domingo, 11 de dezembro de 2011

Dias 17 e 18: Cafayate, Quebrada de Cafayate e Ruínas de Quilmes

Tirei o dia 17 para conhecer a Quebrada de Cafayate.

Existem duas maneiras principais de conhecer a Quebrada: ou você aluga um carro/viaja de carro/participa de um passeio pago (dependendo da época, nem isso tem); ou você vai de ônibus para a Garganta del Diablo e volta de bicicleta. Escolhi a 2ª opção.

Para se ter ideia de onde estava me metendo, teria que pedalar 50 (CINQUENTA!!!) Kms para voltar ao centro de Cafayate. Fui acompanhado das inglesas Hannah e Jessica que citei anteriormente (reencontrei com as duas no local onde fui alugar uma bicicleta... elas estavam fazendo o mesmo que eu: alugando bicicletas para desbravar a Quebrada no dia seguinte). Compramos comida e água (não compre coisa demais que seja pesado, mas não compre de menos... comida e água no deserto podem fazer muita falta).

Pegamos o ônibus que faz o trajeto Cafayate - Salta e "saltamos" (sou engraçadinho... hehehehe) na Garganta del Diablo, que é um morro esculpido pelo vento por milhões de anos. Algo inacreditavelmente lindo de se ver.

Não muito distante da Garganta del Diablo, é possível visualizar "El Anfiteatro", outro paredão imponente, com uma acústica maravilhosa. Fico imaginando o que seria um show naquele lugar... Como tal fato era só possível conceber na imaginação, tínhamos o consolo de encontrar com alguns artistas (músicos e de artesanato local) tentando arrumar algum dinheiro com o fluxo de turistas, vendendo sua arte.

Durante o caminho, em vários momentos é possível observar o vale e o Rio que compõem a quebrada e estão em paralelo à estrada.

Já mais para a metade da estrada (e com meu fôlego de atleta de ironman cada vez mais diminuto), é possível ver rochas com formatos de Sapo, multicoloridos (iguais aos encontrados no Cerro de Siete Colores, em Purmamarca). Sendo assim, as grandes atrações naturais encontram-se na 1ª metade do trajeto de 50Km. Para alguém que não tem o costume de fazer esportes que forcem tanto o corpo (EU!), pedalar os 49km da Quebrada de Cafayate, numa altitude próxima dos 2 mil metros, com vento contra na maior parte do tempo, e clima seco que é gélido quando você pega velocidade e extremamente quente quando você dá uma parada (você reza por uma árvore, que só aparece de vez em quando), é quase que suicídio. Mas, se estou vivo aqui, os mortais também podem sobreviver a isso.

Só sei que demorei 6 horas e vi desde ciclistas profissionais até um casal de colombianos que estava indo pra Ushuaia de bicicleta. Enfim, uma experiência que, no final, não via a hora de terminar. Mas que gerou uma história engraçada, ao menos. Desnecessário dizer que não queria outra coisa a não ser descansar, assim que cheguei ao hostel.

No dia 18, tinha que ir embora de Cafayate. As férias estavam acabando e eu ainda tinha 2 objetivos: conhecer as Ruínas da tribo Quilmes e Tafí del Valle, antes de voltar para Tucumán, de onde sairia meu ônibus para Posadas, no caminho ao sul tupiniquim.

Os ônibus que saem de Cafayate para Quilmes e Tafí saem 3 vezes por dia (pode ser que tenha mudado, portanto, verifique isso): ao nascer do sol, no horário do almoço e de tardezinha.

Eu, nos meus sonhos mais insanos, achava que daria tempo de conhecer Quilmes e Tafí mas, como eu estava sem tempo, resolvi cortar Tafí e dar prioridade para Quilmes, um dos maiores sítios arqueológicos da Argentina. Dica: esteja com roupas leves para visitar Quilmes: o lugar é no meio do nada é o clima é desértico. Você ainda terá que andar tanto para chegar nas ruínas, quando para andar por entre elas, subindo morro.

A visão é imponente, pois o terreno das ruínas é gigantesco. Observar isto tentando imaginar no grupo social existente ali é uma tarefa interessante. Mas é estando no alto do morro que é possível perceber a importância estratégica daquele local, uma vez que é possível enxergar um vasto terreno plano repousando aos pés da cadeia de montanhas.

Quilmes é fundamental para quem quiser se aventurar no noroeste argentino. Apesar de ser meio ingrato para chegar lá (principalmente se você for com o mochilão, como era o meu caso, para economizar tempo), vale muito conhecer.

P.S.: tem tanto tempo que fui lá que não me recordo dos horários dos ônibus que passam por Quilmes, nem do preço para entrar no sítio. Procure por viação ACONQUIJA para saber dos ônibus. Já a entrada não me recordo de ter sido caro. Deve ser papo de 5 reais.
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