domingo, 11 de dezembro de 2011

Dias 15 e 16 - Salta e Cafayate

Salta - Cafayate - Quebrada de Cafayate - Ruínas de Quilmes

Cheguei em Salta por volta das 8 da noite de domingo (14) e, automaticamente, fui abordado por uma funcionária de hostel com uma proposta indecente: hostel por 20 pesos, com taxi de graça. Perfeito! Fui comprar rapidinho a passagem para Cafayate e aceitei a oferta. O Hostel (cujo nome não me lembro... mas posso postar depois aqui, caso encontre algum panfleto nas minhas coisas...) é normal, nem maravilhoso nem uma merda. Pelo preço, tava valendo. No meu quarto, tive a "sorte" de ser assediado por um argentino. O cara teve a manha de colocar uma música de "amor" do Araketu pra tocar no celular enquanto eu estava procurando uma roupa para vestir. Climão, heim?

Saí do Hostel às 22:30 e fui para o Resto Bar Macondo (já conhecia o de Santa Maria, agora seria a vez do de Salta) na calle Balcarce, que é a rua dos bares e boites em Salta. Comi um lomito no caminho, pq estava morrendo de fome e fui pra lá.
O problema é que não fazia idéia do horário em que a Laura chegaria. Não tive a manha de pegar o número de celular dela. Fiquei plantado na frente do bar, dando umas voltas e verificando se ela tinha chegado entrando no bar até meia-noite.
Como não vi ninguém parecido com ela, fui curtir o movimento na noite na rua fria de Salta, mas não por muito tempo. Como estava cansado da viagem desde Tilcara, resolvi voltar pro hostel por volta das 2 da manhã.

Segunda-feira (15) era o dia para conhecer e caminhar por "La Linda". Meus pontos preferidos foram a Praça 9 de Julho (um passeio noturno é show também), o Parque central, o Teleférico que leva ao cerro San Bernardo e que tem uma bela vista da cidade, a Igreja de São Francisco (fundamental conhecer), e O Museu de Arqueologia de Alta Montaña. Entretanto, passear por Salta é uma experiência agradabilíssima, uma vez que as áreas "turísticas" são bem conservadas.

Saí bem cedo do hostel e consegui conhecer o roteiro básico durante o dia. Ao finalizar o passeio pelo Cerro San Bernardo, avistei um estádio e resolvi conhecê-lo. Chegando no local, descobri que estava para ocorrer uma partida de futebol. Não sabia quais times iriam jogar, não sabia o preço nem qual campeonato. Tinha cerca de 30 minutos para deixar minha mochila no hostel e voltar a tempo de ver a partida. Quando voltei, fiquei sabendo que o jogo era entre Juventud Antoniana e Central Norte fazendo o clássico de Salta, no campo do Gimnasia y Tiro, outro clube da cidade. Apenas o Juventud Antoniana é de 3a divisão... ou outros 2 são de 4a divisão.
O jogo foi horrível. De dar sono mesmo... Em Salta, me pareceu que o futebol estava relegado a segundo plano, atrás do Rugby. Inclusive, um amistoso entre Argentina e Inglaterra na cidade, dias antes da minha chegada, teve a presença de mais de 45 mil pessoas... Rugby, vejam só!

À noite, caminhei pela cidade e tirei fotos dos mesmos locais que visitei de dia. Salta à noite é uma outra cidade. Sem dúvida, uma cidade especial... "La linda", como proclamam seus moradores.


Terça-Feira (16) - Saí do Hostel às 6 da manhã, já que o ônibus para Cafayate (El Indio - 35 pesos - 4 horas) estava marcado para as 7 horas. Foram 4 horas no pior ônibus que encontrei pelo caminho! Cafayate funcionaria, assim como Tilcara, como base para conhecer outros pontos turísticos da região, como a Quebrada de Cafayate,
as Ruínas de Quilmes, Cachi e Tafí del Valle. Cafayate tem como principal atrativo as bodegas (é um dos principais produtores de vinho e, dizem, é o produtor dos melhores vinhos da Argentina, já que mendoza seria produtor de vinhos mais "baratos").

Chegando na cidade, assim como em Salta, fui abordado por uma proposta
interessante: hostel por 20 pesos. O hostel (Sou péssimo pra nomes e já se passou tanto tempo... mas eles te procurarão assim que você sair do ônibus, fique tranquila) pode não ter sido o melhor da viagem (e não era mesmo), mas é aconchegante e com o melhor atendimento de toda a viagem. Gostei muito das pessoas do Hostel, extremamente agradáveis, "buena onda", como dizem os hermanos.

A constatação prévia de Cafayate é que a cidade reserva fatos interessantes tanto pra quem quer colocar o lado aventureiro pra funcionar, ou o lado pinguço. Se conseguir fazer as duas coisas (sem reclamar), considere-se um herói.

Continuando...

Deixei minhas coisas no Hostel e fui ao Cerro que fica próxima à sede da cidade, o que exigia uma caminhada de 6kms e, posteriormente, desbravar inúmeras trilhas. Me foi passado antes de começar a odisseia que a trilha completa demoraria cerca de 3 horas para ser feita. Outra coisa importante era fazer a trilha junto com um guia.
Desta forma, contratei um guia local por 18 pesos (achei caro, mas estava com remorso desde o dia anterior, quando não dei gorjeta para uma garçonete em Salta e ela ficou puta comigo, que nem reclamei ou pechinchei). Algumas pessoas fazem a trilha sem o guia, mas normalmente ficam pelo caminho. Resolvi não arriscar.

No caminho com guia, encontrei novamente com Hannah e Jessica, as duas inglesas de Tilcara e Purmamarca. O trekking durou mais ou menos 2h e 30m. Na volta, os pedidos de carona foram em vão... Cheguei esgotado ao hostel, como poucas vezes durante a viagem. A fome era tanta, que devorei o resto da parillada do
dia anterior (acredite! Era resto de um almoço que fiz num restaurante em Salta... era carne demais pra uma refeição só!). Acabei fazendo uma permuta com Oren, um espanhol de Madrid que tinha acabado de chegar ao hostel: dei uma parte da minha carne e peguei uma parte do macarrão com legumes que ele estava aprontando.

Para finalizar a noite, fui em busca de uma bicicleta para alugar. Queria muito conhecer a Quebrada de Cafayate (principal ponto turístico da cidade) da forma mais heterodoxa possível: pedalando. Como existe toda um mercado de aluguel de bicicletas, não foi complicado arrumar (se no seu hostel não alugarem, peça indicações de onde se pode alugar).

Nunca poderia imaginar que esta decisão significaria ter a experiência mais traumática e linda da viagem...

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