Acordei às 7 da manhã e fiz o check-out no hostel onde estava, com o seguinte objetivo: conhecer as cidades de Santa Fé e Paraná no mesmo dia. Santa Fé e Paraná são cidades vizinhas, separadas pelo rio Paraná e capitais de províncias (Santa Fé e Entre Rios, respectivamente).
Eu, na minha tresloucada inocência, imaginava ser possível concluir tal empreitada: Entre Rosario e Santa Fé, demoraria 2h 30m de viagem; entre Santa Fé e Paraná, 1h aproximadamente. "Perfeito: tudo perto!", pensei. Mas, por motivos financeiros, eu resolvi abortar a viagem até Paraná. No guia de viagem, sequer a cidade era mencionada e, me levou a crer, que era pouco atraente, ainda mais se pensarmos que eu iria gastar um total de 50 pesos para pagar as passagens de ida e volta entre Santa Fé e Paraná. A capital de Entre Rios saiu do circuito nesse momento.
O ônibus que ligava Rosario a Santa Fé saiu da Rodoviária às 8 da manhã (empresa Tata Rapido - 23 pesos. Transporte honesto, nota 6). Antes, porém, fiz uma parada estratégica no guarda volumes da rodoviária, bastante útil (e mais barato) para quem quer conhecer determinada cidade em 1 dia apenas e não deseja pagar hostel. A chegada na cidade ocorreu às 10h30m, sem maiores transtornos. Viagem tranquila!
Eu já fui pra Santa Fé sabendo que não havia muito o que ver na cidade. Mas eu fiquei fascinado quando, na entrada da cidade, vi o estádio do Colón. Engraçado que você acaba esquecendo da existência de muitos times e, de repente, se vê diante dos estádios... mas o Colón é papo pra depois.
O terminal rodoviário fica no sul da cidade, porém próximo dos principais pontos interessantes de visitação. Eu destacaria a Casa del Gobierno (um palácio imponente!), Plaza 25 de mayo (uma das praças mais bonitas e bucólicas que conheci na viagem...), Museu Etnográfico Juan de Garay (passei a me interessar pela história dos jesuitas ao conhecer esse museu. Foi aí que caiu a ficha da similitude entre o trajeto dos jesuitas e o meu trajeto na viagem...) e Plaza San Martin. Como sempre, percorrendo a pé e conhecendo a cidade.
Enquanto Buenos Aires fervia com a disputa entre partidários e opositores ao governo de Cristina Kirchner, minha cabeça e minhas pernas ferviam com o calor absurdo de Santa Fé. Inacreditavelmente, apenas 27 graus no termômetro, mas com sensação térmica passando dos 30, fácil.
O ponto final era o estádio do Colón, na entrada da cidade (não muito distante da rodoviária e do centro "turístico"). Passavam das 14 horas e tive um problema parecido ao que ocorreu na sede do Rosario Central: nao era possível entrar no campo. Pelo menos, consegui tirar umas fotos do campo, através das grades. Já era o suficiente.
Voltei à rodoviária e fui comer um lomito (fiquei viciado nisso!), acompanhando as manifestações na 9 de julio e em Palermo. Engraçado como a capital da província vizinha à província de Buenos Aires absorvia aquela manifestção com uma estranha normalidade. Como se Santa Fé fosse uma cidade no meio do nada. Esse parece ser o espírito da cidade, bastante "provinciana" no sentido pejorativo do termo. Os seus habitantes parecem ficar alheios às transformações políticas do país. Nesse sentido, Rosario tem uma postura completamente diferente.
O meu ônibus saía de Santa Fé, rumo à rodoviária de Rosario, 8 da noite. Fiquei cerca de 3 horas esperando pelo ônibus e cada minuto era insuportavelmente chato. Quando se faz uma viagem que tem como proposta a agilidade e a utilização de todo tempo disponível, 3 horas jogadas fora são traumáticas. Mas também servem pra um descanso provincial.
A volta foi pela empresa Micro (mas que poderia ser chamada MICO). Desconfortável e tinha até barata! Evite!!! Cheguei 10 e 30 da noite, a tempo de fazer um lanche rápido, ler uns e-mails, pegar a bolsa e esperar o ônibus rumo à Córdoba, que sairia às 11 e 50 da noite. Já amanheceria em outra cidade...
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