sábado, 4 de junho de 2011

Dia 9: Posadas - Encarnación - Trinidad - Jesus

Terça-Feira (9) começou com minha ida até a lavanderia para deixar toda a roupa suja até então. Os preços são geniais: com 10 ou 12 pesos, era possível lavar muita roupa! Continuei caminhando pela cidade, conhecendo (por fora) os prédios históricos, os museus, o mercado público... mas com um azar sem precedentes: quase
todos os prédios estavam em obras ou tornava-se impraticável tirar fotos por obras que ocorriam na rua ou nas praças da cidade, caso emblemático da Plaza 9 de Julio.

Feito isso (é tudo muito rápido, pois a cidade não tem muito pra ver...), desloquei-me do mercado público até ao ponto de ônibus internacional Posadas-Encarnacion (o mercado público e o ponto de ônibus estão nas extremidades de uma avenida (ver avenida) e no caminho é possível passar por 2 museus. Vale a pena a caminhada). Descontando o fato dos ônibus sempre andarem lotados, nada de mais grave é identificado... O ônibus tem uma parada na rodoviária de Encarnacion, que é de onde desloquei-me para as ruínas jesuíticas de Trinidad e Jesus.

Antes de conhecer as reduções paraguaias, era necessário trocar os reais que tinha comigo (levava R$ 100 para alguma emergência durante o dia). Pareceu fácil trocar reais por guaranis na rua, com pessoas que fazem o cambio. Mas resolvi procurar uma casa de cambio legalizada, o que se mostrou bem complicado em Encarnacion: no único que encontrei, distante 4 quadras da rodoviária, só era possivel trocar o
mínimo de 50 reais, o que no câmbio do dia era o equivalente a bagatela de 119 mil guaranis. Me senti rico!

Voltando até a rodoviária, percebi que gastar os 50 reais, transformados em 119 mil guaranis, seria uma tarefa bastante complicada. Para início de conversa,
a passagem entre Encarnación e Trinidad (distante cerca de 30 kms) custava 6 mil guaranis (cerca de R$ 2,50). No ônibus, conheci uma americana do Oregon (não lembro o nome dela...) que estava fazendo um mochilão pelo Paraguai (provavelmente, parte de um mochilão por toda a América do Sul). Acabou que tornou-se uma bela companhia (em todos os sentidos).

Confesso que não levava muita fé no potencial desta parte da viagem (apesar de ter ouvido apenas posicionamentos positivos das ruínas paraguaias). Não obstante, tão logo é possível avistar o sítio de Trinidad (as ruas em volta parecem as da minha casa, em Itaboraí), não tem como não ser conduzido pelo clima bucólico e tranquilo, associado à imponência das ruínas. É parada obrigatória para quem deseja conhecer um pouco da história da América do Sul. A nossa Acrópolis? Pode até ser um exagero. Infelizmente, mantém-se desconhecida, já que não havia nenhuma pessoa visitando-o no momento em que estava lá. E tudo isso distante 4 horas de Ciudad del Este...

De Trinidad para Jesus são mais 12 kms. Existem ônibus ligando a ruta com as ruínas de Jesus, mas pelo que percebi, não vale a pena esperar. O ideal é pegar um "taxi". Mas negocie o preço, pois os caras vão querer tirar o seu couro. Como eu estava acompanhado da americana, nem deu pra enganar que não éramos turistas. Inicialmente, o taxista queria cobrar 30 mil guaranis por pessoa ida e 30 mil volta. Fiz a minha proposta: 40 mil ida e volta pros dois. De 60 mil, acabei rachando o taxi com a americana e pagando 20 mil (mais ou menos 9 reais), o que ainda era bem caro, pelo menos o dobro do preço cobrado normalmente pelo taxista. Não há de ser nada... tava com guaranis sobrando mesmo!

As ruínas de Jesus não são tão impactantes quanto São Miguel, San Ignacio Mini e (principalmente) Trinidad, em grande parte pelo fato de não ter tantas inscrições nas suas paredes e da igreja ter sido a única que não foi completada. Mas não dá pra não se contaminar pela tranquilidade. É algo que não é possível mensurar ou
passar para o papel, traduzir em palavras: tem que viver, que presenciar o local. Trinidad e Jesus, pra não ficar sendo repetitivo, são fundamentais e de visita obrigatória para quem puder conhecer. E uma tarde também é o suficiente para conhecer as ruínas jesuíticas paraguaias. E tanto para entrar em Trinidad quanto em Jesus, me foi cobrado 5 mil guaranis.

Voltando até Encarnacion e despedindo-me da americana (e não aconteceu nada, antes que perguntem...), tinha ainda algumas horas de sol para tentar conhecer a cidade. Fui no tato total, caminhando pelas ruas próximas ao Rio Paraná, abandonadas à sujeira e ao lixo, com cheiro de mijo e, por entre as calles, pessoas que tentavam viver, organizando seu local de trabalho, tentando limpar e dar vida aos pequenos espaços. No caminho, descobri um campo de futebol, de propriedade da Liga Encarnacena de Fútbol. Um típico galinheiro, oásis para quem gosta do futebol alternativo, longe do mainstream. Ferrugens e focos da dengue (um problema exportado do Brasil para Paraguai e Argentina) eram regra!

Por entre o esgoto e observando pessoas lavarem seus carros com a água do Rio Paraná, observava o magnífico pôr do sol do Chaco, talvez o mais bonito que vi. Fotos tiradas, voltei para a rodoviária, ainda com cerca de 83 mil guaranis (ou 35 reais) no bolso. dá pra dizer com segurança que é possível sobreviver em Encarnacion (e imagino, pelo Paraguai) com 25 reais (fora a hospedagem, que não deve passar de 20 reais), o que é muito pouco.
Para conseguir gastar o dinheiro que sobrou, comprei uma bolsa de viagem grande por 42 mil guaranis e comi uma janta de patrão por cerca de 25 mil guaranis, próximo da rodoviária. Voltei para Posadas pelo mesmo ônibus internacional (pagando em guaranis, para me desfazer do que sobrou) e preparei a bagagem para
encarar a viagem até Tucumán.



Gastos (em Guaranis):

Dias/Noites (1/1)

Transporte Interurbano 37000 (ALÉM DE 4,40 PESOS ARGENTINOS)
Transporte Municipal 0
Alimentação 34000
Hospedagem 0
Noitada 0
Turismo 5000
outros 42000

Total 118000 (+4,40 PESOS ARGENTINOS)
Média 118000 (+4,40)

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