sábado, 4 de junho de 2011

Dias 12-14: La Quiaca - Humahuaca - Tilcara - Purmamarca - Salinas Grandes

Tá certo que dia dos namorados numa sexta-feira não é nada atrativo para quem está solteiro. Mesmo assim, nunca imaginei acordar numa das cidades mais frias da Argentina no dia dos namorados...
Cheguei em La Quiaca, extremo norte da província de Jujuy, às 7 da manhã, céu escuro, neblina, com certeza abaixo de 0 grau... já disse que estava frio? Pois foi o local que mais passei frio na minha vida, certamente. Pra completar, senti falta da minha touca (provavelmente deixei no ônibus).
Na acanhada rodoviária, todos os não-andinos tinham duas direções: ou estavam indo para a Bolívia, ou estavam voltando da Bolívia. La Quiaca é a porta de entrada (ou saída) principal entre Argentina e Bolívia. Como não tinha tempo (e dinheiro) para desbravar o país vizinho, chegar até La Quiaca foi pensado exclusivamente pela "mística da fronteira". Minha ideia era conhecer a cidade boliviana de Villazón, passear por lá por algumas horas e voltar a La Quiaca. Rapidamente, descobri que não seria uma tarefa fácil: era necessário permanecer 24 horas em solo boliviano para poder sair do país, caso eu quisesse entrar. Pensei até na possibilidade de ficar 2 ou 3 dias, mas jogaria por terra todo o meu cronograma. Pude apenas visualizar o mercado de rua de Villazón estando com meus pés na aduana. Entrar na Bolívia ficaria para outra viagem.

La Quiaca não tem nenhum atrativo. Absolutamente nada! Mas para uma pessoa que nunca viu neve, observar a geada começando a dissipar-se apenas às 11 da manhã, tamanho o frio, era um espetáculo no alto dos mais de 3400 metros de altitude.

Meu primeiro contato com a elevada altitude não foi nada agradável. Caminhar 100 metros era um martírio. Subir um morro, então... Dor de ouvido, ânsia de vômito, cansaço, dor de cabeça, falta de ar... Resolvi não mascar coca para sentir os efeitos na sua plenitude. Descobri que é quase insuportável.
Devido o meu plano de conhecer Villazón ter sido frustrado, economizaria 1 dia no cronograma da viagem caso chegasse em Tilcara à noite. Para isso, deveria “matar” Humahuaca e a Quebrada de Humahuaca no mesmo dia.
Não fiquei muito tempo em La Quiaca e já peguei um ônibus para Humahuaca (El Quiaqueno, 20 pesos), passando pela Quebrada de Humahuaca. No caminho, os efeitos da altitude pioraram, pois o ônibus passa no caminho por altitudes próximas dos 3800 metros. Ainda bem que tinha comigo uma garrafa d'água: foi o que me ajudou a enfrentar o martírio da falta de ar.

A Quebrada de Humahuaca, considerada “Patrimônio Mundial da UNESCO”, é uma região extremamente acidentada nos Andes argentinos. O que dá uma atmosfera incrível, em todos os sentidos. Ao chegar na cidade de Humahuaca (mais ou menos 2940 metros de altitude) foi possível enxergar um pouquinho melhor a grandiosidade natural da Quebrada, já que passando mal no ônibus era meio complicado pensar nisso.

O principal monumento da cidade, “Monumento da Independência”, encontra-se encravado no alto de um morro, cuja vista é sensacional. Ao lado, alguns cactos com até 5 metros de altura, o que era uma novidade para mim.
De Humahuaca, fui para Tilcara (Balut, 6 pesos), cidade escolhida para servir de base de modo a desbravar a Quebrada de Humahuaca e as cidades próximas. Cheguei em Tilcara e fui direto para o HI da cidade. O Hostel é ótimo, mas tenho dois motivos para não recomendar como local de pernoite (apesar de ter sido uma escolha pessoalmente feliz... e explicarei depois o motivo). Em primeiro lugar,
por motivos econômicos: paguei 45 pesos a diária, sendo que uma ida ao balcão de informações turísticas seria suficiente para descobrir que era possível pagar 20 pesos a diária. Mas mesmo assim, outro fator me deixou puto (e ao contrário do
primeiro, não foi por culpa ou ignorância minha): pelo que entendi, os preços do Hostel eram: Alta Temporada (45-50 sem/com café da manhã) Baixa Temporada (35-45 sem/com café da manhã). Inicialmente me foi dado o preço de baixa temporada,
depois me foi dado os preços de alta temporada. Como a diferença sem/com café da manhã nos preços da alta temporada eram pequenos, optei pelo café. Mas, no check-out, me foi cobrado o preço do café da manhã na baixa temporada. Enfim,
foi um erro, minimizado ou esquecido por situações positivas que ocorreram depois e tiveram início neste hostel. Vamos dormir, que estou cansado!

Na habitação compartilhada estavam um italiano e duas inglesas (Hannah e Jessica). Não troquei muitas palavras com eles, apenas um "Hola, qué tal!?". Ao amanhecer do dia 13, enquanto todos faziam seus respectivos check-outs, eu me preparava para conhecer o povoado de Purmamarca, distante 18 kms de Tilcara (várias empresas fazem o trajeto por 3 pesos). Na rodoviária de Tilcara, percebi que as inglesas iriam para Purmamarca também, cheias de bagagem, pois estavam seguindo rumo a Salta, mais ao sul.

Purmamarca tem menos de 1000 habitantes e seria mais um povoado desolado num rincão qualquer dos Andes, não fosse por um detalhe: a existência do Cerro de Siete Colores, acomodação de minerais ao longo de séculos que deram forma a um
mosaico de cores (eu contei mais de 7 cores! RISOS!). É um dos principais cartões postais do noroeste argentino. Atrás do Cerro, existe o Paseo de los Colorados, um caminho de terra com cerca de 3 kms de extensão.

Um parêntese: no Paseo, encontrei as duas inglesas novamente. Ainda não poderia considerar uma coincidência pelo fato de saber que elas estavam na cidade e também pelo fato da cidade ser menor que um ovo.

Pronto: em 3 horas, acabou Purmamarca. Fui em busca da 2ª parte da visitação pela região: descobri que sairia do vilarejo, rumo a um deserto de sal chamado “Salinas Grandes”, uma van turística por 40 pesos. Uma pechincha, pois mataria 2 coelhos com uma cajadada só: conheceria um Salar e também a Cuesta del Lipán (obrigado Grazi, por me fazer ter vontade de conhecê-la), estrada que deixa impressionado até mesmo quem conheceu a estrada que cruza a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina.

Comi uma pizza (meia-boca), tomei uma cerveja chamada Norte (meia-boca igual) e, enfim, parti para as Salinas Grandes. Já estava suficientemente adaptado à região e à altitude, o que percebi nas paradas para tirar fotos em locais que ultrapassavam os 4000 metros de altitude, ao longo da sinuosa Cuesta del Lipán, perigosa, apesar de bem sinalizada. Do alto, porém, é bela, em conjunto com a paisagem seca e montanhosa dos Andes.

20 minutos e chegamos às Salinas Grandes, um lago que virou deserto de sal. Coruja de Sal, casa de sal... Uma imensidão de sal inconfundível e, literalmente, no meio do nada. O passeio não durou muito tempo; ir e voltar para Purmamarca (distante 55 kms de Salinas Grandes) demorou cerca de 4 horas. Serviu também para conhecer duas salteñas (Laura e Micaela) que já estiveram em Balneário Camboriú e Florianópolis. Laura, inclusive, convidou-me para sua festa de aniversário em Salta, no dia seguinte. Como minha intenção era chegar lá à noite, seria possível minha presença.

De volta à Purmamarca, caminhei os 3 kms que separam a cidade da Ruta 9 (rodovia que corta ao meio o noroeste argentino), tentando carona. 15 minutos, meia-hora, 40 minutos e nada! Nem ônibus, nem carona. Até que um senhor parou o carro
e ofereceu carona. No caminho até Tilcara, descobri que era cordobenho e cantor de Bossa Nova na noite de Córdoba. Ao descobrir que eu era brasileiro, começou a cantar e eu, com a garrafa d'água, fiquei na percussão. hahahahha! Foi tão
legal que ganhei até um chaveiro dele, que também faz artesanato.

No hostel, novos companheiros de noite: uma alemã (Birgit) e um inglês (não decoro nomes de homens, mas o cara é legal. Tanto, que pagou um vinho! hahahahaha). Bebemos o vinho, jogamos conversa fora e fomos dormir.

Domingo (14), tinha por objetivo conhecer uma antiga fortaleza indígena, a “Pukara”, ir até a cidade de Jujuy ainda de manhã e dormir em Salta. Mas era inviável e eu cortei Jujuy do trajeto: sair de Tilcara no domingo para Jujuy é um tanto quanto caótico. Antes de ir até a Pukara, conheci a “Garganta del Diablo” de Tilcara com Birgit. Existem duas formas de chegar até a Garganta: à pé, cerca de 4 kms pelas trilhas que serpenteiam a cadeia de montanhas; de carro, cerca de 8 kms. Inicialmente, iríamos à pé, mas Birgit estava gripada e acabamos indo de taxi (30 pesos, 15 para cada um). O caminho é agradabilíssimo
para quem tem medo de altura: só há espaço na “estrada” para 1 carro; de um lado, há um penhasco esperando, de outro, um morro com pedras caíndo incessantemente. Preciso dizer que sequer olhava para os lados?

Já na “Garganta...”, o medo de altura me impediu de passar por determinados
caminhos, enquanto a alemã se sentia num parque de diversões... que vergonha! hahahahahah Mas foi legal... certeza que eu não faria nada disso se estivesse sozinho. Emendei a ida até a “Garganta...” com a visita até a Pukara. No entroncamento dos caminhos que levam à Pukara e à Garganta del diablo, despedi-me de Birgit. Mais um 1km de caminhada e chegaria até a Pukara. Oposição completa no que diz respeito a fluxo de pessoas: eram muitos os turistas no local, que pagavam 10 pesos para entrar, taxa que dava direito também a visitar o Museu Etnográfico, no centro da cidade. Assim como a Garganta, com uma belíssima vista da Ruta 9 por entre a cadeia de montanhas.

A caminhada acumulada de quase 10km já deu pra cansar um pouco... mas ainda tinha de chegar em Jujuy, para depois pensar em Salta. Mas como disse anteriormente, abortei essa missão por causa dos horários de ônibus. Quando cheguei na rodoviária (por volta das 13 horas) percebi que o próximo ônibus para Jujuy sairia da cidade às 16 horas. Como demora mais ou menos 3 horas de Tilcara para Jujuy (pouco atrativa turisticamente) e tinha que chegar em Salta no domingo ainda (agora, por causa do aniversário da Laura), descartei a possibilidade de passar pela cidade. Fui direto para Salta (Balut, 30 pesos), distante 190 km de Tilcara, numa viagem “interminável” de 4 horas. Um cata-corno do caralho! hahahahahah... Encontrei no ônibus o Inglês do Hostel que pagou o vinho e fiquei sabendo que ele curte mais Rugby que Futebol. Além disso, estava indo em direção a Córdoba e Rosário encontrar alguns amigos (ingleses e argentinos), que também faziam mochilão pela américa do sul. Algo que me chamou a atenção: o fato de encontrar apenas europeus (vários Ingleses, Franceses, Italianos, Alemães e Suíços (!!!)) e norte americanos fazendo mochilão na região. Sulamericanos, apenas os argentinos provenientes de Cordoba, Santa Fé e Buenos Aires, nos seus carros ou em pacotes turísticos.



Gastos (em Pesos Argentinos):

Dias/Noites (3/2)

Transporte Interurbano 99,00
Transporte Municipal 15,00
Alimentação 71,00
Hospedagem 90,00
Noitada 0,00
Turismo 103,00
outros 21,00

Total 399,00
Média 133,00

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