo aqui, os mortais também podem sobreviver a isso.
Só sei que demorei 6 horas e vi desde ciclistas profissionais até um casal de colombianos que estava indo pra Ushuaia de bicicleta. Enfim, uma experiência que, no final, não via a hora de terminar. Mas que gerou uma história engraçada, ao menos. Desnecessário dizer que não queria outra coisa a não ser descansar, assim que cheguei ao hostel.
No dia 18, tinha que ir embora de Cafayate. As férias estavam acabando e eu ainda tinha 2 objetivos: conhecer as Ruínas da tribo Quilmes e Tafí del Valle, antes de voltar para Tucumán, de onde sairia meu ônibus para Posadas, no caminho ao sul tupiniquim.
Os ônibus que saem de Cafayate para Quilmes e Tafí saem 3 vezes por dia (pode ser que tenha mudado, portanto, verifique isso): ao nascer do sol, no horário do almoço e de tardezinha.
Eu, nos meus sonhos mais insanos, achava que daria tempo de conhecer Quilmes e Tafí mas, como eu estava sem tempo, resolvi cortar Tafí e dar prioridade para Quilmes, um dos maiores sítios arqueológicos da Argentina. Dica: esteja com roupas leves para visitar Quilmes: o lugar é no meio do nada é o clima é desértico. Você ainda terá que andar tanto para chegar nas ruínas, quando para andar por entre elas, subindo morro.
A visão é imponente, pois o terreno das ruínas é gigantesco. Observar isto tentando imaginar no grupo social existente ali é uma tarefa interessante. Mas é estando no alto do morro que é possível perceber a importância estratégica daquele local, uma vez que é possível enxergar um vasto terreno plano repousando aos pés da cadeia de montanhas.
Quilmes é fundamental para quem quiser se aventurar no noroeste argentino. Apesar de ser meio ingrato para chegar lá (principalmente se você for com o mochilão, como era o meu caso, para economizar tempo), vale muito conhecer.
P.S.: tem tanto tempo que fui lá que não me recordo dos horários dos ônibus que passam por Quilmes, nem do preço para entrar no sítio. Procure por viação ACONQUIJA para saber dos ônibus. Já a entrada não me recordo de ter sido caro. Deve ser papo de 5 reais.
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Dias 15 e 16 - Salta e Cafayate
Salta - Cafayate - Quebrada de Cafayate - Ruínas de Quilmes
Cheguei em Salta por volta das 8 da noite de domingo (14) e, automaticamente, fui abordado por uma funcionária de hostel com uma proposta indecente: hostel por 20 pesos, com taxi de graça. Perfeito! Fui comprar rapidinho a passagem para Cafayate e aceitei a oferta. O Hostel (cujo nome não me lembro... mas posso postar depois aqui, caso encontre algum panfleto nas minhas coisas...) é normal, nem maravilhoso nem uma merda. Pelo preço, tava valendo. No meu quarto, tive a "sorte" de ser assediado por um argentino. O cara teve a manha de colocar uma música de "amor" do Araketu pra tocar no celular enquanto eu estava procurando uma roupa para vestir. Climão, heim?
Saí do Hostel às 22:30 e fui para o Resto Bar Macondo (já conhecia o de Santa Maria, agora seria a vez do de Salta) na calle Balcarce, que é a rua dos bares e boites em Salta. Comi um lomito no caminho, pq estava morrendo de fome e fui pra lá.
O problema é que não fazia idéia do horário em que a Laura chegaria. Não tive a manha de pegar o número de celular dela. Fiquei plantado na frente do bar, dando umas voltas e verificando se ela tinha chegado entrando no bar até meia-noite.
Como não vi ninguém parecido com ela, fui curtir o movimento na noite na rua fria de Salta, mas não por muito tempo. Como estava cansado da viagem desde Tilcara, resolvi voltar pro hostel por volta das 2 da manhã.
Segunda-feira (15) era o dia para conhecer e caminhar por "La Linda". Meus pontos preferidos foram a Praça 9 de Julho (um passeio noturno é show também), o Parque central, o Teleférico que leva ao cerro San Bernardo e que tem uma bela vista da cidade, a Igreja de São Francisco (fundamental conhecer), e O Museu de Arqueologia de Alta Montaña. Entretanto, passear por Salta é uma experiência agradabilíssima, uma vez que as áreas "turísticas" são bem conservadas.
Saí bem cedo do hostel e consegui conhecer o roteiro básico durante o dia. Ao finalizar o passeio pelo Cerro San Bernardo, avistei um estádio e resolvi conhecê-lo. Chegando no local, descobri que estava para ocorrer uma partida de futebol. Não sabia quais times iriam jogar, não sabia o preço nem qual campeonato. Tinha cerca de 30 minutos para deixar minha mochila no hostel e voltar a tempo de ver a partida. Quando voltei, fiquei sabendo que o jogo era entre Juventud Antoniana e Central Norte fazendo o clássico de Salta, no campo do Gimnasia y Tiro, outro clube da cidade. Apenas o Juventud Antoniana é de 3a divisão... ou outros 2 são de 4a divisão.
O jogo foi horrível. De dar sono mesmo... Em Salta, me pareceu que o futebol estava relegado a segundo plano, atrás do Rugby. Inclusive, um amistoso entre Argentina e Inglaterra na cidade, dias antes da minha chegada, teve a presença de mais de 45 mil pessoas... Rugby, vejam só!
À noite, caminhei pela cidade e tirei fotos dos mesmos locais que visitei de dia. Salta à noite é uma outra cidade. Sem dúvida, uma cidade especial... "La linda", como proclamam seus moradores.
Terça-Feira (16) - Saí do Hostel às 6 da manhã, já que o ônibus para Cafayate (El Indio - 35 pesos - 4 horas) estava marcado para as 7 horas. Foram 4 horas no pior ônibus que encontrei pelo caminho! Cafayate funcionaria, assim como Tilcara, como base para conhecer outros pontos turísticos da região, como a Quebrada de Cafayate,
as Ruínas de Quilmes, Cachi e Tafí del Valle. Cafayate tem como principal atrativo as bodegas (é um dos principais produtores de vinho e, dizem, é o produtor dos melhores vinhos da Argentina, já que mendoza seria produtor de vinhos mais "baratos").
Chegando na cidade, assim como em Salta, fui abordado por uma proposta
interessante: hostel por 20 pesos. O hostel (Sou péssimo pra nomes e já se passou tanto tempo... mas eles te procurarão assim que você sair do ônibus, fique tranquila) pode não ter sido o melhor da viagem (e não era mesmo), mas é aconchegante e com o melhor atendimento de toda a viagem. Gostei muito das pessoas do Hostel, extremamente agradáveis, "buena onda", como dizem os hermanos.
A constatação prévia de Cafayate é que a cidade reserva fatos interessantes tanto pra quem quer colocar o lado aventureiro pra funcionar, ou o lado pinguço. Se conseguir fazer as duas coisas (sem reclamar), considere-se um herói.
Continuando...
Deixei minhas coisas no Hostel e fui ao Cerro que fica próxima à sede da cidade, o que exigia uma caminhada de 6kms e, posteriormente, desbravar inúmeras trilhas. Me foi passado antes de começar a odisseia que a trilha completa demoraria cerca de 3 horas para ser feita. Outra coisa importante era fazer a trilha junto com um guia.
Desta forma, contratei um guia local por 18 pesos (achei caro, mas estava com remorso desde o dia anterior, quando não dei gorjeta para uma garçonete em Salta e ela ficou puta comigo, que nem reclamei ou pechinchei). Algumas pessoas fazem a trilha sem o guia, mas normalmente ficam pelo caminho. Resolvi não arriscar.
No caminho com guia, encontrei novamente com Hannah e Jessica, as duas inglesas de Tilcara e Purmamarca. O trekking durou mais ou menos 2h e 30m. Na volta, os pedidos de carona foram em vão... Cheguei esgotado ao hostel, como poucas vezes durante a viagem. A fome era tanta, que devorei o resto da parillada do
dia anterior (acredite! Era resto de um almoço que fiz num restaurante em Salta... era carne demais pra uma refeição só!). Acabei fazendo uma permuta com Oren, um espanhol de Madrid que tinha acabado de chegar ao hostel: dei uma parte da minha carne e peguei uma parte do macarrão com legumes que ele estava aprontando.
Para finalizar a noite, fui em busca de uma bicicleta para alugar. Queria muito conhecer a Quebrada de Cafayate (principal ponto turístico da cidade) da forma mais heterodoxa possível: pedalando. Como existe toda um mercado de aluguel de bicicletas, não foi complicado arrumar (se no seu hostel não alugarem, peça indicações de onde se pode alugar).
Nunca poderia imaginar que esta decisão significaria ter a experiência mais traumática e linda da viagem...
Cheguei em Salta por volta das 8 da noite de domingo (14) e, automaticamente, fui abordado por uma funcionária de hostel com uma proposta indecente: hostel por 20 pesos, com taxi de graça. Perfeito! Fui comprar rapidinho a passagem para Cafayate e aceitei a oferta. O Hostel (cujo nome não me lembro... mas posso postar depois aqui, caso encontre algum panfleto nas minhas coisas...) é normal, nem maravilhoso nem uma merda. Pelo preço, tava valendo. No meu quarto, tive a "sorte" de ser assediado por um argentino. O cara teve a manha de colocar uma música de "amor" do Araketu pra tocar no celular enquanto eu estava procurando uma roupa para vestir. Climão, heim?
Saí do Hostel às 22:30 e fui para o Resto Bar Macondo (já conhecia o de Santa Maria, agora seria a vez do de Salta) na calle Balcarce, que é a rua dos bares e boites em Salta. Comi um lomito no caminho, pq estava morrendo de fome e fui pra lá.
O problema é que não fazia idéia do horário em que a Laura chegaria. Não tive a manha de pegar o número de celular dela. Fiquei plantado na frente do bar, dando umas voltas e verificando se ela tinha chegado entrando no bar até meia-noite.
Como não vi ninguém parecido com ela, fui curtir o movimento na noite na rua fria de Salta, mas não por muito tempo. Como estava cansado da viagem desde Tilcara, resolvi voltar pro hostel por volta das 2 da manhã.
Segunda-feira (15) era o dia para conhecer e caminhar por "La Linda". Meus pontos preferidos foram a Praça 9 de Julho (um passeio noturno é show também), o Parque central, o Teleférico que leva ao cerro San Bernardo e que tem uma bela vista da cidade, a Igreja de São Francisco (fundamental conhecer), e O Museu de Arqueologia de Alta Montaña. Entretanto, passear por Salta é uma experiência agradabilíssima, uma vez que as áreas "turísticas" são bem conservadas.
Saí bem cedo do hostel e consegui conhecer o roteiro básico durante o dia. Ao finalizar o passeio pelo Cerro San Bernardo, avistei um estádio e resolvi conhecê-lo. Chegando no local, descobri que estava para ocorrer uma partida de futebol. Não sabia quais times iriam jogar, não sabia o preço nem qual campeonato. Tinha cerca de 30 minutos para deixar minha mochila no hostel e voltar a tempo de ver a partida. Quando voltei, fiquei sabendo que o jogo era entre Juventud Antoniana e Central Norte fazendo o clássico de Salta, no campo do Gimnasia y Tiro, outro clube da cidade. Apenas o Juventud Antoniana é de 3a divisão... ou outros 2 são de 4a divisão.
O jogo foi horrível. De dar sono mesmo... Em Salta, me pareceu que o futebol estava relegado a segundo plano, atrás do Rugby. Inclusive, um amistoso entre Argentina e Inglaterra na cidade, dias antes da minha chegada, teve a presença de mais de 45 mil pessoas... Rugby, vejam só!
À noite, caminhei pela cidade e tirei fotos dos mesmos locais que visitei de dia. Salta à noite é uma outra cidade. Sem dúvida, uma cidade especial... "La linda", como proclamam seus moradores.
Terça-Feira (16) - Saí do Hostel às 6 da manhã, já que o ônibus para Cafayate (El Indio - 35 pesos - 4 horas) estava marcado para as 7 horas. Foram 4 horas no pior ônibus que encontrei pelo caminho! Cafayate funcionaria, assim como Tilcara, como base para conhecer outros pontos turísticos da região, como a Quebrada de Cafayate,
as Ruínas de Quilmes, Cachi e Tafí del Valle. Cafayate tem como principal atrativo as bodegas (é um dos principais produtores de vinho e, dizem, é o produtor dos melhores vinhos da Argentina, já que mendoza seria produtor de vinhos mais "baratos").
Chegando na cidade, assim como em Salta, fui abordado por uma proposta
interessante: hostel por 20 pesos. O hostel (Sou péssimo pra nomes e já se passou tanto tempo... mas eles te procurarão assim que você sair do ônibus, fique tranquila) pode não ter sido o melhor da viagem (e não era mesmo), mas é aconchegante e com o melhor atendimento de toda a viagem. Gostei muito das pessoas do Hostel, extremamente agradáveis, "buena onda", como dizem os hermanos.
A constatação prévia de Cafayate é que a cidade reserva fatos interessantes tanto pra quem quer colocar o lado aventureiro pra funcionar, ou o lado pinguço. Se conseguir fazer as duas coisas (sem reclamar), considere-se um herói.
Continuando...
Deixei minhas coisas no Hostel e fui ao Cerro que fica próxima à sede da cidade, o que exigia uma caminhada de 6kms e, posteriormente, desbravar inúmeras trilhas. Me foi passado antes de começar a odisseia que a trilha completa demoraria cerca de 3 horas para ser feita. Outra coisa importante era fazer a trilha junto com um guia.
Desta forma, contratei um guia local por 18 pesos (achei caro, mas estava com remorso desde o dia anterior, quando não dei gorjeta para uma garçonete em Salta e ela ficou puta comigo, que nem reclamei ou pechinchei). Algumas pessoas fazem a trilha sem o guia, mas normalmente ficam pelo caminho. Resolvi não arriscar.
No caminho com guia, encontrei novamente com Hannah e Jessica, as duas inglesas de Tilcara e Purmamarca. O trekking durou mais ou menos 2h e 30m. Na volta, os pedidos de carona foram em vão... Cheguei esgotado ao hostel, como poucas vezes durante a viagem. A fome era tanta, que devorei o resto da parillada do
dia anterior (acredite! Era resto de um almoço que fiz num restaurante em Salta... era carne demais pra uma refeição só!). Acabei fazendo uma permuta com Oren, um espanhol de Madrid que tinha acabado de chegar ao hostel: dei uma parte da minha carne e peguei uma parte do macarrão com legumes que ele estava aprontando.
Para finalizar a noite, fui em busca de uma bicicleta para alugar. Queria muito conhecer a Quebrada de Cafayate (principal ponto turístico da cidade) da forma mais heterodoxa possível: pedalando. Como existe toda um mercado de aluguel de bicicletas, não foi complicado arrumar (se no seu hostel não alugarem, peça indicações de onde se pode alugar).
Nunca poderia imaginar que esta decisão significaria ter a experiência mais traumática e linda da viagem...
Terminando a tarefa ingrata
Natália... Se não fosse você, não voltaria a escrever aqui neste blog abandonado.
Espero que sirva pra alguma coisa.
Espero que sirva pra alguma coisa.
sábado, 4 de junho de 2011
Dias 12-14: La Quiaca - Humahuaca - Tilcara - Purmamarca - Salinas Grandes
Tá certo que dia dos namorados numa sexta-feira não é nada atrativo para quem está solteiro. Mesmo assim, nunca imaginei acordar numa das cidades mais frias da Argentina no dia dos namorados...
Cheguei em La Quiaca, extremo norte da província de Jujuy, às 7 da manhã, céu escuro, neblina, com certeza abaixo de 0 grau... já disse que estava frio? Pois foi o local que mais passei frio na minha vida, certamente. Pra completar, senti falta da minha touca (provavelmente deixei no ônibus).
Na acanhada rodoviária, todos os não-andinos tinham duas direções: ou estavam indo para a Bolívia, ou estavam voltando da Bolívia. La Quiaca é a porta de entrada (ou saída) principal entre Argentina e Bolívia. Como não tinha tempo (e dinheiro) para desbravar o país vizinho, chegar até La Quiaca foi pensado exclusivamente pela "mística da fronteira". Minha ideia era conhecer a cidade boliviana de Villazón, passear por lá por algumas horas e voltar a La Quiaca. Rapidamente, descobri que não seria uma tarefa fácil: era necessário permanecer 24 horas em solo boliviano para poder sair do país, caso eu quisesse entrar. Pensei até na possibilidade de ficar 2 ou 3 dias, mas jogaria por terra todo o meu cronograma. Pude apenas visualizar o mercado de rua de Villazón estando com meus pés na aduana. Entrar na Bolívia ficaria para outra viagem.
La Quiaca não tem nenhum atrativo. Absolutamente nada! Mas para uma pessoa que nunca viu neve, observar a geada começando a dissipar-se apenas às 11 da manhã, tamanho o frio, era um espetáculo no alto dos mais de 3400 metros de altitude.
Meu primeiro contato com a elevada altitude não foi nada agradável. Caminhar 100 metros era um martírio. Subir um morro, então... Dor de ouvido, ânsia de vômito, cansaço, dor de cabeça, falta de ar... Resolvi não mascar coca para sentir os efeitos na sua plenitude. Descobri que é quase insuportável.
Devido o meu plano de conhecer Villazón ter sido frustrado, economizaria 1 dia no cronograma da viagem caso chegasse em Tilcara à noite. Para isso, deveria “matar” Humahuaca e a Quebrada de Humahuaca no mesmo dia.
Não fiquei muito tempo em La Quiaca e já peguei um ônibus para Humahuaca (El Quiaqueno, 20 pesos), passando pela Quebrada de Humahuaca. No caminho, os efeitos da altitude pioraram, pois o ônibus passa no caminho por altitudes próximas dos 3800 metros. Ainda bem que tinha comigo uma garrafa d'água: foi o que me ajudou a enfrentar o martírio da falta de ar.
A Quebrada de Humahuaca, considerada “Patrimônio Mundial da UNESCO”, é uma região extremamente acidentada nos Andes argentinos. O que dá uma atmosfera incrível, em todos os sentidos. Ao chegar na cidade de Humahuaca (mais ou menos 2940 metros de altitude) foi possível enxergar um pouquinho melhor a grandiosidade natural da Quebrada, já que passando mal no ônibus era meio complicado pensar nisso.
O principal monumento da cidade, “Monumento da Independência”, encontra-se encravado no alto de um morro, cuja vista é sensacional. Ao lado, alguns cactos com até 5 metros de altura, o que era uma novidade para mim.
De Humahuaca, fui para Tilcara (Balut, 6 pesos), cidade escolhida para servir de base de modo a desbravar a Quebrada de Humahuaca e as cidades próximas. Cheguei em Tilcara e fui direto para o HI da cidade. O Hostel é ótimo, mas tenho dois motivos para não recomendar como local de pernoite (apesar de ter sido uma escolha pessoalmente feliz... e explicarei depois o motivo). Em primeiro lugar,
por motivos econômicos: paguei 45 pesos a diária, sendo que uma ida ao balcão de informações turísticas seria suficiente para descobrir que era possível pagar 20 pesos a diária. Mas mesmo assim, outro fator me deixou puto (e ao contrário do
primeiro, não foi por culpa ou ignorância minha): pelo que entendi, os preços do Hostel eram: Alta Temporada (45-50 sem/com café da manhã) Baixa Temporada (35-45 sem/com café da manhã). Inicialmente me foi dado o preço de baixa temporada,
depois me foi dado os preços de alta temporada. Como a diferença sem/com café da manhã nos preços da alta temporada eram pequenos, optei pelo café. Mas, no check-out, me foi cobrado o preço do café da manhã na baixa temporada. Enfim,
foi um erro, minimizado ou esquecido por situações positivas que ocorreram depois e tiveram início neste hostel. Vamos dormir, que estou cansado!
Na habitação compartilhada estavam um italiano e duas inglesas (Hannah e Jessica). Não troquei muitas palavras com eles, apenas um "Hola, qué tal!?". Ao amanhecer do dia 13, enquanto todos faziam seus respectivos check-outs, eu me preparava para conhecer o povoado de Purmamarca, distante 18 kms de Tilcara (várias empresas fazem o trajeto por 3 pesos). Na rodoviária de Tilcara, percebi que as inglesas iriam para Purmamarca também, cheias de bagagem, pois estavam seguindo rumo a Salta, mais ao sul.
Purmamarca tem menos de 1000 habitantes e seria mais um povoado desolado num rincão qualquer dos Andes, não fosse por um detalhe: a existência do Cerro de Siete Colores, acomodação de minerais ao longo de séculos que deram forma a um
mosaico de cores (eu contei mais de 7 cores! RISOS!). É um dos principais cartões postais do noroeste argentino. Atrás do Cerro, existe o Paseo de los Colorados, um caminho de terra com cerca de 3 kms de extensão.
Um parêntese: no Paseo, encontrei as duas inglesas novamente. Ainda não poderia considerar uma coincidência pelo fato de saber que elas estavam na cidade e também pelo fato da cidade ser menor que um ovo.
Pronto: em 3 horas, acabou Purmamarca. Fui em busca da 2ª parte da visitação pela região: descobri que sairia do vilarejo, rumo a um deserto de sal chamado “Salinas Grandes”, uma van turística por 40 pesos. Uma pechincha, pois mataria 2 coelhos com uma cajadada só: conheceria um Salar e também a Cuesta del Lipán (obrigado Grazi, por me fazer ter vontade de conhecê-la), estrada que deixa impressionado até mesmo quem conheceu a estrada que cruza a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.
Comi uma pizza (meia-boca), tomei uma cerveja chamada Norte (meia-boca igual) e, enfim, parti para as Salinas Grandes. Já estava suficientemente adaptado à região e à altitude, o que percebi nas paradas para tirar fotos em locais que ultrapassavam os 4000 metros de altitude, ao longo da sinuosa Cuesta del Lipán, perigosa, apesar de bem sinalizada. Do alto, porém, é bela, em conjunto com a paisagem seca e montanhosa dos Andes.
20 minutos e chegamos às Salinas Grandes, um lago que virou deserto de sal. Coruja de Sal, casa de sal... Uma imensidão de sal inconfundível e, literalmente, no meio do nada. O passeio não durou muito tempo; ir e voltar para Purmamarca (distante 55 kms de Salinas Grandes) demorou cerca de 4 horas. Serviu também para conhecer duas salteñas (Laura e Micaela) que já estiveram em Balneário Camboriú e Florianópolis. Laura, inclusive, convidou-me para sua festa de aniversário em Salta, no dia seguinte. Como minha intenção era chegar lá à noite, seria possível minha presença.
De volta à Purmamarca, caminhei os 3 kms que separam a cidade da Ruta 9 (rodovia que corta ao meio o noroeste argentino), tentando carona. 15 minutos, meia-hora, 40 minutos e nada! Nem ônibus, nem carona. Até que um senhor parou o carro
e ofereceu carona. No caminho até Tilcara, descobri que era cordobenho e cantor de Bossa Nova na noite de Córdoba. Ao descobrir que eu era brasileiro, começou a cantar e eu, com a garrafa d'água, fiquei na percussão. hahahahha! Foi tão
legal que ganhei até um chaveiro dele, que também faz artesanato.
No hostel, novos companheiros de noite: uma alemã (Birgit) e um inglês (não decoro nomes de homens, mas o cara é legal. Tanto, que pagou um vinho! hahahahaha). Bebemos o vinho, jogamos conversa fora e fomos dormir.
Domingo (14), tinha por objetivo conhecer uma antiga fortaleza indígena, a “Pukara”, ir até a cidade de Jujuy ainda de manhã e dormir em Salta. Mas era inviável e eu cortei Jujuy do trajeto: sair de Tilcara no domingo para Jujuy é um tanto quanto caótico. Antes de ir até a Pukara, conheci a “Garganta del Diablo” de Tilcara com Birgit. Existem duas formas de chegar até a Garganta: à pé, cerca de 4 kms pelas trilhas que serpenteiam a cadeia de montanhas; de carro, cerca de 8 kms. Inicialmente, iríamos à pé, mas Birgit estava gripada e acabamos indo de taxi (30 pesos, 15 para cada um). O caminho é agradabilíssimo
para quem tem medo de altura: só há espaço na “estrada” para 1 carro; de um lado, há um penhasco esperando, de outro, um morro com pedras caíndo incessantemente. Preciso dizer que sequer olhava para os lados?
Já na “Garganta...”, o medo de altura me impediu de passar por determinados
caminhos, enquanto a alemã se sentia num parque de diversões... que vergonha! hahahahahah Mas foi legal... certeza que eu não faria nada disso se estivesse sozinho. Emendei a ida até a “Garganta...” com a visita até a Pukara. No entroncamento dos caminhos que levam à Pukara e à Garganta del diablo, despedi-me de Birgit. Mais um 1km de caminhada e chegaria até a Pukara. Oposição completa no que diz respeito a fluxo de pessoas: eram muitos os turistas no local, que pagavam 10 pesos para entrar, taxa que dava direito também a visitar o Museu Etnográfico, no centro da cidade. Assim como a Garganta, com uma belíssima vista da Ruta 9 por entre a cadeia de montanhas.
A caminhada acumulada de quase 10km já deu pra cansar um pouco... mas ainda tinha de chegar em Jujuy, para depois pensar em Salta. Mas como disse anteriormente, abortei essa missão por causa dos horários de ônibus. Quando cheguei na rodoviária (por volta das 13 horas) percebi que o próximo ônibus para Jujuy sairia da cidade às 16 horas. Como demora mais ou menos 3 horas de Tilcara para Jujuy (pouco atrativa turisticamente) e tinha que chegar em Salta no domingo ainda (agora, por causa do aniversário da Laura), descartei a possibilidade de passar pela cidade. Fui direto para Salta (Balut, 30 pesos), distante 190 km de Tilcara, numa viagem “interminável” de 4 horas. Um cata-corno do caralho! hahahahahah... Encontrei no ônibus o Inglês do Hostel que pagou o vinho e fiquei sabendo que ele curte mais Rugby que Futebol. Além disso, estava indo em direção a Córdoba e Rosário encontrar alguns amigos (ingleses e argentinos), que também faziam mochilão pela américa do sul. Algo que me chamou a atenção: o fato de encontrar apenas europeus (vários Ingleses, Franceses, Italianos, Alemães e Suíços (!!!)) e norte americanos fazendo mochilão na região. Sulamericanos, apenas os argentinos provenientes de Cordoba, Santa Fé e Buenos Aires, nos seus carros ou em pacotes turísticos.
Gastos (em Pesos Argentinos):
Dias/Noites (3/2)
Transporte Interurbano 99,00
Transporte Municipal 15,00
Alimentação 71,00
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 103,00
outros 21,00
Total 399,00
Média 133,00
Cheguei em La Quiaca, extremo norte da província de Jujuy, às 7 da manhã, céu escuro, neblina, com certeza abaixo de 0 grau... já disse que estava frio? Pois foi o local que mais passei frio na minha vida, certamente. Pra completar, senti falta da minha touca (provavelmente deixei no ônibus).
Na acanhada rodoviária, todos os não-andinos tinham duas direções: ou estavam indo para a Bolívia, ou estavam voltando da Bolívia. La Quiaca é a porta de entrada (ou saída) principal entre Argentina e Bolívia. Como não tinha tempo (e dinheiro) para desbravar o país vizinho, chegar até La Quiaca foi pensado exclusivamente pela "mística da fronteira". Minha ideia era conhecer a cidade boliviana de Villazón, passear por lá por algumas horas e voltar a La Quiaca. Rapidamente, descobri que não seria uma tarefa fácil: era necessário permanecer 24 horas em solo boliviano para poder sair do país, caso eu quisesse entrar. Pensei até na possibilidade de ficar 2 ou 3 dias, mas jogaria por terra todo o meu cronograma. Pude apenas visualizar o mercado de rua de Villazón estando com meus pés na aduana. Entrar na Bolívia ficaria para outra viagem.
La Quiaca não tem nenhum atrativo. Absolutamente nada! Mas para uma pessoa que nunca viu neve, observar a geada começando a dissipar-se apenas às 11 da manhã, tamanho o frio, era um espetáculo no alto dos mais de 3400 metros de altitude.
Meu primeiro contato com a elevada altitude não foi nada agradável. Caminhar 100 metros era um martírio. Subir um morro, então... Dor de ouvido, ânsia de vômito, cansaço, dor de cabeça, falta de ar... Resolvi não mascar coca para sentir os efeitos na sua plenitude. Descobri que é quase insuportável.
Devido o meu plano de conhecer Villazón ter sido frustrado, economizaria 1 dia no cronograma da viagem caso chegasse em Tilcara à noite. Para isso, deveria “matar” Humahuaca e a Quebrada de Humahuaca no mesmo dia.
Não fiquei muito tempo em La Quiaca e já peguei um ônibus para Humahuaca (El Quiaqueno, 20 pesos), passando pela Quebrada de Humahuaca. No caminho, os efeitos da altitude pioraram, pois o ônibus passa no caminho por altitudes próximas dos 3800 metros. Ainda bem que tinha comigo uma garrafa d'água: foi o que me ajudou a enfrentar o martírio da falta de ar.
A Quebrada de Humahuaca, considerada “Patrimônio Mundial da UNESCO”, é uma região extremamente acidentada nos Andes argentinos. O que dá uma atmosfera incrível, em todos os sentidos. Ao chegar na cidade de Humahuaca (mais ou menos 2940 metros de altitude) foi possível enxergar um pouquinho melhor a grandiosidade natural da Quebrada, já que passando mal no ônibus era meio complicado pensar nisso.
O principal monumento da cidade, “Monumento da Independência”, encontra-se encravado no alto de um morro, cuja vista é sensacional. Ao lado, alguns cactos com até 5 metros de altura, o que era uma novidade para mim.
De Humahuaca, fui para Tilcara (Balut, 6 pesos), cidade escolhida para servir de base de modo a desbravar a Quebrada de Humahuaca e as cidades próximas. Cheguei em Tilcara e fui direto para o HI da cidade. O Hostel é ótimo, mas tenho dois motivos para não recomendar como local de pernoite (apesar de ter sido uma escolha pessoalmente feliz... e explicarei depois o motivo). Em primeiro lugar,
por motivos econômicos: paguei 45 pesos a diária, sendo que uma ida ao balcão de informações turísticas seria suficiente para descobrir que era possível pagar 20 pesos a diária. Mas mesmo assim, outro fator me deixou puto (e ao contrário do
primeiro, não foi por culpa ou ignorância minha): pelo que entendi, os preços do Hostel eram: Alta Temporada (45-50 sem/com café da manhã) Baixa Temporada (35-45 sem/com café da manhã). Inicialmente me foi dado o preço de baixa temporada,
depois me foi dado os preços de alta temporada. Como a diferença sem/com café da manhã nos preços da alta temporada eram pequenos, optei pelo café. Mas, no check-out, me foi cobrado o preço do café da manhã na baixa temporada. Enfim,
foi um erro, minimizado ou esquecido por situações positivas que ocorreram depois e tiveram início neste hostel. Vamos dormir, que estou cansado!
Na habitação compartilhada estavam um italiano e duas inglesas (Hannah e Jessica). Não troquei muitas palavras com eles, apenas um "Hola, qué tal!?". Ao amanhecer do dia 13, enquanto todos faziam seus respectivos check-outs, eu me preparava para conhecer o povoado de Purmamarca, distante 18 kms de Tilcara (várias empresas fazem o trajeto por 3 pesos). Na rodoviária de Tilcara, percebi que as inglesas iriam para Purmamarca também, cheias de bagagem, pois estavam seguindo rumo a Salta, mais ao sul.
Purmamarca tem menos de 1000 habitantes e seria mais um povoado desolado num rincão qualquer dos Andes, não fosse por um detalhe: a existência do Cerro de Siete Colores, acomodação de minerais ao longo de séculos que deram forma a um
mosaico de cores (eu contei mais de 7 cores! RISOS!). É um dos principais cartões postais do noroeste argentino. Atrás do Cerro, existe o Paseo de los Colorados, um caminho de terra com cerca de 3 kms de extensão.
Um parêntese: no Paseo, encontrei as duas inglesas novamente. Ainda não poderia considerar uma coincidência pelo fato de saber que elas estavam na cidade e também pelo fato da cidade ser menor que um ovo.
Pronto: em 3 horas, acabou Purmamarca. Fui em busca da 2ª parte da visitação pela região: descobri que sairia do vilarejo, rumo a um deserto de sal chamado “Salinas Grandes”, uma van turística por 40 pesos. Uma pechincha, pois mataria 2 coelhos com uma cajadada só: conheceria um Salar e também a Cuesta del Lipán (obrigado Grazi, por me fazer ter vontade de conhecê-la), estrada que deixa impressionado até mesmo quem conheceu a estrada que cruza a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.
Comi uma pizza (meia-boca), tomei uma cerveja chamada Norte (meia-boca igual) e, enfim, parti para as Salinas Grandes. Já estava suficientemente adaptado à região e à altitude, o que percebi nas paradas para tirar fotos em locais que ultrapassavam os 4000 metros de altitude, ao longo da sinuosa Cuesta del Lipán, perigosa, apesar de bem sinalizada. Do alto, porém, é bela, em conjunto com a paisagem seca e montanhosa dos Andes.
20 minutos e chegamos às Salinas Grandes, um lago que virou deserto de sal. Coruja de Sal, casa de sal... Uma imensidão de sal inconfundível e, literalmente, no meio do nada. O passeio não durou muito tempo; ir e voltar para Purmamarca (distante 55 kms de Salinas Grandes) demorou cerca de 4 horas. Serviu também para conhecer duas salteñas (Laura e Micaela) que já estiveram em Balneário Camboriú e Florianópolis. Laura, inclusive, convidou-me para sua festa de aniversário em Salta, no dia seguinte. Como minha intenção era chegar lá à noite, seria possível minha presença.
De volta à Purmamarca, caminhei os 3 kms que separam a cidade da Ruta 9 (rodovia que corta ao meio o noroeste argentino), tentando carona. 15 minutos, meia-hora, 40 minutos e nada! Nem ônibus, nem carona. Até que um senhor parou o carro
e ofereceu carona. No caminho até Tilcara, descobri que era cordobenho e cantor de Bossa Nova na noite de Córdoba. Ao descobrir que eu era brasileiro, começou a cantar e eu, com a garrafa d'água, fiquei na percussão. hahahahha! Foi tão
legal que ganhei até um chaveiro dele, que também faz artesanato.
No hostel, novos companheiros de noite: uma alemã (Birgit) e um inglês (não decoro nomes de homens, mas o cara é legal. Tanto, que pagou um vinho! hahahahaha). Bebemos o vinho, jogamos conversa fora e fomos dormir.
Domingo (14), tinha por objetivo conhecer uma antiga fortaleza indígena, a “Pukara”, ir até a cidade de Jujuy ainda de manhã e dormir em Salta. Mas era inviável e eu cortei Jujuy do trajeto: sair de Tilcara no domingo para Jujuy é um tanto quanto caótico. Antes de ir até a Pukara, conheci a “Garganta del Diablo” de Tilcara com Birgit. Existem duas formas de chegar até a Garganta: à pé, cerca de 4 kms pelas trilhas que serpenteiam a cadeia de montanhas; de carro, cerca de 8 kms. Inicialmente, iríamos à pé, mas Birgit estava gripada e acabamos indo de taxi (30 pesos, 15 para cada um). O caminho é agradabilíssimo
para quem tem medo de altura: só há espaço na “estrada” para 1 carro; de um lado, há um penhasco esperando, de outro, um morro com pedras caíndo incessantemente. Preciso dizer que sequer olhava para os lados?
Já na “Garganta...”, o medo de altura me impediu de passar por determinados
caminhos, enquanto a alemã se sentia num parque de diversões... que vergonha! hahahahahah Mas foi legal... certeza que eu não faria nada disso se estivesse sozinho. Emendei a ida até a “Garganta...” com a visita até a Pukara. No entroncamento dos caminhos que levam à Pukara e à Garganta del diablo, despedi-me de Birgit. Mais um 1km de caminhada e chegaria até a Pukara. Oposição completa no que diz respeito a fluxo de pessoas: eram muitos os turistas no local, que pagavam 10 pesos para entrar, taxa que dava direito também a visitar o Museu Etnográfico, no centro da cidade. Assim como a Garganta, com uma belíssima vista da Ruta 9 por entre a cadeia de montanhas.
A caminhada acumulada de quase 10km já deu pra cansar um pouco... mas ainda tinha de chegar em Jujuy, para depois pensar em Salta. Mas como disse anteriormente, abortei essa missão por causa dos horários de ônibus. Quando cheguei na rodoviária (por volta das 13 horas) percebi que o próximo ônibus para Jujuy sairia da cidade às 16 horas. Como demora mais ou menos 3 horas de Tilcara para Jujuy (pouco atrativa turisticamente) e tinha que chegar em Salta no domingo ainda (agora, por causa do aniversário da Laura), descartei a possibilidade de passar pela cidade. Fui direto para Salta (Balut, 30 pesos), distante 190 km de Tilcara, numa viagem “interminável” de 4 horas. Um cata-corno do caralho! hahahahahah... Encontrei no ônibus o Inglês do Hostel que pagou o vinho e fiquei sabendo que ele curte mais Rugby que Futebol. Além disso, estava indo em direção a Córdoba e Rosário encontrar alguns amigos (ingleses e argentinos), que também faziam mochilão pela américa do sul. Algo que me chamou a atenção: o fato de encontrar apenas europeus (vários Ingleses, Franceses, Italianos, Alemães e Suíços (!!!)) e norte americanos fazendo mochilão na região. Sulamericanos, apenas os argentinos provenientes de Cordoba, Santa Fé e Buenos Aires, nos seus carros ou em pacotes turísticos.
Gastos (em Pesos Argentinos):
Dias/Noites (3/2)
Transporte Interurbano 99,00
Transporte Municipal 15,00
Alimentação 71,00
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 103,00
outros 21,00
Total 399,00
Média 133,00
Marcadores:
Argentina,
Bolívia,
Humahuaca,
Jujuy,
Na fronteira...,
Noroeste Argentino,
Purmamarca,
Quebrada de Humahuaca,
Tilcara
Dias 12-14: La Quiaca - Humahuaca - Tilcara - Purmamarca - Salinas Grandes
Tá certo que dia dos namorados numa sexta-feira não é nada atrativo para quem está solteiro. Mesmo assim, nunca imaginei acordar numa das cidades mais frias da Argentina no dia dos namorados...
Cheguei em La Quiaca, extremo norte da província de Jujuy, às 7 da manhã, céu escuro, neblina, com certeza abaixo de 0 grau... já disse que estava frio? Pois foi o local que mais passei frio na minha vida, certamente. Pra completar, senti falta da minha touca (provavelmente deixei no ônibus).
Na acanhada rodoviária, todos os não-andinos tinham duas direções: ou estavam indo para a Bolívia, ou estavam voltando da Bolívia. La Quiaca é a porta de entrada (ou saída) principal entre Argentina e Bolívia. Como não tinha tempo (e dinheiro) para desbravar o país vizinho, chegar até La Quiaca foi pensado exclusivamente pela "mística da fronteira". Minha ideia era conhecer a cidade boliviana de Villazón, passear por lá por algumas horas e voltar a La Quiaca. Rapidamente, descobri que não seria uma tarefa fácil: era necessário permanecer 24 horas em solo boliviano para poder sair do país, caso eu quisesse entrar. Pensei até na possibilidade de ficar 2 ou 3 dias, mas jogaria por terra todo o meu cronograma. Pude apenas visualizar o mercado de rua de Villazón estando com meus pés na aduana. Entrar na Bolívia ficaria para outra viagem.
La Quiaca não tem nenhum atrativo. Absolutamente nada! Mas para uma pessoa que nunca viu neve, observar a geada começando a dissipar-se apenas às 11 da manhã, tamanho o frio, era um espetáculo no alto dos mais de 3400 metros de altitude.
Meu primeiro contato com a elevada altitude não foi nada agradável. Caminhar 100 metros era um martírio. Subir um morro, então... Dor de ouvido, ânsia de vômito, cansaço, dor de cabeça, falta de ar... Resolvi não mascar coca para sentir os efeitos na sua plenitude. Descobri que é quase insuportável.
Devido o meu plano de conhecer Villazón ter sido frustrado, economizaria 1 dia no cronograma da viagem caso chegasse em Tilcara à noite. Para isso, deveria “matar” Humahuaca e a Quebrada de Humahuaca no mesmo dia.
Não fiquei muito tempo em La Quiaca e já peguei um ônibus para Humahuaca (El Quiaqueno, 20 pesos), passando pela Quebrada de Humahuaca. No caminho, os efeitos da altitude pioraram, pois o ônibus passa no caminho por altitudes próximas dos 3800 metros. Ainda bem que tinha comigo uma garrafa d'água: foi o que me ajudou a enfrentar o martírio da falta de ar.
A Quebrada de Humahuaca, considerada “Patrimônio Mundial da UNESCO”, é uma região extremamente acidentada nos Andes argentinos. O que dá uma atmosfera incrível, em todos os sentidos. Ao chegar na cidade de Humahuaca (mais ou menos 2940 metros de altitude) foi possível enxergar um pouquinho melhor a grandiosidade natural da Quebrada, já que passando mal no ônibus era meio complicado pensar nisso.
O principal monumento da cidade, “Monumento da Independência”, encontra-se encravado no alto de um morro, cuja vista é sensacional. Ao lado, alguns cactos com até 5 metros de altura, o que era uma novidade para mim.
De Humahuaca, fui para Tilcara (Balut, 6 pesos), cidade escolhida para servir de base de modo a desbravar a Quebrada de Humahuaca e as cidades próximas. Cheguei em Tilcara e fui direto para o HI da cidade. O Hostel é ótimo, mas tenho dois motivos para não recomendar como local de pernoite (apesar de ter sido uma escolha pessoalmente feliz... e explicarei depois o motivo). Em primeiro lugar,
por motivos econômicos: paguei 45 pesos a diária, sendo que uma ida ao balcão de informações turísticas seria suficiente para descobrir que era possível pagar 20 pesos a diária. Mas mesmo assim, outro fator me deixou puto (e ao contrário do
primeiro, não foi por culpa ou ignorância minha): pelo que entendi, os preços do Hostel eram: Alta Temporada (45-50 sem/com café da manhã) Baixa Temporada (35-45 sem/com café da manhã). Inicialmente me foi dado o preço de baixa temporada,
depois me foi dado os preços de alta temporada. Como a diferença sem/com café da manhã nos preços da alta temporada eram pequenos, optei pelo café. Mas, no check-out, me foi cobrado o preço do café da manhã na baixa temporada. Enfim,
foi um erro, minimizado ou esquecido por situações positivas que ocorreram depois e tiveram início neste hostel. Vamos dormir, que estou cansado!
Na habitação compartilhada estavam um italiano e duas inglesas (Hannah e Jessica). Não troquei muitas palavras com eles, apenas um "Hola, qué tal!?". Ao amanhecer do dia 13, enquanto todos faziam seus respectivos check-outs, eu me preparava para conhecer o povoado de Purmamarca, distante 18 kms de Tilcara (várias empresas fazem o trajeto por 3 pesos). Na rodoviária de Tilcara, percebi que as inglesas iriam para Purmamarca também, cheias de bagagem, pois estavam seguindo rumo a Salta, mais ao sul.
Purmamarca tem menos de 1000 habitantes e seria mais um povoado desolado num rincão qualquer dos Andes, não fosse por um detalhe: a existência do Cerro de Siete Colores, acomodação de minerais ao longo de séculos que deram forma a um
mosaico de cores (eu contei mais de 7 cores! RISOS!). É um dos principais cartões postais do noroeste argentino. Atrás do Cerro, existe o Paseo de los Colorados, um caminho de terra com cerca de 3 kms de extensão.
Um parêntese: no Paseo, encontrei as duas inglesas novamente. Ainda não poderia considerar uma coincidência pelo fato de saber que elas estavam na cidade e também pelo fato da cidade ser menor que um ovo.
Pronto: em 3 horas, acabou Purmamarca. Fui em busca da 2ª parte da visitação pela região: descobri que sairia do vilarejo, rumo a um deserto de sal chamado “Salinas Grandes”, uma van turística por 40 pesos. Uma pechincha, pois mataria 2 coelhos com uma cajadada só: conheceria um Salar e também a Cuesta del Lipán (obrigado Grazi, por me fazer ter vontade de conhece-la), estrada que deixa impressionado até mesmo quem conheceu a estrada que cruza a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.
Comi uma pizza (meia-boca), tomei uma cerveja chamada Norte (meia-boca igual) e, enfim, parti para as Salinas Grandes. Já estava suficientemente adaptado à região e à altitude, o que percebi nas paradas para tirar fotos em locais que ultrapassavam os 4000 metros de altitude, ao longo da sinuosa Cuesta del Lipán, perigosa, apesar de bem sinalizada. Do alto, porém, é bela, em conjunto com a paisagem seca e montanhosa dos Andes.
20 minutos e chegamos às Salinas Grandes, um lago que virou deserto de sal. Coruja de Sal, casa de sal... Uma imensidão de sal inconfundível e, literalmente, no meio do nada. O passeio não durou muito tempo; ir e voltar para Purmamarca (distante 55 kms de Salinas Grandes) demorou cerca de 4 horas. Serviu também para conhecer duas salteñas (Laura e Micaela) que já estiveram em Balneário Camboriú e Florianópolis. Laura, inclusive, convidou-me para sua festa de aniversário em Salta, no dia seguinte. Como minha intenção era chegar lá à noite, seria possível minha presença.
De volta à Purmamarca, caminhei os 3 kms que separam a cidade da Ruta 9 (rodovia que corta ao meio o noroeste argentino), tentando carona. 15 minutos, meia-hora, 40 minutos e nada! Nem ônibus, nem carona. Até que um senhor parou o carro
e ofereceu carona. No caminho até Tilcara, descobri que era cordobenho e cantor de Bossa Nova na noite de Córdoba. Ao descobrir que eu era brasileiro, começou a cantar e eu, com a garrafa d'água, fiquei na percussão. hahahahha! Foi tão
legal que ganhei até um chaveiro dele, que também faz artesanato.
No hostel, novos companheiros de noite: uma alemã (Birgit) e um inglês (não decoro nomes de homens, mas o cara é legal. Tanto, que pagou um vinho! hahahahaha). Bebemos o vinho, jogamos conversa fora e fomos dormir.
Domingo (14), tinha por objetivo conhecer uma antiga fortaleza indígena, a “Pukara”, ir até a cidade de Jujuy ainda de manhã e dormir em Salta. Mas era inviável e eu cortei Jujuy do trajeto: sair de Tilcara no domingo para Jujuy é um tanto quanto caótico. Antes de ir até a Pukara, conheci a “Garganta del Diablo” de Tilcara com Birgit. Existem duas formas de chegar até a Garganta: à pé, cerca de 4 kms pelas trilhas que serpenteiam a cadeia de montanhas; de carro, cerca de 8 kms. Inicialmente, iríamos à pé, mas Birgit estava gripada e acabamos indo de taxi (30 pesos, 15 para cada um). O caminho é agradabilíssimo
para quem tem medo de altura: só há espaço na “estrada” para 1 carro; de um lado, há um penhasco esperando, de outro, um morro com pedras caíndo incessantemente. Preciso dizer que sequer olhava para os lados?
Já na “Garganta...”, o medo de altura me impediu de passar por determinados
caminhos, enquanto a alemã se sentia num parque de diversões... que vergonha! hahahahahah Mas foi legal... certeza que eu não faria nada disso se estivesse sozinho. Emendei a ida até a “Garaganta...” com a visita até a Pukara. No entroncamento dos caminhos que levam à Pukara e à Garganta del diablo, despedi-me de Birgit. Mais um 1km de caminhada e chegaria até a Pukara. Oposição completa no que diz respeito a fluxo de pessoas: eram muitos os turistas no local, que pagavam 10 pesos para entrar, taxa que dava direito também a visitar o Museu Etnográfico, no centro da cidade. Assim como a Garganta, com uma belíssima vista da Ruta 9 por entre a cadeia de montanhas.
A caminhada acumulada de quase 10km já deu pra cansar um pouco... mas ainda tinha de chegar em Jujuy, para depois pensar em Salta. Mas como disse anteriormente, abortei essa missão por causa dos horários de ônibus. Quando cheguei na rodoviária (por volta das 13 horas) percebi que o próximo ônibus para Jujuy sairia da cidade às 16 horas. Como demora mais ou menos 3 horas de Tilcara para Jujuy (pouco atrativa turisticamente) e tinha que chegar em Salta no domingo ainda (agora, por causa do aniversário da Laura), descartei a possibilidade de passar pela cidade. Fui direto para Salta (Balut, 30 pesos), distante 190 km de Tilcara, numa viagem “interminável” de 4 horas. Um cata-corno do caralho! hahahahahah... Encontrei no ônibus o Inglês do Hostel que pagou o vinho e fiquei sabendo que ele curte mais Rugby que Futebol. Além disso, estava indo em direção a Córdoba e Rosário encontrar alguns amigos (ingleses e argentinos), que também faziam mochilão pela américa do sul. Algo que me chamou a atenção: o fato de encontrar apenas europeus (vários Ingleses, Franceses, Italianos, Alemães e Suíços (!!!)) e norte americanos fazendo mochilão na região. Sulamericanos, apenas os argentinos provenientes de Cordoba, Santa Fé e Buenos Aires, nos seus carros ou em pacotes turísticos.
Gastos (em Pesos Argentinos):
Dias/Noites (3/2)
Transporte Interurbano 99,00
Transporte Municipal 15,00
Alimentação 71,00
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 103,00
outros 21,00
Total 399,00
Média 133,00
Cheguei em La Quiaca, extremo norte da província de Jujuy, às 7 da manhã, céu escuro, neblina, com certeza abaixo de 0 grau... já disse que estava frio? Pois foi o local que mais passei frio na minha vida, certamente. Pra completar, senti falta da minha touca (provavelmente deixei no ônibus).
Na acanhada rodoviária, todos os não-andinos tinham duas direções: ou estavam indo para a Bolívia, ou estavam voltando da Bolívia. La Quiaca é a porta de entrada (ou saída) principal entre Argentina e Bolívia. Como não tinha tempo (e dinheiro) para desbravar o país vizinho, chegar até La Quiaca foi pensado exclusivamente pela "mística da fronteira". Minha ideia era conhecer a cidade boliviana de Villazón, passear por lá por algumas horas e voltar a La Quiaca. Rapidamente, descobri que não seria uma tarefa fácil: era necessário permanecer 24 horas em solo boliviano para poder sair do país, caso eu quisesse entrar. Pensei até na possibilidade de ficar 2 ou 3 dias, mas jogaria por terra todo o meu cronograma. Pude apenas visualizar o mercado de rua de Villazón estando com meus pés na aduana. Entrar na Bolívia ficaria para outra viagem.
La Quiaca não tem nenhum atrativo. Absolutamente nada! Mas para uma pessoa que nunca viu neve, observar a geada começando a dissipar-se apenas às 11 da manhã, tamanho o frio, era um espetáculo no alto dos mais de 3400 metros de altitude.
Meu primeiro contato com a elevada altitude não foi nada agradável. Caminhar 100 metros era um martírio. Subir um morro, então... Dor de ouvido, ânsia de vômito, cansaço, dor de cabeça, falta de ar... Resolvi não mascar coca para sentir os efeitos na sua plenitude. Descobri que é quase insuportável.
Devido o meu plano de conhecer Villazón ter sido frustrado, economizaria 1 dia no cronograma da viagem caso chegasse em Tilcara à noite. Para isso, deveria “matar” Humahuaca e a Quebrada de Humahuaca no mesmo dia.
Não fiquei muito tempo em La Quiaca e já peguei um ônibus para Humahuaca (El Quiaqueno, 20 pesos), passando pela Quebrada de Humahuaca. No caminho, os efeitos da altitude pioraram, pois o ônibus passa no caminho por altitudes próximas dos 3800 metros. Ainda bem que tinha comigo uma garrafa d'água: foi o que me ajudou a enfrentar o martírio da falta de ar.
A Quebrada de Humahuaca, considerada “Patrimônio Mundial da UNESCO”, é uma região extremamente acidentada nos Andes argentinos. O que dá uma atmosfera incrível, em todos os sentidos. Ao chegar na cidade de Humahuaca (mais ou menos 2940 metros de altitude) foi possível enxergar um pouquinho melhor a grandiosidade natural da Quebrada, já que passando mal no ônibus era meio complicado pensar nisso.
O principal monumento da cidade, “Monumento da Independência”, encontra-se encravado no alto de um morro, cuja vista é sensacional. Ao lado, alguns cactos com até 5 metros de altura, o que era uma novidade para mim.
De Humahuaca, fui para Tilcara (Balut, 6 pesos), cidade escolhida para servir de base de modo a desbravar a Quebrada de Humahuaca e as cidades próximas. Cheguei em Tilcara e fui direto para o HI da cidade. O Hostel é ótimo, mas tenho dois motivos para não recomendar como local de pernoite (apesar de ter sido uma escolha pessoalmente feliz... e explicarei depois o motivo). Em primeiro lugar,
por motivos econômicos: paguei 45 pesos a diária, sendo que uma ida ao balcão de informações turísticas seria suficiente para descobrir que era possível pagar 20 pesos a diária. Mas mesmo assim, outro fator me deixou puto (e ao contrário do
primeiro, não foi por culpa ou ignorância minha): pelo que entendi, os preços do Hostel eram: Alta Temporada (45-50 sem/com café da manhã) Baixa Temporada (35-45 sem/com café da manhã). Inicialmente me foi dado o preço de baixa temporada,
depois me foi dado os preços de alta temporada. Como a diferença sem/com café da manhã nos preços da alta temporada eram pequenos, optei pelo café. Mas, no check-out, me foi cobrado o preço do café da manhã na baixa temporada. Enfim,
foi um erro, minimizado ou esquecido por situações positivas que ocorreram depois e tiveram início neste hostel. Vamos dormir, que estou cansado!
Na habitação compartilhada estavam um italiano e duas inglesas (Hannah e Jessica). Não troquei muitas palavras com eles, apenas um "Hola, qué tal!?". Ao amanhecer do dia 13, enquanto todos faziam seus respectivos check-outs, eu me preparava para conhecer o povoado de Purmamarca, distante 18 kms de Tilcara (várias empresas fazem o trajeto por 3 pesos). Na rodoviária de Tilcara, percebi que as inglesas iriam para Purmamarca também, cheias de bagagem, pois estavam seguindo rumo a Salta, mais ao sul.
Purmamarca tem menos de 1000 habitantes e seria mais um povoado desolado num rincão qualquer dos Andes, não fosse por um detalhe: a existência do Cerro de Siete Colores, acomodação de minerais ao longo de séculos que deram forma a um
mosaico de cores (eu contei mais de 7 cores! RISOS!). É um dos principais cartões postais do noroeste argentino. Atrás do Cerro, existe o Paseo de los Colorados, um caminho de terra com cerca de 3 kms de extensão.
Um parêntese: no Paseo, encontrei as duas inglesas novamente. Ainda não poderia considerar uma coincidência pelo fato de saber que elas estavam na cidade e também pelo fato da cidade ser menor que um ovo.
Pronto: em 3 horas, acabou Purmamarca. Fui em busca da 2ª parte da visitação pela região: descobri que sairia do vilarejo, rumo a um deserto de sal chamado “Salinas Grandes”, uma van turística por 40 pesos. Uma pechincha, pois mataria 2 coelhos com uma cajadada só: conheceria um Salar e também a Cuesta del Lipán (obrigado Grazi, por me fazer ter vontade de conhece-la), estrada que deixa impressionado até mesmo quem conheceu a estrada que cruza a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.
Comi uma pizza (meia-boca), tomei uma cerveja chamada Norte (meia-boca igual) e, enfim, parti para as Salinas Grandes. Já estava suficientemente adaptado à região e à altitude, o que percebi nas paradas para tirar fotos em locais que ultrapassavam os 4000 metros de altitude, ao longo da sinuosa Cuesta del Lipán, perigosa, apesar de bem sinalizada. Do alto, porém, é bela, em conjunto com a paisagem seca e montanhosa dos Andes.
20 minutos e chegamos às Salinas Grandes, um lago que virou deserto de sal. Coruja de Sal, casa de sal... Uma imensidão de sal inconfundível e, literalmente, no meio do nada. O passeio não durou muito tempo; ir e voltar para Purmamarca (distante 55 kms de Salinas Grandes) demorou cerca de 4 horas. Serviu também para conhecer duas salteñas (Laura e Micaela) que já estiveram em Balneário Camboriú e Florianópolis. Laura, inclusive, convidou-me para sua festa de aniversário em Salta, no dia seguinte. Como minha intenção era chegar lá à noite, seria possível minha presença.
De volta à Purmamarca, caminhei os 3 kms que separam a cidade da Ruta 9 (rodovia que corta ao meio o noroeste argentino), tentando carona. 15 minutos, meia-hora, 40 minutos e nada! Nem ônibus, nem carona. Até que um senhor parou o carro
e ofereceu carona. No caminho até Tilcara, descobri que era cordobenho e cantor de Bossa Nova na noite de Córdoba. Ao descobrir que eu era brasileiro, começou a cantar e eu, com a garrafa d'água, fiquei na percussão. hahahahha! Foi tão
legal que ganhei até um chaveiro dele, que também faz artesanato.
No hostel, novos companheiros de noite: uma alemã (Birgit) e um inglês (não decoro nomes de homens, mas o cara é legal. Tanto, que pagou um vinho! hahahahaha). Bebemos o vinho, jogamos conversa fora e fomos dormir.
Domingo (14), tinha por objetivo conhecer uma antiga fortaleza indígena, a “Pukara”, ir até a cidade de Jujuy ainda de manhã e dormir em Salta. Mas era inviável e eu cortei Jujuy do trajeto: sair de Tilcara no domingo para Jujuy é um tanto quanto caótico. Antes de ir até a Pukara, conheci a “Garganta del Diablo” de Tilcara com Birgit. Existem duas formas de chegar até a Garganta: à pé, cerca de 4 kms pelas trilhas que serpenteiam a cadeia de montanhas; de carro, cerca de 8 kms. Inicialmente, iríamos à pé, mas Birgit estava gripada e acabamos indo de taxi (30 pesos, 15 para cada um). O caminho é agradabilíssimo
para quem tem medo de altura: só há espaço na “estrada” para 1 carro; de um lado, há um penhasco esperando, de outro, um morro com pedras caíndo incessantemente. Preciso dizer que sequer olhava para os lados?
Já na “Garganta...”, o medo de altura me impediu de passar por determinados
caminhos, enquanto a alemã se sentia num parque de diversões... que vergonha! hahahahahah Mas foi legal... certeza que eu não faria nada disso se estivesse sozinho. Emendei a ida até a “Garaganta...” com a visita até a Pukara. No entroncamento dos caminhos que levam à Pukara e à Garganta del diablo, despedi-me de Birgit. Mais um 1km de caminhada e chegaria até a Pukara. Oposição completa no que diz respeito a fluxo de pessoas: eram muitos os turistas no local, que pagavam 10 pesos para entrar, taxa que dava direito também a visitar o Museu Etnográfico, no centro da cidade. Assim como a Garganta, com uma belíssima vista da Ruta 9 por entre a cadeia de montanhas.
A caminhada acumulada de quase 10km já deu pra cansar um pouco... mas ainda tinha de chegar em Jujuy, para depois pensar em Salta. Mas como disse anteriormente, abortei essa missão por causa dos horários de ônibus. Quando cheguei na rodoviária (por volta das 13 horas) percebi que o próximo ônibus para Jujuy sairia da cidade às 16 horas. Como demora mais ou menos 3 horas de Tilcara para Jujuy (pouco atrativa turisticamente) e tinha que chegar em Salta no domingo ainda (agora, por causa do aniversário da Laura), descartei a possibilidade de passar pela cidade. Fui direto para Salta (Balut, 30 pesos), distante 190 km de Tilcara, numa viagem “interminável” de 4 horas. Um cata-corno do caralho! hahahahahah... Encontrei no ônibus o Inglês do Hostel que pagou o vinho e fiquei sabendo que ele curte mais Rugby que Futebol. Além disso, estava indo em direção a Córdoba e Rosário encontrar alguns amigos (ingleses e argentinos), que também faziam mochilão pela américa do sul. Algo que me chamou a atenção: o fato de encontrar apenas europeus (vários Ingleses, Franceses, Italianos, Alemães e Suíços (!!!)) e norte americanos fazendo mochilão na região. Sulamericanos, apenas os argentinos provenientes de Cordoba, Santa Fé e Buenos Aires, nos seus carros ou em pacotes turísticos.
Gastos (em Pesos Argentinos):
Dias/Noites (3/2)
Transporte Interurbano 99,00
Transporte Municipal 15,00
Alimentação 71,00
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 103,00
outros 21,00
Total 399,00
Média 133,00
Marcadores:
Argentina,
Bolívia,
Humahuaca,
Jujuy,
Na fronteira...,
Noroeste Argentino,
Purmamarca,
Quebrada de Humahuaca,
Tilcara
Dias 10 e 11: Posadas - San Miguel de Tucumán
Ao iniciar do dia 10, fui à lavanderia pegar a roupa limpa e segui rumo à rodoviária, pois 1 da tarde teria de pegar o ônibus para San Miguel de Tucumán (La Nueva Estrella, 200 pesos). O trajeto Posadas-Tucumán proporcionou meu maior prejuízo na viagem. Em maio, poderia ter comprado pela internet a passagem por 120 pesos. Só que em junho, os preços foram modificados. Dei mole, mas não tinha uma noção de preços... enfim... O ônibus é bom, passei a maior parte da viagem sem ninguém ao lado e tem lanchinho. Ótimo!
Quinta-Feira (11) cheguei em Tucumán bem cedo, coloquei meu mochilão no guarda-volumes, comprei a passagem para La Quiaca de modo a pernoitar dentro do ônibus e economizar uma diária (Balut, 105 pesos). E esperei o dia clarear (no noroeste argentino, por conta do fuso horário ser o mesmo de Buenos Aires, o sol nasce mais tarde) para conhecer a cidade.
Tucumán não é tão atrativa turisticamente quanto outras cidades mais ao norte, como perceberia depois. Quem faz o mesmo trajeto que o meu segue de Posadas diretamente para Salta, ao norte de Tucumán.
No entanto, a cidade é fundamental na história da Argentina por ter sido lá que ocorreu o Congresso que se produziu a Declaração de Independência da Argentina, em 1816. A história de Tucumán confunde-se com a formação da República Argentina. Tucumán também era importante economicamente por fazer a ligação entre Potosi e Buenos Aires, na época da colonização espanhola. Um prato cheio para historiadores, portanto. Talvez o maior atrativo turístico resida no entorno da Plaza Independencia, com a Casa de Gobierno (imponente, porém precisando de reformas), La Catedral, Casa Histórica de la Independência, entre outros pontos interessantes.
Após uma caminhada inicial de reconhecimento da cidade, busquei conhecer os estádios dos dois clubes da cidade: San Martin e Atlético Tucumán. Pela manhã, fui ao estádio do San Martin. Saindo do centro, paguei 7 pesos pelo taxi, pois me disseram que era "muito longe", mas é uma caminhada de 30-40 minutos... quase nada pra quem está de férias. Conheci o do Atlético na parte da tarde. Os estádios são bem distantes um do outro, mas intercalei as visitas conhecendo outros pontos turísticos da cidade. No fim das contas, me pareceu que a estratégia de chegar cedo na cidade e sair dela à noite foi acertada, pois não há muito o que fazer a ponto de pernoitar em Tucumán.
Minhas últimas horas antes de seguir para La Quiaca (o ônibus sairia de Tucumán às 21:00) foram na rodoviária lendo o "El Gráfico" (uma espécie de “Placar” argentina) especial de 90 anos e comendo alguns alfajores. Os alfajores tucumanos são muito bons!
Gastos (em Pesos Argentinos):
Dias/Noites (2/2)
Transporte Interurbano 305,00
Transporte Municipal 8,40
Alimentação 11,20
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 10,50
outros 22,95
Total 448,05
Média 224,03
Quinta-Feira (11) cheguei em Tucumán bem cedo, coloquei meu mochilão no guarda-volumes, comprei a passagem para La Quiaca de modo a pernoitar dentro do ônibus e economizar uma diária (Balut, 105 pesos). E esperei o dia clarear (no noroeste argentino, por conta do fuso horário ser o mesmo de Buenos Aires, o sol nasce mais tarde) para conhecer a cidade.
Tucumán não é tão atrativa turisticamente quanto outras cidades mais ao norte, como perceberia depois. Quem faz o mesmo trajeto que o meu segue de Posadas diretamente para Salta, ao norte de Tucumán.
No entanto, a cidade é fundamental na história da Argentina por ter sido lá que ocorreu o Congresso que se produziu a Declaração de Independência da Argentina, em 1816. A história de Tucumán confunde-se com a formação da República Argentina. Tucumán também era importante economicamente por fazer a ligação entre Potosi e Buenos Aires, na época da colonização espanhola. Um prato cheio para historiadores, portanto. Talvez o maior atrativo turístico resida no entorno da Plaza Independencia, com a Casa de Gobierno (imponente, porém precisando de reformas), La Catedral, Casa Histórica de la Independência, entre outros pontos interessantes.
Após uma caminhada inicial de reconhecimento da cidade, busquei conhecer os estádios dos dois clubes da cidade: San Martin e Atlético Tucumán. Pela manhã, fui ao estádio do San Martin. Saindo do centro, paguei 7 pesos pelo taxi, pois me disseram que era "muito longe", mas é uma caminhada de 30-40 minutos... quase nada pra quem está de férias. Conheci o do Atlético na parte da tarde. Os estádios são bem distantes um do outro, mas intercalei as visitas conhecendo outros pontos turísticos da cidade. No fim das contas, me pareceu que a estratégia de chegar cedo na cidade e sair dela à noite foi acertada, pois não há muito o que fazer a ponto de pernoitar em Tucumán.
Minhas últimas horas antes de seguir para La Quiaca (o ônibus sairia de Tucumán às 21:00) foram na rodoviária lendo o "El Gráfico" (uma espécie de “Placar” argentina) especial de 90 anos e comendo alguns alfajores. Os alfajores tucumanos são muito bons!
Gastos (em Pesos Argentinos):
Dias/Noites (2/2)
Transporte Interurbano 305,00
Transporte Municipal 8,40
Alimentação 11,20
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 10,50
outros 22,95
Total 448,05
Média 224,03
Marcadores:
Argentina,
Noroeste Argentino,
Posadas,
Tucumán
Dia 9: Posadas - Encarnación - Trinidad - Jesus
Terça-Feira (9) começou com minha ida até a lavanderia para deixar toda a roupa suja até então. Os preços são geniais: com 10 ou 12 pesos, era possível lavar muita roupa! Continuei caminhando pela cidade, conhecendo (por fora) os prédios históricos, os museus, o mercado público... mas com um azar sem precedentes: quase
todos os prédios estavam em obras ou tornava-se impraticável tirar fotos por obras que ocorriam na rua ou nas praças da cidade, caso emblemático da Plaza 9 de Julio.
Feito isso (é tudo muito rápido, pois a cidade não tem muito pra ver...), desloquei-me do mercado público até ao ponto de ônibus internacional Posadas-Encarnacion (o mercado público e o ponto de ônibus estão nas extremidades de uma avenida (ver avenida) e no caminho é possível passar por 2 museus. Vale a pena a caminhada). Descontando o fato dos ônibus sempre andarem lotados, nada de mais grave é identificado... O ônibus tem uma parada na rodoviária de Encarnacion, que é de onde desloquei-me para as ruínas jesuíticas de Trinidad e Jesus.
Antes de conhecer as reduções paraguaias, era necessário trocar os reais que tinha comigo (levava R$ 100 para alguma emergência durante o dia). Pareceu fácil trocar reais por guaranis na rua, com pessoas que fazem o cambio. Mas resolvi procurar uma casa de cambio legalizada, o que se mostrou bem complicado em Encarnacion: no único que encontrei, distante 4 quadras da rodoviária, só era possivel trocar o
mínimo de 50 reais, o que no câmbio do dia era o equivalente a bagatela de 119 mil guaranis. Me senti rico!
Voltando até a rodoviária, percebi que gastar os 50 reais, transformados em 119 mil guaranis, seria uma tarefa bastante complicada. Para início de conversa,
a passagem entre Encarnación e Trinidad (distante cerca de 30 kms) custava 6 mil guaranis (cerca de R$ 2,50). No ônibus, conheci uma americana do Oregon (não lembro o nome dela...) que estava fazendo um mochilão pelo Paraguai (provavelmente, parte de um mochilão por toda a América do Sul). Acabou que tornou-se uma bela companhia (em todos os sentidos).
Confesso que não levava muita fé no potencial desta parte da viagem (apesar de ter ouvido apenas posicionamentos positivos das ruínas paraguaias). Não obstante, tão logo é possível avistar o sítio de Trinidad (as ruas em volta parecem as da minha casa, em Itaboraí), não tem como não ser conduzido pelo clima bucólico e tranquilo, associado à imponência das ruínas. É parada obrigatória para quem deseja conhecer um pouco da história da América do Sul. A nossa Acrópolis? Pode até ser um exagero. Infelizmente, mantém-se desconhecida, já que não havia nenhuma pessoa visitando-o no momento em que estava lá. E tudo isso distante 4 horas de Ciudad del Este...
De Trinidad para Jesus são mais 12 kms. Existem ônibus ligando a ruta com as ruínas de Jesus, mas pelo que percebi, não vale a pena esperar. O ideal é pegar um "taxi". Mas negocie o preço, pois os caras vão querer tirar o seu couro. Como eu estava acompanhado da americana, nem deu pra enganar que não éramos turistas. Inicialmente, o taxista queria cobrar 30 mil guaranis por pessoa ida e 30 mil volta. Fiz a minha proposta: 40 mil ida e volta pros dois. De 60 mil, acabei rachando o taxi com a americana e pagando 20 mil (mais ou menos 9 reais), o que ainda era bem caro, pelo menos o dobro do preço cobrado normalmente pelo taxista. Não há de ser nada... tava com guaranis sobrando mesmo!
As ruínas de Jesus não são tão impactantes quanto São Miguel, San Ignacio Mini e (principalmente) Trinidad, em grande parte pelo fato de não ter tantas inscrições nas suas paredes e da igreja ter sido a única que não foi completada. Mas não dá pra não se contaminar pela tranquilidade. É algo que não é possível mensurar ou
passar para o papel, traduzir em palavras: tem que viver, que presenciar o local. Trinidad e Jesus, pra não ficar sendo repetitivo, são fundamentais e de visita obrigatória para quem puder conhecer. E uma tarde também é o suficiente para conhecer as ruínas jesuíticas paraguaias. E tanto para entrar em Trinidad quanto em Jesus, me foi cobrado 5 mil guaranis.
Voltando até Encarnacion e despedindo-me da americana (e não aconteceu nada, antes que perguntem...), tinha ainda algumas horas de sol para tentar conhecer a cidade. Fui no tato total, caminhando pelas ruas próximas ao Rio Paraná, abandonadas à sujeira e ao lixo, com cheiro de mijo e, por entre as calles, pessoas que tentavam viver, organizando seu local de trabalho, tentando limpar e dar vida aos pequenos espaços. No caminho, descobri um campo de futebol, de propriedade da Liga Encarnacena de Fútbol. Um típico galinheiro, oásis para quem gosta do futebol alternativo, longe do mainstream. Ferrugens e focos da dengue (um problema exportado do Brasil para Paraguai e Argentina) eram regra!
Por entre o esgoto e observando pessoas lavarem seus carros com a água do Rio Paraná, observava o magnífico pôr do sol do Chaco, talvez o mais bonito que vi. Fotos tiradas, voltei para a rodoviária, ainda com cerca de 83 mil guaranis (ou 35 reais) no bolso. dá pra dizer com segurança que é possível sobreviver em Encarnacion (e imagino, pelo Paraguai) com 25 reais (fora a hospedagem, que não deve passar de 20 reais), o que é muito pouco.
Para conseguir gastar o dinheiro que sobrou, comprei uma bolsa de viagem grande por 42 mil guaranis e comi uma janta de patrão por cerca de 25 mil guaranis, próximo da rodoviária. Voltei para Posadas pelo mesmo ônibus internacional (pagando em guaranis, para me desfazer do que sobrou) e preparei a bagagem para
encarar a viagem até Tucumán.
Gastos (em Guaranis):
Dias/Noites (1/1)
Transporte Interurbano 37000 (ALÉM DE 4,40 PESOS ARGENTINOS)
Transporte Municipal 0
Alimentação 34000
Hospedagem 0
Noitada 0
Turismo 5000
outros 42000
Total 118000 (+4,40 PESOS ARGENTINOS)
Média 118000 (+4,40)
todos os prédios estavam em obras ou tornava-se impraticável tirar fotos por obras que ocorriam na rua ou nas praças da cidade, caso emblemático da Plaza 9 de Julio.
Feito isso (é tudo muito rápido, pois a cidade não tem muito pra ver...), desloquei-me do mercado público até ao ponto de ônibus internacional Posadas-Encarnacion (o mercado público e o ponto de ônibus estão nas extremidades de uma avenida (ver avenida) e no caminho é possível passar por 2 museus. Vale a pena a caminhada). Descontando o fato dos ônibus sempre andarem lotados, nada de mais grave é identificado... O ônibus tem uma parada na rodoviária de Encarnacion, que é de onde desloquei-me para as ruínas jesuíticas de Trinidad e Jesus.
Antes de conhecer as reduções paraguaias, era necessário trocar os reais que tinha comigo (levava R$ 100 para alguma emergência durante o dia). Pareceu fácil trocar reais por guaranis na rua, com pessoas que fazem o cambio. Mas resolvi procurar uma casa de cambio legalizada, o que se mostrou bem complicado em Encarnacion: no único que encontrei, distante 4 quadras da rodoviária, só era possivel trocar o
mínimo de 50 reais, o que no câmbio do dia era o equivalente a bagatela de 119 mil guaranis. Me senti rico!
Voltando até a rodoviária, percebi que gastar os 50 reais, transformados em 119 mil guaranis, seria uma tarefa bastante complicada. Para início de conversa,
a passagem entre Encarnación e Trinidad (distante cerca de 30 kms) custava 6 mil guaranis (cerca de R$ 2,50). No ônibus, conheci uma americana do Oregon (não lembro o nome dela...) que estava fazendo um mochilão pelo Paraguai (provavelmente, parte de um mochilão por toda a América do Sul). Acabou que tornou-se uma bela companhia (em todos os sentidos).
Confesso que não levava muita fé no potencial desta parte da viagem (apesar de ter ouvido apenas posicionamentos positivos das ruínas paraguaias). Não obstante, tão logo é possível avistar o sítio de Trinidad (as ruas em volta parecem as da minha casa, em Itaboraí), não tem como não ser conduzido pelo clima bucólico e tranquilo, associado à imponência das ruínas. É parada obrigatória para quem deseja conhecer um pouco da história da América do Sul. A nossa Acrópolis? Pode até ser um exagero. Infelizmente, mantém-se desconhecida, já que não havia nenhuma pessoa visitando-o no momento em que estava lá. E tudo isso distante 4 horas de Ciudad del Este...
De Trinidad para Jesus são mais 12 kms. Existem ônibus ligando a ruta com as ruínas de Jesus, mas pelo que percebi, não vale a pena esperar. O ideal é pegar um "taxi". Mas negocie o preço, pois os caras vão querer tirar o seu couro. Como eu estava acompanhado da americana, nem deu pra enganar que não éramos turistas. Inicialmente, o taxista queria cobrar 30 mil guaranis por pessoa ida e 30 mil volta. Fiz a minha proposta: 40 mil ida e volta pros dois. De 60 mil, acabei rachando o taxi com a americana e pagando 20 mil (mais ou menos 9 reais), o que ainda era bem caro, pelo menos o dobro do preço cobrado normalmente pelo taxista. Não há de ser nada... tava com guaranis sobrando mesmo!
As ruínas de Jesus não são tão impactantes quanto São Miguel, San Ignacio Mini e (principalmente) Trinidad, em grande parte pelo fato de não ter tantas inscrições nas suas paredes e da igreja ter sido a única que não foi completada. Mas não dá pra não se contaminar pela tranquilidade. É algo que não é possível mensurar ou
passar para o papel, traduzir em palavras: tem que viver, que presenciar o local. Trinidad e Jesus, pra não ficar sendo repetitivo, são fundamentais e de visita obrigatória para quem puder conhecer. E uma tarde também é o suficiente para conhecer as ruínas jesuíticas paraguaias. E tanto para entrar em Trinidad quanto em Jesus, me foi cobrado 5 mil guaranis.
Voltando até Encarnacion e despedindo-me da americana (e não aconteceu nada, antes que perguntem...), tinha ainda algumas horas de sol para tentar conhecer a cidade. Fui no tato total, caminhando pelas ruas próximas ao Rio Paraná, abandonadas à sujeira e ao lixo, com cheiro de mijo e, por entre as calles, pessoas que tentavam viver, organizando seu local de trabalho, tentando limpar e dar vida aos pequenos espaços. No caminho, descobri um campo de futebol, de propriedade da Liga Encarnacena de Fútbol. Um típico galinheiro, oásis para quem gosta do futebol alternativo, longe do mainstream. Ferrugens e focos da dengue (um problema exportado do Brasil para Paraguai e Argentina) eram regra!
Por entre o esgoto e observando pessoas lavarem seus carros com a água do Rio Paraná, observava o magnífico pôr do sol do Chaco, talvez o mais bonito que vi. Fotos tiradas, voltei para a rodoviária, ainda com cerca de 83 mil guaranis (ou 35 reais) no bolso. dá pra dizer com segurança que é possível sobreviver em Encarnacion (e imagino, pelo Paraguai) com 25 reais (fora a hospedagem, que não deve passar de 20 reais), o que é muito pouco.
Para conseguir gastar o dinheiro que sobrou, comprei uma bolsa de viagem grande por 42 mil guaranis e comi uma janta de patrão por cerca de 25 mil guaranis, próximo da rodoviária. Voltei para Posadas pelo mesmo ônibus internacional (pagando em guaranis, para me desfazer do que sobrou) e preparei a bagagem para
encarar a viagem até Tucumán.
Gastos (em Guaranis):
Dias/Noites (1/1)
Transporte Interurbano 37000 (ALÉM DE 4,40 PESOS ARGENTINOS)
Transporte Municipal 0
Alimentação 34000
Hospedagem 0
Noitada 0
Turismo 5000
outros 42000
Total 118000 (+4,40 PESOS ARGENTINOS)
Média 118000 (+4,40)
Marcadores:
Argentina,
Missiones,
Missões Jesuíticas,
Paraguai,
Posadas,
Rio Paraná
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