Acordo ainda cansado, graças à viagem Montevideo-Buenos Aires (com parada em Colonia), mas disposto a rever Buenos Aires. Caminhar novamente pelas ruas e avenidas dessa cidade fantástica. Uma cidade que não perde o seu encanto... Quando estive por essas bandas, em 2007, mal tive tempo de conhecê-la por "completo" (ou conhecer minimamente seus principais pontos turísticos. Mas já conhecia a Plaza de Mayo, 9 de Julio, La Boca, Puerto Madero, o Monumental de Nuñes, as praças de Palermo... Alguma coisa me era familiar.
Contudo, reservei o primeiro dia na cidade para fazer comprar. Não tanto para mim, mas para alguns amigos. A lista era grande e, de fato, fazer compras em Buenos Aires está bem mais em conta do que no Brasil. Eu guardo, entretanto, severas reservas para quem vem até esta cidade unica e exclusivamente pensando nisso. Com tanto o que se fazer nela, vir para manter-se quase que o tempo todo na Lavalle, Florida e Sarmiento (onde tem uma agência do Banco do Brasil) é de uma pobreza de espírito tremenda.
Pois bem! Nesse dia, fiquei restrito aos pontos centrais da cidade. Pude rever a Av. Corrientes e seus teatros, a 9 de Julio (estava andando sem mapa e me perdi várias vezes nela...) e o seu obelisco, Av. Callao, Plaza del Congreso, Casa Rosada, enfim, um trajeto meramente adaptativo, contemplando a cidade.
Durante o dia, nada de mais ocorreu. Mas, no período da tarde, cerca de 50 manifestantes mantiveram-se na esquina da Corrientes com a 9 de Julio (bem ao lado do Obelisco). O que se seguiu foi um nó no trânsito gigantesco! Estamos tão acostumados com os protestos de rua nas grandes capitais brasileiras serem feitas a meia-pista, que ver aquela cena me chamou a atenção para a diferença entre Brasil e Argentina nessa seara... Não se via protesto de algum popular que atravessava a rua. Não se ouvia um buzinaço irritante... Irritação sim, mas com certa dose de respeito. Não sei se havia ligação, mas, naquele momento, havia uma comoção nacional acerca da taxação das exportações de produtos agrícolas. E os piquetes favoráveis e contrários a tal taxação, mantinham-se em vigília na frente do Congreso, perto de onde estava hospedado. Difícil não se contaminar por aquela celeuma toda.
Eu estava muito a fim de ficar a madrugada toda na noitada portenha. Saí de casa às 11 horas... encontrei a boite fechada. Em Buenos Aires, como em toda a Argentina, os clubem só abrem a partir de 1, 2 da manhã. Atenção a isso! Para não ter de voltar ao albergue, fui comer alguma coisa num restaurante da Av. Corrientes. Gastei 17 reais para comer uma pizza media (6 pedaços) e uma Quilmes de 1 litro. Foi caro, para os padrões argentinos. Baratíssimo, para os padrões brasileiros. Comer em Buenos Aires é bem barato. Em suma, as necessidades básicas de sobrevivência e sociabilidade (ônibus, taxi, metro, estacionamento, habitação, supermercado, restaurante...) têm preços muito inferiores aos encontrados no Brasil. Passar férias em Buenos Aires é barato. Mas morar parece ser mais barato ainda.
Voltei à boite 12h30m. Continuava fechado! O cansaço tomava conta... ainda não havia me recuperado do dia anterior. Resolvi voltar ao albergue e dormir cedo.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
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