quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Contabilidade da viagem

Brasil, Uruguai e Paraguai (10 dias):
(Valores em Reais)

Passagens 473,48
Alimentação 115,55
Hospedagem 80,40
Diversão 50,15
Locomoção Municipal 44,03
(Taxi, ônibus, metrô, trem...)
Outros 23,50

Total 787,11



Argentina (9 dias):
(Valores em Reais)

Passagens 185,66
Alimentação 165,47
Hospedagem 143,00
Diversão 79,40
Locomoção Municipal 43,79
(Taxi, ônibus, metrô, trem...)
Outros 84,68

Total 702,00



Total Geral (19 dias):
(Valores em Reais)

Passagens 659,14
Alimentação 281,02
Hospedagem 223,40
Diversão 129,55
Locomoção Municipal 87,82
(Taxi, ônibus, metrô, trem...)
Outros 108,18

Total 1489,11



Eu também gastei um total de 285 reais com "supérfluos" (Alfajor e equipamentos para a máquina digital), que não entram nos gastos, pois não eram necessários para executar a viagem... Portanto, se quiser fazer compras, calcule por fora dos dados acima.

DIAS 18 e 19: Puerto Iguazu - Foz do Iguaçú - Florianópolis

No meu planejamento refeito após perceber que não poderia visitar Salta (que espero visitar um dia!) sem comprometer meus trabalhos pendentes da universidade, desejava passar por Joinville antes de chegar em Floripa. Mas alguns contratempos prejudicaram essa minha vontade. Não esperava ficar 1 dia a mais em Puerto Iguazu, por exemplo. Eu não tinha a possibilidade de contar com imprevistos, dado o cronograma apertadíssimo, mas aconselho a quem viajar, fazer um cronograma o mais frouxo possível, contando com imprevistos.
Tinha viagem marcada para Curitiba meio-dia e, antes disso, deveria pegar minhas roupas na lavanderia (motivo pelo qual não viajei no dia anterior para Joinville...). Acordei bem cedo e fui até a lavanderia, recebi minhas roupas e evitei discutir com o coroa que me atrapalhou bonito... Fazer o quê? Águas passadas não removem moínhos... tinha de continuar minha caminhada.
Cheguei em Foz 10 da manhã, resolvi uns probleminhas bancários e fui para a rodoviária, esperar o ônibus que me levaria a Curitiba. Posteriormente, pegaria um ônibus que me levaria até Floripa. O ônibus (Catarinense - 101 reais) era confortável, mas isso não queria dizer nada: 2 horas após sair de Foz, o maldito me quebra e me atrasa em 2 horas a viagem. Comecei a ficar preocupado, pois não sabia o horário da chegada em Curitiba. Dependendo, poderia amargar uma noite inteira na rodoviária da capital paranaense. Na real, eu já estava desesperado pra chegar em casa pois, na prática, a viagem havia acabado.
Cheguei em Curitiba às 23 horas e 30 minutos de segunda-feira. O atraso me fez perder o ônibus pra Florianópolis que saiu às 23h15m. O próximo só sairia 1h (Catarinense - 41 reais) da manhã de terça-feira. Ao menos, chegaria com o sol nascendo, melhor do que chegar na alta madrugada.
Durante praticamente toda a viagem de Foz até Floripa fiquei dormindo: reflexo do cansaço, talvez. O ônibus chegou no terminal Rita Maria às 5h30m, ainda com o céu quase todo escuro. Terminava então uma viagem que, se não foi possível atingir tudo o que esperava, foi maravilhosa no que pude absorver e conhecer. Foi possível resolver algumas questões do meu passado e abrir perspectivas de viagens futuras...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

DIA 17: Puerto Iguazu - Ciudad del Este

Ciudad del Este, capital sulamericana da muamba! Uma das cidades mais famosas do continente, não tanto pelas suas "belezas naturais"(?), mas pelo seu povo hospitaleiro, principalmente se você estiver com uns dólares no bolso ou com um cartão de crédito internacional...
No sábado, quando me dirigia à rodoviária de Foz, pude presenciar um engarrafamento gigantesco, tanto de carros, quanto de pedestres. No domingo, entretanto, estava mais tranquilo para fazer umas comprinhas. O horário ideal para ir até Ciudad del Este é pela manhã, uma vez que as lojas fecham cedo (por volta das 16 horas). Também me foi recomendado pelo setor turístico de Foz a não levar objetos de valor. Isso acabou me facilitando na própria aduana. Inclusive, recomendo a quem for comprar algo em Ciudad del Este a fazer o mesmo.
Minha primeira impressão da travessia pela Ponte da Amizade foi de surpresa ao me atentar para um detalhe: milhares de telas de proteção, sobrepostas umas às outras, para evitar que os objetos comprados no Paraguai fossem jogados no matagal do lado brasileiro... É impressionante mesmo! A bagunça que é descrita no guia de viagem parece ser super estimada, pelo menos para quem está acostumado com o SAARA ou a Uruguaiana. Os preços são realmente convidativos: minha máquina, que foi comprada por 380 reais no mercado negro e nas lojas do Rio de Janeiro custa mais ou menos 700 reais, pode ser encontrado no Paraguai por 170 dólares! Baratíssimo! Mas a cidade é só pra isso: comprar muamba!
Abastecido que estava, voltei para Puerto Iguazu. Queria ir até o Marco das Tres Fronteiras, pois o ônibus que me levaria de Foz até Curitiba, sairia às 9 da noite. O visual do Marco é muito bonito (dizem que, do lado brasileiro, a vista é mais bonita, porém mais perigosa) e, no lado argentino, bastante tranquilo. Do Hostel são mais ou menos 20 minutos caminhando pelas calles desertas de uma cidade quase fantasma. Fiquei pouco tempo e voltei para o Hostel. Despedi-me do pessoal que conheci e fui até a lavanderia pegar minhas roupas... mas você acha que eu encontrei aberta? O desgraçado do dono da lavanderia disse que abriria no domingo! Me ferrei bonito... Mas tinha uma viagem marcada! O que fazer nesse momento: deixar a roupa e pegar outro dia, ou remarcar a viagem? E se eu não conseguisse remarcar pro dia seguinte?? Essas dúvidas ficaram martelando na minha cabeça, enquanto eu me deslocava pra Foz... Consegui remarcar a viagem pro dia seguinte (às 12 horas) e voltei para Puerto Iguazu (perdi a conta das vezes que me desloquei entre Brasil e Argentina... o guarda chegou a me perguntar o motivo pelo qual eu cruzava a fronteira tanto.. heehehehhe), mas não tinha mais vagas no HI. Sorte que um hostel perto estava vazio e cobrava 35 pesos. Ótimo! O necessário para passar a noite, esperar a lavanderia abrir e ir pra casa... Nada como um imprevisto para carimbar a viagem.

DIA 16: Puerto Iguazu - Foz do Iguaçú

Sábado, 19 de julho! Enfim, chegava até a Tríplice Fronteira!!! Passavam das 7 da manhã, quando o ônibus estacionou no terminal de omnibus. O terminal é pequeno, porém muito bonito e privilegia uma arquitetura que combine com a paisagem verde do local... É inevitável perceber a quantidade (e o tipo) de turistas que procuram a cidade, numa mudança drástica em relação às cidades de Rosário, Córdoba e (principalmente) a dupla Corrientes-Resistência: alguns jovens europeus e da América Anglo-Saxônica mas, notadamente, senhoras e senhores, em grupos, vindo de várias partes da Argentina.
Como sempre, eu não tinha reserva em albergue e foi ao HI. Existem 2 HI´s em Puerto Iguazu: um próximo da rodoviária e outro próximo das cataratas. Seguindo a minha tática de ficar o mais próximo possível do terminal, escolhi o HI da Av. Guarani (diária - 33 pesos; fica a 1 quadra da rodoviaria... molinho de achar!). Apesar de ser um fim de semana, não foi tão complicado encontrar vaga, apenas tive de esperar até às 10 da manhã para ocupar o quarto. Enquanto isso, fui até a lavanderia, pois precisava lavar a maior parte das minhas roupas. Essa idéia iria me trazer alguns problemas no futuro...
Puerto Iguazu não tem muitos atrativos. Seria apenas uma cidade a mais no interior argentino, não fosse a aproximação com o Brasil e com as cataratas. Com boa vontade, podemos colocar o Marco das Tres Fronteras como ponto turístico. Portanto, se você quer se hospedar na tríplice fronteira para conhecer suas belezas naturais e deseja fazer uma noitada, ou algo do tipo, não fique em Puerto Iguazu. Mas, se você quer preços baixos e tranquilidade, este é o lugar!
Puerto Iguazu também é excelente como ponto estratégico para conhecer as Cataratas, Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, pois existem ônibus que ligam o terminal da cidade até estes pontos, por preços convidativos (5 pesos até as cataratas, 3 pesos até Foz ou Ciudad del Este). Mas atenção: tenha sempre notas de Pesos no bolso para pagar as passagens, pois compensa muito mais do que pagar em Real.
Tão logo hospedado na cidade, fui até Foz para comprar a passagem para Florianópolis. No entanto, só consegui passagem até Curitiba... Esse é um problema de se passar o fim de semana na região: as passagens são rapidamente compradas pelos sacoleiros. Portanto, seja rápido na compra das passagens...
Não fiquei muito tempo em Foz; queria aproveitar o dia para ir até as Cataratas del Iguazu... Cheguei 3 da tarde e me deparei com uma invasão brasileira, muitos dos quais senhores de idade e casais... um tipo de turista diferente do encontrado em Buenos Aires. Andei bem rápido e consegui conhecer 2/3 do parque em 3 horas, mas a dica é ficar pelo menos umas 6 horas no parque para conhecer tudo com calma, pois vale (e muito) a pena. O parque é lindo e dá medo da Garganda del Diablo! É um cenário sensacional, que "pagou" a viagem, sem dúvida alguma! Aproveite pra comprar algumas caixas de Havanna se não for desbravar outras regiões da Argentina.
Voltei para o Hostel, com a intenção de descansar. Mas, num piscar de olhos, estava numa mesa cheia de Quilmes com um basco, uma belga, uma hondurenha, uma mexicana, um irlandês, um francês e um chinês de Taiwan! Imagine a salada linguística!! Fiquei nessa até 1 da manhã, pois o domingo era dia de comprar muamba!!!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

DIA 15: Corrientes - Resistencia

O ônibus que me levou de Cordoba até Corrientes (Viação El Practico - 12hrs - 130 pesos) era extremamente confortável, com jantar e café da manhã. Aos que podem gastar um pouco mais, acho que vale a pena, mas não sei se o custo benefício é válido em todos os casos. Vale a pena conferir outras companhias com preços (e serviços) menores.
A chegada em Corrientes estava prevista para 7 da manhã. Pouco antes da chegada, na ponte que liga as cidades de Corrientes e Resistencia (divididas pelo Rio Paraná), a visão fabulosa do nascer-do-sol! Poucas vezes vi algo tão lindo! Consegui tirar várias fotos do sol nascendo, pois fui despertado pelo vermelho do céu, refletido no vidro do ônibus. Uma das melhores imagens que presenciei nessa viagem!
Quanto a cidade como um todo... bem... não há muito o que se fazer em Corrientes. Minha idéia nesse dia era "conhecer" Corrientes e Resistencia, tendo em Corrientes um posto avançado para seguir viagem. Mas, ao chegar na cidade, percebi que apenas o único atrativo era o centro da cidade estar perto do Rio Paraná (ao contrário do centro de Resistencia, distante 30 minutos do rio). A cidade em sí não tem nada que chame a atenção, tornando se dispensável uma estadia maior do que 1 dia. Até mesmo o centro da cidade, relativamente movimentado, fica às moscas na hora da sesta. Inclusive, eu levei um susto ao me atentar pra este fato: quando parei pra almoçar, ao meio-dia, as peatonais ainda estavam movimentadas. Meia hora depois, quando acabei o almoço, não havia uma viv'alma pra contar a história...
Existe um ônibus que liga o centro de Corrientes até o centro de Resistencia. Pegue esse ônibus se quiser fazer o trajeto entre as duas cidades. Como eu não sabia disso, na ida retornei à rodoviária de Corrientes, para então seguir até Resistencia. O ônibus é o 103... mas existem 3 trajetos diferentes pra mesma linha. PERGUNTE AO MOTORISTA se passa pelo terminal de ômnibus... Como eu também não sabia disso, peguei o primeiro que passou. E não cheguei na rodoviária!
Quando o ônibus saiu do trajeto que ligaria até a Av. Maipu (onde se localiza o terminal de ômnibus), rapidamente pedi pra descer do coletivo. Entre o local que desci e a Avenida Maipu, deveria andar 4 quadras. No meio do caminho, contudo, me deparo com o estádio do Huracán, clube da cidade. Mais uma visita em estádio pro meu currículo! Foi o melhor 1 peso jogado fora da viagem, com certeza...
O calor era absurdamente infernal... talvez, o dia mais quente que eu peguei na viagem, passando fácil dos 30 graus. Portanto, foi um alívio quando cheguei no terminal e entrei no ônibus que me levaria a Resistencia (com ar condicionado). Chegando em Resistencia, me lamentei por ter ficado mais tempo em Corrientes, pois a cidade é maior e mais agradável para se visitar, principalmente para contemplar as centenas de esculturas existentes nas calles de forma aleatória. A cidade tem mais estrutura do que Corrientes e, pra meu desespero, no dia seguinte começaria a bienal de esculturas. Resistencia é totalmente recomendada pra artistas plásticos e pessoas que curtem esculturas.
A minha passagem para Puerto Iguazu estava marcada para 9 da noite, saindo de Corrientes. Na volta de Resistencia para Corrientes, já utilizei o ônibus que liga o centro das duas cidades. Porém, esse ônibus não passa pela rodoviária de Corrientes. Dessa forma, eu tive que pegar o 103 do centro até a rodoviária. Agora, era encarar mais 9 horas de viagem até Puerto Iguazu (Viação Rio Uruguai - 65 pesos)... o Brasil estava mais perto...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

DIA 14: Cordoba - Alta Gracia

Acordei às 9 da manhã, influenciado pela noitada anterior. Meus objetivos nesse dia eram 2: visitar algum estádio de futebol em Cordoba e ir até a cidade de Alta Gracia, distante 1h de Cordoba. Tudo isso até às 7 horas da noite, quando sairia o ônibus rumo à Corrientes.
Como em todas as vezes que deveria viajar no período da noite, deixei o mochilão no terminal de omnibus, porque sairia mais barato do que pagar meia-diaria ou a diária completa. De lá, fui até o campo do Talleres, clube de Cordoba que está na segunda divisão argentina e foi campeão da Copa Conmebol. O estádio é de médio porte e afastado da parte central da cidade. Gostei muito de conhecê-lo, todavia. Não sei se já comentei, mas visitar estádios é uma forma de conhecer uma parte "invisível" para nós, turistas, da cidade visitada. Caminhar pelas ruas circunvizinhas, normalmente tranquilas e de aspecto "suburbano" foi um dos meus passatempos prediletos.
Nem sempre as informações que você consegue são fidedignas... mesmo em orgãos oficiais. O ônibus que utilizei para ir ao estádio encontrava-se na página oficial do clube, mas tive de andar cerca de 20 minutos do pontos de ônibus até o estádio, tamanha a distância. Isso me preocupou, por tinha pouco tempo e queria conhecer o museu do Che (a casa em que ele passou a infância), em Alta Gracia.
Tão logo terminei a visitação ao estádio do Talleres, segui em direção ao terminal, para de lá seguir até Alta Gracia. Passavam das 13 horas e o desespero batia, pelo pouco tempo disponível. Quando cheguei na cidade, senti um mar de tranquilidade, com vista para os imponentes morros que são integrantes das Serras de Cordoba.
Alta Gracia me pareceu uma cidade cujas pessoas gozam de um padrão de vida relativamente bom, com casas bonitas, ruas arborizadas, um lago artificial que é o ponto de integração da população nos fins de semana... Uma cidade pequena e sem grandes atrativos...
Me dirigi até o Museo Del Che Guevara e por lá fiquei cerca de 30 minutos. Até certo ponto, o museu é decepcionante por manter poucas coisas que remetam à figura de Che Guevara. Vale muito pelo simbolismo, mas não vá esperando algo demasiado grandioso.
Antes de continuar a caminhada, fui almoçar num dos pouquíssimos restaurantes existentes na cidade (cuidado com o horário da sesta, pra não passar fome!). Em seguida, conheci as ruínas da estância jesuítica que foi construída em Alta Gracia, no século 17. É uma aula de história e causa impacto, sem dúvida. Parada obrigatória aos que estiverem na cidade.
Quando voltei até Cordoba, me restava tão somente aguardar o ônibus que me levaria para a próxima cidade, Corrientes. Chegaria ao coração do Chaco argentino, mais próximo do Brasil do que de Buenos Aires...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

DIA 13: Cordoba

Às 5h 30m da manhã do dia 16 de julho, eu chegava em Cordoba. Não imaginava, quando do planejamento da viagem, que esta seria a cidade mais a oeste da Argentina que eu iria visitar. Mas, compromissos da faculdade me forçaram a mudar completamente meus planos.
O ônibus em que viajava ligava Rosario e Catamarca, no noroeste argentino. Alguma força inexplicável me acordou quando o ônibus parou em Cordoba e eu só percebi que estava em Cordoba e que o ônibus ainda seguiria viagem, por uma perspicácia que só se adquire fazendo esse tipo de viagem. Eu não tinha noção da merda em que eu iria me meter se não acordasse e não tivesse a iniciativa de perguntar onde estava.
Como cheguei muito cedo, esperei o sol dar o ar da graça. O relógio avançava: 6 horas; 6 e 30; 7 horas; 7 e 15... e nada do sol nascer! Assim que o balcão de turismo abriu (às 7 horas), peguei o mapa e fui desbravar a cidade com medo... foi a única vez que senti um clima ruim... Não pela cidade em si, mas pelo fato de ser uma cidade grande e ainda estar escuro. Era a primeira vez que eu chegava à noite numa cidade desconhecida.
Um parêntese: com exceção de Buenos Aires, os terminais rodoviários tem a figura do carregador de bagagem que cobra uma "propina" (gorjeta). Mas essa gorjeta é considerada uma obrigação até certo ponto chata e deselegante pra quem é de fora do país e não está acostumado com o modus operandi. Fiquei pensando se não seria mais interessante esses caras serem contratados pelos terminais, para desse modo deixar de cobrar a "propina". Mas eles devem tirar uma excelente grana nisso e não aceitariam mudar sua situação, imagino. Mas o fato é que, por causa de 25 centavos, uma antipatia desnecessária do turista para com a cidade pode ser alimentada. De todo modo, ande sempre com alguma moeda no bolso. Nada muito alto: 25 centavos de peso é mais do que o suficiente!
Cheguei ao HI às 8 da manhã. Ainda escuro! O atendimento é bom, mas me decepcionei com 3 fatores: uma cobrança de 10 pesos, como se fosse uma espécie de seguro (do que eu não sei!), que seria devolvido na minha saída do hostel; o preço (33 pesos - o mais caro da rede HI que frequentei) e as condições dos dormitórios (o quarto "com banheiro privado", na verdade, era dividido com mais 9 pessoas...). Enfim, HI em Cordoba apenas em último caso.
O Hostel em que me hospedei ficava próxmo a Plaza España e ao Parque Sarmiento. Foi por lá que iniciei minha caminhada. Próximo a estes pontos turísticos, descobri o Museo de Antropologia (da Universidade de Cordoba), na Av. Hipólito Yrigoyen, e segui até a Plaza San Martin, que estava lotada. A cidade tem uma vitalidade incrível! Encantador...
Na Plaza San Martin, localizam-se o Cabildo (um prédio branco imponente), a Catedral e a Iglesia de Las Carmelitas Descalzas. Cordoba tem uma influência fortíssima da Igreja Católica, assim como é verificável na região nordeste da Argentina. Muitas referências à Itália também são encontradas em Cordoba, numa proporção superior ao que vi em qualquer outra cidade argentina.
À noite, saí para dar uma caminhada pela cidade e conhecer a agitação universitária, famosa no país todo. Não lembro a boite onde fui! Só sei que gastei 30 pesos, para tomar 3 garrafas de Quilmes e pagar a entrada. Não muito caro, comparado aos gastos noturnos de Buenos Aires. Assim como ocorreu em Montevideo, sai acompanhado do pessoal que estava no hostel. Acho válido, principalmente para quem não conhecia nada da vida noturna da cidade (como era o meu caso), que aprovei com louvor!

DIA 12: Rosario - Santa Fé

Acordei às 7 da manhã e fiz o check-out no hostel onde estava, com o seguinte objetivo: conhecer as cidades de Santa Fé e Paraná no mesmo dia. Santa Fé e Paraná são cidades vizinhas, separadas pelo rio Paraná e capitais de províncias (Santa Fé e Entre Rios, respectivamente).
Eu, na minha tresloucada inocência, imaginava ser possível concluir tal empreitada: Entre Rosario e Santa Fé, demoraria 2h 30m de viagem; entre Santa Fé e Paraná, 1h aproximadamente. "Perfeito: tudo perto!", pensei. Mas, por motivos financeiros, eu resolvi abortar a viagem até Paraná. No guia de viagem, sequer a cidade era mencionada e, me levou a crer, que era pouco atraente, ainda mais se pensarmos que eu iria gastar um total de 50 pesos para pagar as passagens de ida e volta entre Santa Fé e Paraná. A capital de Entre Rios saiu do circuito nesse momento.
O ônibus que ligava Rosario a Santa Fé saiu da Rodoviária às 8 da manhã (empresa Tata Rapido - 23 pesos. Transporte honesto, nota 6). Antes, porém, fiz uma parada estratégica no guarda volumes da rodoviária, bastante útil (e mais barato) para quem quer conhecer determinada cidade em 1 dia apenas e não deseja pagar hostel. A chegada na cidade ocorreu às 10h30m, sem maiores transtornos. Viagem tranquila!
Eu já fui pra Santa Fé sabendo que não havia muito o que ver na cidade. Mas eu fiquei fascinado quando, na entrada da cidade, vi o estádio do Colón. Engraçado que você acaba esquecendo da existência de muitos times e, de repente, se vê diante dos estádios... mas o Colón é papo pra depois.
O terminal rodoviário fica no sul da cidade, porém próximo dos principais pontos interessantes de visitação. Eu destacaria a Casa del Gobierno (um palácio imponente!), Plaza 25 de mayo (uma das praças mais bonitas e bucólicas que conheci na viagem...), Museu Etnográfico Juan de Garay (passei a me interessar pela história dos jesuitas ao conhecer esse museu. Foi aí que caiu a ficha da similitude entre o trajeto dos jesuitas e o meu trajeto na viagem...) e Plaza San Martin. Como sempre, percorrendo a pé e conhecendo a cidade.
Enquanto Buenos Aires fervia com a disputa entre partidários e opositores ao governo de Cristina Kirchner, minha cabeça e minhas pernas ferviam com o calor absurdo de Santa Fé. Inacreditavelmente, apenas 27 graus no termômetro, mas com sensação térmica passando dos 30, fácil.
O ponto final era o estádio do Colón, na entrada da cidade (não muito distante da rodoviária e do centro "turístico"). Passavam das 14 horas e tive um problema parecido ao que ocorreu na sede do Rosario Central: nao era possível entrar no campo. Pelo menos, consegui tirar umas fotos do campo, através das grades. Já era o suficiente.
Voltei à rodoviária e fui comer um lomito (fiquei viciado nisso!), acompanhando as manifestações na 9 de julio e em Palermo. Engraçado como a capital da província vizinha à província de Buenos Aires absorvia aquela manifestção com uma estranha normalidade. Como se Santa Fé fosse uma cidade no meio do nada. Esse parece ser o espírito da cidade, bastante "provinciana" no sentido pejorativo do termo. Os seus habitantes parecem ficar alheios às transformações políticas do país. Nesse sentido, Rosario tem uma postura completamente diferente.
O meu ônibus saía de Santa Fé, rumo à rodoviária de Rosario, 8 da noite. Fiquei cerca de 3 horas esperando pelo ônibus e cada minuto era insuportavelmente chato. Quando se faz uma viagem que tem como proposta a agilidade e a utilização de todo tempo disponível, 3 horas jogadas fora são traumáticas. Mas também servem pra um descanso provincial.
A volta foi pela empresa Micro (mas que poderia ser chamada MICO). Desconfortável e tinha até barata! Evite!!! Cheguei 10 e 30 da noite, a tempo de fazer um lanche rápido, ler uns e-mails, pegar a bolsa e esperar o ônibus rumo à Córdoba, que sairia às 11 e 50 da noite. Já amanheceria em outra cidade...