segunda-feira, 4 de agosto de 2008

DIA 13: Cordoba

Às 5h 30m da manhã do dia 16 de julho, eu chegava em Cordoba. Não imaginava, quando do planejamento da viagem, que esta seria a cidade mais a oeste da Argentina que eu iria visitar. Mas, compromissos da faculdade me forçaram a mudar completamente meus planos.
O ônibus em que viajava ligava Rosario e Catamarca, no noroeste argentino. Alguma força inexplicável me acordou quando o ônibus parou em Cordoba e eu só percebi que estava em Cordoba e que o ônibus ainda seguiria viagem, por uma perspicácia que só se adquire fazendo esse tipo de viagem. Eu não tinha noção da merda em que eu iria me meter se não acordasse e não tivesse a iniciativa de perguntar onde estava.
Como cheguei muito cedo, esperei o sol dar o ar da graça. O relógio avançava: 6 horas; 6 e 30; 7 horas; 7 e 15... e nada do sol nascer! Assim que o balcão de turismo abriu (às 7 horas), peguei o mapa e fui desbravar a cidade com medo... foi a única vez que senti um clima ruim... Não pela cidade em si, mas pelo fato de ser uma cidade grande e ainda estar escuro. Era a primeira vez que eu chegava à noite numa cidade desconhecida.
Um parêntese: com exceção de Buenos Aires, os terminais rodoviários tem a figura do carregador de bagagem que cobra uma "propina" (gorjeta). Mas essa gorjeta é considerada uma obrigação até certo ponto chata e deselegante pra quem é de fora do país e não está acostumado com o modus operandi. Fiquei pensando se não seria mais interessante esses caras serem contratados pelos terminais, para desse modo deixar de cobrar a "propina". Mas eles devem tirar uma excelente grana nisso e não aceitariam mudar sua situação, imagino. Mas o fato é que, por causa de 25 centavos, uma antipatia desnecessária do turista para com a cidade pode ser alimentada. De todo modo, ande sempre com alguma moeda no bolso. Nada muito alto: 25 centavos de peso é mais do que o suficiente!
Cheguei ao HI às 8 da manhã. Ainda escuro! O atendimento é bom, mas me decepcionei com 3 fatores: uma cobrança de 10 pesos, como se fosse uma espécie de seguro (do que eu não sei!), que seria devolvido na minha saída do hostel; o preço (33 pesos - o mais caro da rede HI que frequentei) e as condições dos dormitórios (o quarto "com banheiro privado", na verdade, era dividido com mais 9 pessoas...). Enfim, HI em Cordoba apenas em último caso.
O Hostel em que me hospedei ficava próxmo a Plaza España e ao Parque Sarmiento. Foi por lá que iniciei minha caminhada. Próximo a estes pontos turísticos, descobri o Museo de Antropologia (da Universidade de Cordoba), na Av. Hipólito Yrigoyen, e segui até a Plaza San Martin, que estava lotada. A cidade tem uma vitalidade incrível! Encantador...
Na Plaza San Martin, localizam-se o Cabildo (um prédio branco imponente), a Catedral e a Iglesia de Las Carmelitas Descalzas. Cordoba tem uma influência fortíssima da Igreja Católica, assim como é verificável na região nordeste da Argentina. Muitas referências à Itália também são encontradas em Cordoba, numa proporção superior ao que vi em qualquer outra cidade argentina.
À noite, saí para dar uma caminhada pela cidade e conhecer a agitação universitária, famosa no país todo. Não lembro a boite onde fui! Só sei que gastei 30 pesos, para tomar 3 garrafas de Quilmes e pagar a entrada. Não muito caro, comparado aos gastos noturnos de Buenos Aires. Assim como ocorreu em Montevideo, sai acompanhado do pessoal que estava no hostel. Acho válido, principalmente para quem não conhecia nada da vida noturna da cidade (como era o meu caso), que aprovei com louvor!

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